SER ESCRAVO É A MAIS ELEVADA POSIÇÃO DIANTE DE DEUS
Rev. Fábio Henrique do Nascimento Costa
O autor da carta se apresenta como “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”. Tiago era um nome relativamente comum entre os judeus do primeiro século d.C. Há varias pessoas com o nome Tiago no NT: o filho de Zebedeu e irmão de João (Mc. 1.19), o filho de Alfeu (Mc. 3.18), o pai de Judas, não o Iscariotes (Lc. 6.16), e o meio irmão de Jesus (Gl. 1.19).
Contudo, somente dois podem ser seriamente considerados como autores. Tiago, o apóstolo, irmã ode João, filho de Zebedeu, que, juntamente com seu irmão e Pedro, formava o círculo de discípulo mais íntimo de Jesus. No entanto, sua morte ocorreu nos primeiros anos da década de 40, logo no início da igreja apostólica (conforme o livro de Atos 12.2). Esse fato faz com que seja impossível que ele tenha sido o autor da carta, mesmo que tenha sido datada bem cedo.
Tiago, irmão de José, Simão e Judas, e meio irmão de Jesus, mencionado nos evangelhos juntamente com as suas irmãs (Mt. 13.55; Mc. 6.3). A principio, Tiago foi um descrente em Jesus como os demais irmãos (Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele. Jo. 7.5). Posteriormente, porém, converteu-se à fé em Cristo, talvez mediante uma aparição específica de Jesus a ele após a ressurreição (Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolosI Co. 15.7).
ELUCIDAÇÃO
A Epístola de Tiago é o livro mais prático do Novo Testamento. O autor escreveu para dar conselho prático e encorajar aqueles que estavam sendo oprimidos. A carta foi escrita para corrigir certas tendências conhecidas na conduta, para confrontar os cristãos com as responsabilidades da vida cristã.
As pessoas a quem Tiago estava escrevendo não eram desprovidas de ortodoxia. Se elas fossem desprovidas das doutrinas básicas do cristianismo, ele teria corrigido isso, e nós teríamos outro livro sobre doutrina. O que ele escreveu foi sobre uma falha no viver diário prático, não teoria. Este livro seria sem valor se ficasse sozinho.
O assunto básico da primeira divisão é a verdade contrastada com a hipocrisia ou imitação. Tiago afirma que a realidade na vida cristã é e tem que ser distinta da falsidade ou imitação. Este contraste entre a realidade e a falsidade é visto em quatro aspectos diferentes da vida cristã: 1) no caráter (1:2-18); 2) na adoração pública (1:19-27); 3) no amor (2:1-13); 4) na fé (2:14-26).
A segunda divisão, 3:1-18, refere-se aos pretensiosos, que querem ser mestres. Tiago afirma que um mestre leva sobre si uma grande responsabilidade e um perigo correspondente (3:1-12). O uso da facilidade de falar deve ser guardado em todo o tempo; a língua é difícil de ser controlada, e o único modo de controlar a língua e ser um bom mestre é ser capaz de distinguir entre a sabedoria deste mundo (3:13-16) e a verdadeira sabedoria, proveniente de Deus (3:17,18).
A última seção, 4:1-5:20, fala do mundo, que está em oposição a Deus, e como o cristão deve viver nesta comunidade antagônica. Tiago declara que uma pessoa que faz do prazer o alvo da vida está em oposição a Deus (4:1-10). O prazer, como um fim em si mesmo, ocasiona dissensões, brigas civis e guerra (4:1,2), tira a única fonte de verdadeira satisfação na vida (4:3) e é adultério espiritual (4:4). O cristão deve fazer todo esforço para escolher entre Deus e o mal, como o fator controlador da vida (4:5,6). Aquele que verdadeiramente se submete ao Senhor terá alegria real (4:7-10). Há uma diferença, diz o autor, entre a submissão real e a presunção (4:11-5:6). A vida é incerta demais, e o cristão não deve usurpar a prerrogativa de Deus de julgar, planejar o futuro ou oprimir o pobre. Segue (5:7-20) uma exortação para a verdadeira conduta cristã num mundo que passa. Estes versículos são várias exortações à paciência e à indulgência, até a vinda do Senhor (5:7-12), e a atividades dentro da comunidade: oração, louvor, visita aos doentes, confissão dos pecados e restauração dos inconstantes (5:13-20).
DESENVOLVIMENTO
Tiago se apresenta como “Servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”, servo o que literalmente traduzido como “escravo”. A ênfase não recai, nesse fato, mas em ele ser servo de Deus. Jesus Cristo, de quem Tiago é irmão por parte de mãe, é colocado por ele em pé de igualdade com Deus.
Apesar de irmão, Tiago se via primeiramente como servo de Jesus. Aquele que havia crescido com ele na cidade de Nazaré, era na verdade, o seu Senhor, de quem Tiago se havia feito servo.
Dessa apresentação podemos aprender que:
1º O senhorio de Jesus Cristo sobre nós sobrepuja qualquer outra relação que possamos ter com ele.
Mas, o que significa “Senhor” para o escritor bíblico?
O titulo conferido a Jesus como Senhor implica a deidade pessoal de Cristo de maneira inequívoca. Isso torna-se obvio quando profecias do AT, a respeito de Jeová, são citadas como profecias que se cumpriram na pessoa de Jesus. Assim, Joel 2.32, citado em atos 2.21 e Romanos 10.13: “ E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Acima e mais importante ainda do que essa identificação de Jesus como Jeová, o verbo “invocar” denota confiança, devoção e invocação religiosa que, como todo judeu sabia, era uma atitude que alguém só podia demonstrar com propriedade para o Deus criador de todas as coisas.
2º Jesus Cristo está em pé de igualdade com Deus na devoção e serviço que seus servos devem oferecer.
Colocado sobre esse pano de fundo da adoração dos cristãos a Jesus como Senhor, juntamente com o Pai, está uma adoração que se opõe conscientemente aos “senhores” pagãos, por isso torna-se evidente que quando a mensagem do evangelho concentra-se na exigência da confissão de que “Jesus Cristo é o Senhor” o que se requer é um reconhecimento de Jesus não apenas como Salvador ressurreto e como Rei governante, mas como uma pessoa a ser invocada, digna de confiança, conhecida, louvada e adorada, tal como é o Deus Pai – em outras palavras, que Jesus seja considerado divino.
3º Não há honra maior do que podermos nos apresentar como servo de Deus e de Jesus Cristo
O domínio dos reis sobre o seu povo se caracteriza pela ambição, porque abusam do seu poder para fins egoístas.
No entanto, os discípulos não devem buscar a primazia, mas, sim, procurar servir como o próprio Jesus “Lc. 22.26-27 26 Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. 27 Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve”.
Porque Cristo ressuscitou e a morte já não domina sobre Ele, isto é, já não tem poder sobre Ele. Cristo morreu e ressuscitou a fim de ser Senhor, tanto de vivos como de mortos.
Na mente da sociedade dos tempos bíblicos deve-se saber em primeiro lugar que o escravo deve o seu senhor obediência exclusiva, segundo que seus serviços não lhes rendiam lucros nem agradecimentos, estava fazendo aquilo que lhes incumbia como escravos. O seu senhor podia exercer seu poder ilimitado sobre ele, até mesmo a ponto de aplicar castigos severos quando pegos em algumas faltas.
Os problemas sociológicos dos tempos bíblicos são abrandados pelo fato de que a revelação de Deus em Jesus Cristo demonstra que todos os homens estão nas garras implacáveis de um tipo de escravidão completamente diferente. O homem fora da esfera do domínio de Cristo é um “escravo do pecado” (Rm. 6.17).
Ninguém pode se libertar desta servidão ao pecado mediante seus próprios esforços, nem modificar a situação mediante a sua própria decisão. Somente a quem Cristo liberta é verdadeiramente livre mediante o comando do Senhor (Cl 3:24 Cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo) e leva para o serviço da justiça, na nova natureza doada pelo Espírito (Rm 6:17-18 Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; 18 e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça).
Ao mesmo tempo todos aqueles que são chamados a liberdade são colocados para servirem uns aos outros no amor (Gl 5:13 13 Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor).
E por fim entender que Cristo quando se fez homem nos livrou do pavor da morte (Hb 2.15 15 e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.)
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