sábado, 30 de abril de 2011

Sermões na Epístola de Tiago

OUVINDO A PREGAÇÃO  DE FORMA PODEROSA
Rev. Fábio Henrique do Nascimento Costa
Tg. 1. 22-25
INTRODUÇÃO
Nosso Senhor nos adverte que o coração de muitos ouvintes da Palavra é como o terreno espinhoso. A semente da Palavra semeada nele fica sufocada pela multidão dos outros cuidados que ocupam suas afeições. 
Esses ouvintes não se opõem às doutrinas e exigências do evangelho; até desejam crer nelas e obedecê-las. Todavia, permitem que as coisas terrenas tomem posse da mente, não deixando nenhum espaço à Palavra de Deus, para que ela faça seu trabalho. Disso resulta que, não importa quantos sermões ouçam, os tais não parecem melhorar em nada. No seu íntimo, o processo de asfixiar a verdade avança semana após outra. Não produzem frutos de aperfeiçoamento. 

Os cuidados desta vida estão entre os maiores perigos que estorvam o caminho do crente. O dinheiro, os prazeres, os empreendimentos terrenos do dia a dia, são incontáveis ciladas armadas para capturarem almas. Milhares de coisas inocentes em si mesmas, se dominadas pelos excessos, são pouco menos do que veneno para a alma e cooperam com o inferno.

O pecado descarado não é a única transgressão que arruína as almas. No seio de nossas famílias e nas solicitudes de nossas vocações lícitas temos de estar em guarda. Se não vigiarmos e orarmos, esses interesses mundanos podem nos roubar o céu e sufocar cada sermão que ouvimos. Poderemos viver e morrer como ouvintes cujo coração é terreno espinhoso[1].



ELUCIDAÇÃO
Sendo o primeiro a respeito do conhecimento de Deus nos versos 16-18.
A segunda Tiago trata o coração do homem, quando ele passa as dificuldades e pratica a ira pecaminosa. Nos versos 19-21
Esta porção da Palavra é a terceira exortação que Tiago faz aos seus leitores no tocante a ortopraxia, isto é, o colocar em prática o ensinamento que eles recebem ao ouvir as pregações.
TEMA: OUVINDO A PREGAÇÃO DE FORMA PODEROSA
DESENVOLVIMENTO
1. OUVIR NÃO É O BASTANTE (V. 22)
Meus amados irmãos para interpretarmos e explicarmos esse parágrafo se faz necessário fazer uso da gramática da língua grega.
v TORNAI-VOS: Esse verbo no grego é, Gi,nesqe, este verbo está no modo imperativo do tempo presente, e na voz média. Isso indica primeiramente que é uma ordem não uma condição, o tempo presente diz que tem que ser agora nesse exato momento, também que a voz média é quando o agente pratica e sofre a ação.
v O tempo presente na voz média do modo imperativo remete a idéia de uma ação continua, ou seja, tem que se tornar um hábito de vida.
v ENGANANDO-VOS: Esse verbo no grego é: paralogizo,menoi: este verbo é um particípio presente na voz média.
v O particípio na língua grega é considerado um adjetivo verbal. E trocando em miúdos, o particípio adjetival traz as qualidades do sujeito da ação. Indicando assim uma ação em andamento, um processo ainda não acabado.
2.  O PROBLEMA DO AUTO-ENGANO (V. 23,24).
v Tiago aqui introduz uma comparação para explicar a inutilidade de ouvir a Palavra sem praticá-la. Há uma semelhança entre os meros ouvintes de sermões e aqueles que se olham no espelho e logo esquecem a sua face ali refletida.
v O ponto de comparação é que ambos, tanto o mero ouvinte quanto o contemplador esquecido, não fazem coisa alguma a respeito do que ouviram e viram. Portanto, o ouvir e o ver não resultam em coisa alguma. São exercícios inúteis e infrutíferos, mesmo que feitos com muita atenção, dedicação e intensidade.
v O verbo que Tiago usa aqui é katanoou/nti. E que significa: olhar com intensidade, examinar minuciosamente, fazer um escrutínio atento, e não dar uma mera olhada.  Verbo particípio presente na voz ativa. O particípio na língua grega é considerado um adjetivo verbal. E trocando em miúdos, o particípio adjetival traz as qualidades do sujeito da ação. Indicando assim uma ação em andamento, um processo ainda não acabado.
v Qual é a finalidade comum de alguém olhar-se num espelho senão para em seguida, ajeitar a sua aparência, retocando aqui e ali os defeitos que o espelho revelou e que a pessoa que por si só não poderia ver? Qual a finalidade de ouvir a Palavra de Deus senão para corrigir os nossos erros e ser instruídos e encorajados a fazer o que é correto? Se não praticarmos o que ouvimos nos cultos e em outras ocasiões em que a Palavra for pregada, poderá esse ouvir nos salvar?
v Na Antiga Aliança por meio do profeta Ezequiel, Deus denunciou o seu povo exatamente pelo mesmo erro Ez. 33. 21... 34. 1-3
v Já no Novo Testamento o próprio Jesus e meio irmão de Tiago comparo aquele que ouve suas palavras e não as pratica a uma casa sem fundamento sólido (Mt. 7.26). aqui está a causa da superficialidade dos leitores de Tiago.
v Da mesma forma, somente ouvir sermões, ainda que de forma regular e atenta, é um exercício infrutífero que não traz benefício nenhum, muito pelo contrário apenas o auto-engano.
3. A BEM-AVENTURANÇA PARA OS QUE PÕEM EM PRÁTICA O QUE OUVEM. (V.25)
v Tiago agora apresenta, em contraste com os dois versículos anteriores – e seguindo o modelo do Senhor Jesus nas bem-aventuranças – a felicidade daquele que tem a atitude correta diante de Deus, bem como os benefícios trazidos a tal pessoa pela prática dessa Palavra.
v Tiago identifica alguém que considera, atentamente , na lei perfeita, lei da liberdade, as duas últimas expressões são uma referência ao Evangelho de Jesus Cristo, a palavra da verdade que menciona em 1.18;
v É essa lei que o ouvinte operoso, em primeiro lugar, considera atentamente, parando para contemplação da Palavra de Deus. Podemos traduzir o operoso por: fazedor de obras,  
v Em segundo lugar esse ouvinte persevera, isto é, perseverar significa permanecer, no original grego continuar o curso de uma ação, uma atividade. É o equivalente a se praticar aquilo que se ouviu.
v Comentar o salmo 1.
v Como resultado ele será feliz no que ele realizar. Nesse caso Tiago diz que os praticantes da Palavra de Deus serão recompensados com a prosperidades de seus empreendimentos e ações, não somente porque os princípios bíblicos assim o conduzem, mas também por causa da benção de Deus sobre os obedientes.
APLICAÇÃO
Aqueles que deixam de praticar a palavra, que são apenas ouvintes, são culpados de uma auto-ilusão perigosa e potencialmente fatal.
CONCLUSÃO
A certeza [de salvação] que não resulta num caminhar mais santo é certeza falsa -- Joel Beek
Se o evangelho, por natureza, contém o poder que salva e a convocação obediência, aquele que olha para apenas em destes elementos não o abraçou verdadeiramente.
Quanto mais graça tivermos menos pensaremos de nós mesmo, pois a graça, como a luz, revela as nossas impurezas -- Charles Spurgeon

quarta-feira, 6 de abril de 2011

DITADURA GAY

A manipulação dos dados de assassinatos contra gays

Segundo reportagem da Agência Câmara, "pesquisas registram mais de 200 assassinatos a homossexuais em todo o país". Sim, mas assassinados por quê? Pelo fato de serem homossexuais? Pelo fato de estarem em ambientes marcados pela violência? Pelo consumo de drogas? Pela libertinagem? Por latrocínios? Pelo fato de estarem de madrugada em ruas e bairros perigosos? Não se cita. Assim sendo, parece que, se um homossexual estiver andando de madrugada na Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro e calhar de ele ser assassinado, engrossará as estatísticas de "assassinatos contra homossexuais".
Não bastasse a ausência de detalhes em tais pesquisas, todos os veículos de imprensa falham em mencionar que, no Brasil, no ano de 2007, ocorreram 47.707 assassinatos. Logo, se cerca de 200 são contra homossexuais, então o número de assassinatos contra homossexuais é 0,42% do total.
Homossexuais representam 0,42% da população? Certamente não. Não há pesquisas isentas sobre o número de homossexuais no Brasil, embora os grupos gays mais radicais dizem chegar a 9% da população. No entanto, na Europa, onde a aceitação ao homossexualismo é maior que no Brasil, a porcentagem de gays não chega a passar de 2%.
No Reino Unido, segundo pesquisa da ONS (Office for National Statistics), feita com quase 250.000 pessoas, chegou-se à conclusão que 1,3% dos homens são gays, 0,6% das mulheres são lésbicas e 0,5% são bissexuais. No total, 1,5% das pessoas são gays ou bissexuais.
Na Espanha, pesquisa da INE, baseada em 10.838 entrevistas praticadas no último semestre de 2003, assinalou que somente 1% da população mantém relações exclusivamente homossexuais. A população que reconhece ter tido em alguma ocasião este tipo de relação ao longo de sua vida é de 3%, 3,7% entre os homens e 2,7% entre as mulheres.
No Canadá, pesquisas feitas em 2003 com 121.000 adultos canadenses mostrou que somente 1,4% se consideravam homossexuais. 
O fato é que, de uma forma ou de outra, se o número de assassinatos contra gays é de cerca de 200, os gays estão subrepresentados quanto ao total de assassinatos, ou seja, os gays são menos propensos a sofrer violência e assassinatos que o resto da população, ao contrário do que a grande mídia propala. 
Alguém poderia dizer: e a agressão contra um homossexual ocorrida recentemente em São Paulo? Eu responderia: Sim, é um caso deplorável, mas se a pessoa agrediu o homossexual, o Código Penal já prevê punição para ela; o que não pode acontecer é o crime se tornar maior pelo fato de o agredido ser homossexual, pois isso configuraria uma discriminação contra todos os não-homossexuais
Quantas pessoas morrem por ano em filas de hospitais? Seriam menos de 200? E o número de mendigos mortos queimados, principalmente no Nordeste? Seriam menos de 200 por ano? Quantas pessoas inocentes morrem por dia na violência das grandes cidades? Seriam menos de 200 por ano? Quantos policiais morrem vítimas da violência? Quantas pessoas morrem por ano vítimas das drogas? Quantas pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito? Seriam menos de 200?
Logo, não faz sentido nenhum as polícias e o Poder Judiciário desviarem a atenção dos 99,58% de assassinados no Brasil (uma vez que a segurança pública brasileira é insuficiente para atender as pessoas que mais precisam dela) para dar tratamento especial a uma minoria de 0,42% que, aliás, está subrepresentada nas estatísticas de assassinatos.

Fontes:
 
1.
 Agência Câmara: Pesquisas mostram aumento da violência contra homossexuais
2.
 Estudo canadense (doutores Cameron) - em pdf 
3.
 Forum Libertas:  Menos de los que el homosexualismo político argumenta: un 2,5% de adolescentes dice ser gay
4.
 Forum Libertas: ¿Cuántos millones de homosexuales dice usted que hay en España? 
5. Daily Mail:  Only one in 100 Britons is gay despite long-held myth... but 71% of public say they are Christian
6.
 Blog Estadão: A morte nas grandes cidades
7.
 Forum Libertas: Sólo un 1,4% de los adultos son gays: a veces se hinchan cifras ignorando los mayores de 50 años

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sermões na Epístola de Tiago



DETECTANDO OS SINTOMAS DA IRA E OS MALES QUE ELA CAUSA.   


DESENVOLVIMENTO
Tg. 1. 19-21
Rev. Fábio Henrique do Nascimento Costa
Tiago 1:19-21   19 Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.  20 Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.  21 Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma.
INTRODUÇÃO
Existe no seio da igreja contemporânea um tipo de farisaísmo que denomino de “pecados sociais permitidos”. Mas, o que significa “pecados sociais permitidos”: São aqueles pecados que cometemos que se tornou tão comum que nem percebemos que os praticamos. Tipo, a inveja, a murmuração, a ira, e muitos outros da mesma estirpe, e, que podemos denominá-los também de subjetivos, isto é, subjetivos para aqueles que vivem um cristianismo de aparências.  
Mas, como detectá-los? Observando segundo a Palavra de Deus. Mais especificamente em Hebreus 4.12 Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.
ELUCIDAÇÃO
Ø   O texto em apreço dá início à segunda parte da epístola, a qual Tiago irá tratar sobre a vida prática dos crentes, e, ao mesmo tempo ensinar como discernir os pensamentos e propósitos do coração dos seus leitores.
Ø   E especificamente os versos do 19 ao 21 ele irá tratar a ira segundo a Palavra de Deus.
CONCEITO DE IRA
Ø   Nossa ira é uma resposta ativa. É uma ação, uma atividade. Ira é algo que fazemos não algo que temos. Não é uma coisa, um fluido ou uma força. A Bíblia retrata pessoas que praticam a ira, não que tem ira.
Ø    Nossa ira é uma resposta ativa, pessoal e integral. Envolve todo o nosso ser e põe em ação a nossa pessoa como um todo. Precisamos resistir a certas distinções compartimentalizadas que emergem da psicologia popular e não das Escrituras. Boa parte da literatura popular rotula a ira como uma simples "emoção”[1]. De outro lado, teóricos cognitivos enfatizam sistemas de crenças, e os behavioristas focalizam nas reações iradas.
Ø   A palavra de Deus, naturalmente, reconhece e confronta os muitos aspectos emocionais, cognitivos, volitivos e comportamentais da ira. Nas Escrituras a ira é caracterizada como ira ardente e explosiva até a rejeição gélida. Mas, a ira envolve crenças, motivações, percepções e desejos. Além disso, a Bíblia descreve a ira em termos comportamentais ricos e gráficos.
Ø   Entretanto, a Bíblia não disseca a ira em categorias analíticas bem arrumadas. A ira é mais que uma mera emoção, volição, cognição ou comportamento. A ira é complexa. Ela abrange a pessoa toda abarca todo o nosso pacote de crenças, sensações, ações e desejos.
TEMA
DETECTANDO OS SINTOMAS DA IRA E OS MALES CAUSADO POR ESSE MAL.  
DESENVOLVIMENTO
Ø   1º Detectando os sintomas da ira
O que Tiago tem como objetivo nos versos 19 e 20 é fazer com que o seus leitores possam enxergar o pecado da ira de forma conceitual, e em que ele acarreta.
Primeiro temos que considerar que a Bíblia considera três tipos de ira: A ira de Deus; A ira justa do homem; e a ira pecaminosa do homem
Ø   A ira de Deus: A ira divina é um assunto que surpreende muitos leitores da Bíblia, e o mais interessante é que a maioria das referências bíblica de ira está relacionado a Deus, mas, como entender a ira de Deus? E contra quem, ou que Deus se ira? Em termos simples Deus se ira contra pecadores e seu pecado. Ele sustenta uma ira justa contra toda a forma de impiedade. A ira de Deus é sua oposição determinada, perfeita e pura contra o mal. É sua santa aversão a tudo aquilo que viola Seu caráter e não satisfaz a sua vontade. Pois é natural ficar espantados diante de descrições como as seguintes:
“se eu afiar a minha espada reluzente, e a minha mão exercitar o juízo, tomarei vingança contra os meus adversários e retribuirei aos que me odeiam.Dt. 32.41
 “4 Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles.  5 Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá. Sl 2. 4,5”
“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. Jo 3.36”
“A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; Rm. 1.18”
Alem do mais a ira de Deus flui a partir de Sua justiça. Ela surge do juízo moral negativo de Deus contra o mal percebido e, diferente de nós, Ele sempre percebe o mal com absoluta exatidão.
O texto de Nm. 25.11, por exemplo Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois estava animado com o meu zelo entre eles; de sorte que, no meu zelo, não consumi os filhos de Israel.” Deus elogia Finéias como alguém que “desviou a ira de Deus” de Israel pelo seu ato ousado de matar com uma lança um casal que praticava abertamente a imoralidade sexual. A ira justa de Deus tinha pairado sobre Seu povo por causa do pecado deles. A ira de Deus reflete Sua percepção exata do mal, Seu santo ódio contra ele, e Sua determinação de erradicá-lo; ou, como aqui aceitar a expiação por ele. (Rm. 3. 21-26).
Ø   A ira justa do homem. Apesar de rara ela existe. Para entendermos bem a ira justa do homem temos que considerar três marcas distintivas de diferenciação, tendo como objetivo é encorajá-los a prática da ira justa, e desmascarar suas freqüentes falsificações.
1. A ira justa reage contra o pecado real. A ira justa resulta de uma percepção correta do mal verdadeiro, do pecado como biblicamente definido, isto é, como uma violação da Palavra de Deus “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei. I Jo 3.4”. a ira justa não resulta de ser meramente incomodado, ou de violações de preferência pessoal ou tradição humana. Ela responde ao pecado como objetivamente definido pela Palavra de Deus, incluindo violações dos mandamentos de Deus.

2. A ira justa tem seu foco em Deus e Seu reino, Seus direitos e preocupações, não no indivíduo em si, nem no seu reino, nos meus direitos e minhas preocupações. Nas Escrituras, motivações centradas em Deus, não egocêntricas, é que impulsionam a ira justa. Ela foca nas maneiras em que as pessoas ofendem a Deus e Seu nome, não a mim a ao meu nome. Seu fim é Deus, não eu. Em outras palavras, determinar com precisão que algo é ofensivo não é o bastante. Precisamos ver esse algo como ofensa a Deus. A ira justa pulsa em nosso coração como os interesses do reino
3. A ira justa é acompanhada por outras qualidades piedosas e se expressa de maneiras piedosas. A ira justa mantém o autocontrole. Mantém-se serene sem dizer palavrões, gritar enfurecer-se, ou perder o controle. Tampouco se consome na espiral da autocomiseração ou desespero. Não ignora pessoas não esnoba pessoas, nem se retrai com elas. Pelo contrário, a ira justa traz consigo as virtudes gêmeas da confiança  do autocontrole. A ira semelhante à de Cristo não é dominadora nem míope, sendo antes canalizada para fins sóbrios e sinceros. É uma tensão piedosa equilibrada por traços de pesar, consolo, alegria, louvor e ação.
Ao invés de impedir de cumprir o mandato de Deus, a ira justa nos conduz a expressões piedosas de adoração, ministério e obediência. Ela mostra preocupação e bem estar dos outros. Ela tem como marca de suas ações o altruísmo.
Para sabermos se estamos praticando a ira justa o Dr. David Powlison apresenta algumas perguntas para nos fazer para determinar se a nossa ira é justa ou não. 1) você fica irado pelas coisas certas? 2) Você expressa sua ira de maneira certa? 3) quanto tempo dura a sua ira? 4) Quão é controlada a sua ira? 5) O que motiva a sua ira? 6) Sua ira já está “engatilhada e pronta” para responder ao pecado habitual de outra pessoa? 7) Qual é o efeito da sua ira?
Ø   A ira pecaminosa do homem. Ao examinar as Escrituras podemos afirmar que praticamente quase toda ira humana é pecaminosa, passagens como: Tiago 1:13-15   13 Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.  14 Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.  15 Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 3:13   13 Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Estes textos revelam as sutilezas de nossos desejos malignos e enganosos. Uma avaliação honestas de nossas vidas demonstra quão raramente a ira humana é justa.
Estamos cegos quanto ao que realmente é pecaminoso, talvez ignorância ou impulsividade deformem nossa perspectiva. Nossos julgamentos são distorcidos, contestamos as motivações das outras pessoas mas, a nossa quase nunca. Nossas reações violam a Vontade de Deus em sua forma, seu grau, ou em seu tempo.
Ø   2º Os males causados pela ira.  
Ø   Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade. Que impureza e acumulo de maldade é que Tiago está se referindo aqui? Ele está se referindo aos males que a ira causa. De acordo com as Escrituras, quando um indivíduo continuamente se entrega a certo tipo de pecado, ele conseqüentemente se torna amarrado por esse pecado Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Rm. 6.16”. e com o passar do tempo o processo de escravidão, à medida que treina seu coração a tais práticas, que os efeitos afetam outras áreas da sua vida (trabalho, família, igreja e saúde. Deus classifica esse indivíduo pelo nome do pecado que ele permite que o domine. E com relação a ira Deus classifica a ira da seguinte forma: “Provérbios 22:24-25   24 Não te associes com o iracundo, nem andes com o homem colérico,  25 para que não aprendas as suas veredas e, assim, enlaces a tua alma Provérbios 29:22   22 O iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões.” Como afirma Salomão a ira multiplica as transgressões. No iracundo podemos identificar algumas práticas pecaminosas que são geradas da ira:
Ø   Explosões de ira/ acessos de raiva
Ø   Argumentação / discussões agressivas
Ø   Desrespeito
Ø   Briga/ violência
Ø   Animosidade
Ø   Crueldade
Ø   Discórdia/ antagonismo
Ø   Atos de vingança
Ø   Maldade
Ø   Amargura
Ø   Desencorajamento/ apatia, indiferença
Alguns teóricos sugerem que a ira flui de forças psicodinâmicas interiores, profundas e inconscientes. Ou seja, motivos sombrios espreitam dentro de nós e nos impelem violentamente.
Outros colocam a culpa de nossa ira sobre os maus tratos ocorridos na infância. Isso pode incluir crises traumáticas, como espancamentos ou abuso sexual. Ou a ira pode resultar ainda de uma criação cronicamente errada, como falta de cuidado por parte dos pais, ou até modelos paternos errados na expressão da ira.
A Bíblia é claro reconhece muitas dessas dificuldades e fala diretamente a elas com compaixão e discernimento claro. Há certamente um diabo que mente e engana, nosso homem exterior se deteriora; doenças e problemas hormonais nos atrapalham e tornam-se ocasiões para pecado. Em nosso mundo caído, pessoas – do passado e do presente – magoam-nos e abusam de nós.
No entanto, provações não são causas. As Escrituras resistem, ao mesmo tempo ao reducionismo e ao determinismo implícitos nessas teorias. Como portadores da imagem divina, não somos máquinas passivas, mas agentes morais ativos, que prestaremos contas a Deus. Não podemos permitir que meia dúzias de dificuldades mencionadas a pouco nos desumanize. Somos mais que simples reagentes. “Lixo que entra, lixo que sai” pode explicar o resultado da atividade de computadores feitos pelos homens, mas não a conduta de portadores da imagem de Deus, nós não somos robôs complexos, mas pessoas ativas e capazes de escolhas e agentes livres responsáveis perante o Deus vivo.
Portanto a causa da ira é o nosso coração: Marcos 7:20-23   20 E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina.  21 Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios,  22 a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.  23 Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem. Luke 6:43-45  43 Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto.  44 Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.  45 O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.

Ø   “Acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma”. Tiago exorta aos cristãos – judeus que eles devem recorrer a Palavra de Deus implantada neles, ou seja, façam uso da doutrina da suficiência das Escrituras.
Ø   Aplicação
Três razões pelas quais devemos tratar o nosso coração em relação a ira:
1. Evitar que você sofra, e promover o seu bem estar físico e espiritual
2. Evitar dano a seus relacionamentos interpessoais e promover o crescimento dos mesmos
3. Evitar desagradar a Deus e trazer-lhe glória e deleite.
Ø   Conclusão
Ø   Portanto, após ao exame segundo as Escrituras sobre a ira podemos afirmar que os “pecados sociais” permeiam a igreja camuflado por teorias seculares, que desagradamos a Deus.



[1] Chamar ira de “emoção” pode colocar erroneamente o foco no afeto e em sensações, em contraste com funções cognitivas e volitivas. Como os dicionários populares afirmam  e os linguajares populares confirmam, falamos que emoção como afeto e sensação: “Eles reagiram com muita emoção”. 

Sermões na Epístola de Tiago


Tg. 1. 16-18
Rev. Fábio Henrique do Nascimento Costa
16 Não vos enganeis, meus amados irmãos. 17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.  18 Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.
INTRODUÇÃO
Percebe-se entre os servos de Deus, que muitos vivem inquietos, perturbados, irados de forma constantes. E o que mais ouvimos deles é que os outros que estão ao seu redor são os culpados, e muitas vezes até que possam ter as suas contribuições, no entanto o grande problema é que essas pessoas não se esmeram em conhecer a Deus. E da mesma forma que Adão e Eva pôs a culpa nos outros essas pessoas usam do mesmo expediente. Não estão abertas ao diálogo, não ouvem, seus problemas são maiores do que os problemas das outras pessoas, consideram-se “justos”, as falhas dos outros são imperdoáveis. Mas o que a Bíblia fala a respeito das nossas ações pecaminosas? E como devemos agir? 
ELUCIDAÇÃO
Esse texto é usado por Tiago como transição do assunto das provações, e dando margem para o que ele irá falar do v. 19 do Cap. 1 ao Cap. 2.26 que é o verdadeiro cristianismo contemplado em suas obras.
No texto Tiago irá fazer uso do atributo da Imutabilidade do Ser de Deus.
TEMA: A CERTEZA DA FIDELIDADE DE DEUS  
DESENVOLVIMENTO
Ø “Não vos enganeis, meus amados irmãos”, ou seja, não seja iludido ou seduzido por falsas promessas. Como se dissesse abram os olhos para enxergarem de forma nítida quem é Deus.
Ø “Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”. Deus é perfeitamente completo em Si mesmo. Conseqüentemente, ele não é passível de mudança. Seu ser é imutável porque ele não tem progresso nem retrocesso algum. Deus não pode ser aumentado nem diminuído em suas capacidades essenciais. Tiago também fala no verso da criação “Pai das luzes”. Na sua criação, tudo muda e possui a tendência de se deteriorar. Isto é explicado pela segunda lei da termodinâmica, que diz que tudo se deteriora. Não há nada que, por si só, permaneça para sempre. Contudo, o Criador não é como a criação. Deus permanece para sempre imutável, havendo sempre uma Constância em Deus, enquanto a última é mudada pelo envelhecimento. Deus permanece o mesmo sendo inalterado em seu Ser. Isto o distingue dos todos os seres criados!
E, é esse atributo de Deus que Tiago se apega para argumentar aos seus leitores. Ele é sempre o mesmo, o que dá base para crermos na sua fidelidade às suas promessas e aos seus decretos. Tudo vem dele, “o Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.
Por causa desse atributo, Deus está livre de qualquer aumento, diminuição, crescimento ou decadência. É impossível para Deus mudar para melhor ou para pior, porque Ele é auto-suficiente em tudo. Suas prescrições e decretos não variam nunca. Por essa razão podemos confiar nele inteiramente.
2º Deus é imutável em todos os seus decretos.
Ø “Pois, segundo o seu querer”,Quando Deus promete algo ao homem, ele não altera nunca as suas promessas. Deus não muda de opinião nem suas promessas. Alguém pode ter a absoluta certeza de que Deus vai agir segundo as suas promessas porque isso é a expressão natural da Sua natureza imutável. Porque Ele é imutável em Seu Ser, é o que é nas Suas promessas[1].
Ø É tolice pensar na imutabilidade de Deus e, todavia, duvidar das suas promessas. A fidelidade de Deus está baseada na Sua imutabilidade. Porque Deus é imutável, Ele é fiel. O cumprimento das suas promessas está vinculado ao poder para cumpri-las. O homem, via de regra, não cumpre suas promessas porque lhe falta um atributo chamado onipotência, mas esse atributo não pode ser negado em Deus.
Ø    “Ele nos gerou pela palavra da verdade”,  como um proeminente exemplo das boas dádivas divinas, Tiago menciona o fato de que Deus nos gerou pela palavra da verdade. Isto ele fez a partir de sua “determinação espontânea e gratuita”. Mas que nascimento é esse? O nascimento da humanidade? O nascimento de Israel, seu povo? Ou o nascimento de cristãos, por meio da palavra do evangelho? Claro que é o último, ele faz aqui o contraste com o verso quinze “Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.
Ø    “para que fôssemos como que primícias das suas criaturas”. As primícias é um vocábulo usado no Velho Testamento para se referir aos primeiros frutos do vinho e do azeite e do trigo, e um cesto desses primeiros frutos era levado ao Senhor para se banquetear com a sua família, com o levita e com o estrangeiro (Dt. 26. 2,10,11). E de forma figurada o apóstolo Tiago diz que somos as primícias da lavoura de Deus, ou seja, o melhor dos frutos da seara de Deus.
APLICAÇÃO
Ø Se esforcem em conhecer o ser de Deus, os seus atributos.
Ø Façam uso desse conhecimento de forma santa.
Ø Pois os seus filhos tem que reluzir a luz que Deus é em sua santidade.
CONCLUSÃO
Por causa desse atributo, Deus está livre de qualquer aumento, diminuição, crescimento ou decadência. É impossível para Deus mudar para melhor ou para pior, porque Ele é auto-suficiente em tudo. Suas prescrições e decretos não variam nunca. Por essa razão podemos confiar nele inteiramente.


[1] 2 Tm 2.13