A OBRA DE CRISTO
Rev. Fábio Henrique do Nascimento Costa
Expiação é a outra parte da doutrina da propiciação. Se propiciação significa que Deus está satisfeito com a morte de Cristo, a expiação significa que a nossa obrigação de sofrer a penalidade do pecado foi removida por causa da Sua morte.
5. EXPIAÇÃO.
Expiação se refere à eliminação da necessidade ou a responsabilidade dos seres humanos tinham de pagar pela pena dos seus pecados. Nós não temos mais que pagar pelo castigo eterno, mas se tivesse que pagar. Você compreende o que isso significa? O pagamento da dívida do pecado exigiria nosso castigo eterno. E nunca iríamos terminar de pagar a dívida do pecado.
A notícia gloriosa de expiação é que a necessidade que tínhamos de pagar pelo nosso pecado foi removida, por causa da morte de Cristo em nosso lugar, pagando por nossos pecados. Pela fé em Cristo, nós entramos em outra realidade, isto é, alguém pagou a nossa dívida. Em 2 Coríntios 5:19 está implícito a doutrina da expiação. Entendendo o texto corretamente, esta doutrina é claramente exposta quando lemos, "a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. " Agora, não estamos mais na condição de devedores, e por isso que não temos que pagar mais nada. Eles estão em uma condição de livres, ou seja com uma carta de “alforria”. Por quê? Porque o versículo 21, "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus." Então, nosso pecado é expiado, porque Deus e a sua justiça e santidade propiciou, através da morte de Cristo. Ele pagou a divida eterna que tínhamos para com o Pai.
Uma outra questão que quero abordar com vocês é com relação ao valor. Por que é que Deus tinha que para oferecer o seu Filho para ser o sacrifício que propiciaria e satisfaria a Sua Justiça, isto é, para remover de nós a responsabilidade de sofrer a penalidade do pecado? Deus não poderia ter criado simplesmente um ser humano sem pecado, um segundo Adão, isto é, um homem que fosse apenas humano, mas não o “Deus-homem”. Será que ele teria mesmo que dar o seu Filho? Por que Deus enviou seu próprio Filho? Por que ele não apenas criou um outro ser humano que viveria uma vida sem pecado e pudesse oferecer como um substituto pelos nossos pecados? A resposta para isso é quanto tampo um ser humano levaria, para quitar a dívida pelos nossos pecados? A resposta é: PARA SEMPRE. Ou seja, nunca haveria um fim para quitar esse pagamento. É por isso que o inferno é eterno. O inferno não é um purgatório (apesar de não existir purgatório, o tomei apenas como ilustração), onde os seus pecados são eliminados, e então você pode ir para o céu. Não, o inferno é eterno, porque nunca o pagamento pelo pecado irá ter fim. Assim, se um outro ser humano, mesmo sem pecado tomasse o meu pecado e tentasse pagá-lo, não iria conseguir; a Justiça de Deus nunca seria satisfeita. Por isso, não haveria propiciação, e nunca seriamos expiado. A dívida pelo pagamento do pecado nunca seria totalmente paga. Então, um ser humano mesmo sem pecado não poderia ser o nosso salvador.
A única maneira que podemos ser salvos, é que aquele que paga pelo nosso pecado oferece um sacrifício de valor suficiente para pagar uma pena infinita com um sacrifício infinito. Assim, o único sacrifício que pode expiar os nossos pecados é Jesus o Cristo o “Deus-homem”, que é divino, oferecendo valor infinito no pagamento, e humano, substituindo-nos no lugar do pagamento. Hb. 7. 20-28; 9. 23-28
6. RECONCILIAÇÃO.
Esta parte envolve três realizações. Mas antes é necessário explicar o significado da reconciliação. A reconciliação é a mudança de relação entre Deus e os seres humanos, segundo o qual a alienação e inimizade são substituídas por paz e aceitação. Assim, os três aspectos que você pode ver são isso.
a. Três aspectos da reconciliação.
Primeiro, existe uma relação permanente de alienação. Claramente, este é o caso entre Deus e nós. Por causa do nosso pecado estamos diante de Deus como inimigos. Temos os nossos punhos cerrados em direção ao céu. Temos sucumbido ao desejo de “independência”, sob a doutrina do pecado, e por isso estamos vivendo em rebelião contra o Criador. Deus, por sua vez, está por juiz contra nós. Sua ira é liberada e será dispensada se não houver expiação dos pecados.
A segunda realização é Deus quem fornece a base pela qual essa alienação entre Ele e o homem pode ser removida. Ao enviar seu Filho, ele oferece o perdão dos pecados que remove a base dessa alienação. Por isso temos que entender antes de qualquer coisa que Deus é a parte inocente nesta relação.
E a terceira realização é que a reconciliação não envolve apenas uma trégua entre as partes em guerra. Não é apenas, "Ok eu vou parar de lutar contra você, se você parar de lutar contra mim", e deixá-lo lá. Não. Isto não é uma trégua, antes é a junção de duas partes anteriormente afastadas. Já agora em um relacionamento renovado de paz e aceitação a união é refeita. Isto é o que envolve a reconciliação.
Sendo que isso acontece quando, pela fé em Cristo, nós recebemos os benefícios da morte expiatória de Cristo é que somos reconciliados. E nenhum desses aspectos é apenas porque Cristo morreu. Eles vêm por causa de sua morte sim, mas também pela fé em Cristo quando O recebemos como Senhor e Salvador, aí então os benefícios da sua morte na cruz, nos é aplicado.
b. Algumas passagens bíblicas.
As passagens-chave para a reconciliação são os seguintes: Romanos 5:10-11: ”Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; 11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.. " Claramente, pela fé em Cristo, recebemos a justificação, e também restauração em nosso relacionamento com ele, em quem agora nós temos uma relação de perfeita paz e de aceitação com Deus através de Cristo.
Efésios 2:16, onde lemos que a circuncisão e a incircuncisão estão juntos em um novo homem, reconciliado” reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade." Neste caso, a inimizade é a inimizade entre judeus e gentios. É muito interessante, nessa passagem, que a nossa reconciliação vertical com Deus, onde a inimizade com Deus é quebrada, é retratado ou espelhado ou manifesto na reconciliação horizontal entre as partes em conflito humano, neste caso, judeu e gentio. Ele demonstra como a reconciliação com Deus do evangelho é para se manifestar em uma forma humana, como somos reconciliados com nossos irmãos e irmãs em Cristo. A despeito das diferenças étnicas, nacionais ou de gênero entre nós, somos um em Cristo, como lemos em Gálatas 3:28 por exemplo, “Deste modo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.