quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA NOVA CRIAÇÃO


Por John Owen
O grande privilégio profetizado quanto à era do evangelho, que faria a igreja do Novo Testamento mais gloriosa do que a do Antigo Testamento, foi o maravilhoso derramar da promessa do Espírito Santo sobre todos os crentes. É o vinho melhor que foi deixado por último (Is 35.7; 44.3; Jl 2.28; Ez 11.19; 36.27).
O ministério do evangelho pelo qual somos novamente nascidos é chamado de ministério do Espírito (2Co 3.8). No Novo Testamento a promessa do Espírito Santo é para todos os crentes e não para apenas alguns poucos especiais (Rm 8.9; Jo 14.16; Mt 28.20). Somos ensinados a orar para que Deus nos dê o seu Espírito Santo, para que com o seu auxílio possamos viver para Deus na santa obediência que ele requer (Lc 11.9-13; Mt 7.11; Ef 1.17; 3.16; Cl 2.2; Rm 8.26). O Espírito Santo foi prometido solenemente por Jesus Cristo quando estava para deixar o mundo (Jo 14.15-17; Hb 9.15-17; 2Co 1.22; Jo 14.27; 16.13). Portanto, o Espírito Santo é prometido e dado como a única causa de todo o bem que podemos partilhar nesse mundo. 
Não há bem que recebamos de Deus senão o que nos é trazido e em nós operado pelo Espírito Santo. Nem há em nós bem nenhum para com Deus, nenhuma fé, amor, obediência à sua vontade, exceto o que somos capacitados a fazer pelo Espírito Santo. Pois em nós, isto é, na nossa carne, não há bem nenhum, como nos diz Paulo.
A nova criação
A grande obra que Deus planejou foi a restauração de todas as coisas por meio de Jesus Cristo (Hb 1.1-3). Deus intentou revelar a sua glória, e o principal meio para fazê-lo seria através da mais perfeita revelação de si mesmo e das suas obras que o mundo jamais vira. Esta perfeita revelação nos foi dada pelo seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, quando tomou sobre si a nossa natureza para que Deus pudesse graciosamente reconciliar-nos com ele mesmo.
Jesus Cristo é “a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15), é o “resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3). Na face de Jesus Cristo resplandece a glória de Deus (2Co 4.6). Ao planejar, constituir e colocar em prática a sua grande obra, Deus, portanto, fez a mais gloriosa revelação de si mesmo tanto aos anjos quanto aos homens (Ef 3.8-10; 1Pe 1.10-12). Ele fez isso para que pudéssemos conhecer, amar, confiar, honrar e obedecer-lhe em todas as coisas como Deus, em conformidade com a sua vontade. 
De um modo particular, nessa nova criação, Deus tem se revelado especialmente como três Pessoas em um único Deus. O supremo propósito e planejamento de tudo é atribuído ao Pai. Sua vontade, sabedoria, amor, graça, autoridade, propósito e desígnio são revelados constantemente como o fundamento de toda a obra (Is 42.1-4; Sl 40.6-8; Jo 3.16; Is 53.10-12; Ef 1.4-12). Muitos foram também os atos do Pai para com o Filho, quando o enviou, deu e designou para a sua obra. O Pai lhe preparou um corpo, e o confortou e amparou na sua obra. Ele também o recompensou ao lhe dar um povo para ser o seu próprio povo.

O Filho a si mesmo se humilhou e concordou em fazer tudo o que o Pai havia planejado que fizesse (Fp 2.5-8). Por essa causa o Filho deve ser honrado da mesma maneira que honramos ao Pai.
A obra do Espírito Santo é fazer concluir aquilo que o Pai planejou realizar através de seu Filho. Por causa disso, Deus se nos deu a conhecer, e somos ensinados a confiar nele.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


O que deve ser o natal para o crente?
I. A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda a força; mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras.
Rm. 1:20; Sal. 119:68, e 31:33; At. 14:17; Deut. 12:32; Mat. I5:9, e 4:9, 10; João 4:3, 24; Ex. 20:4-6.
Quando Jacó saiu para purificar o campo (i.e., sua casa e seus serviçais) os brincos foram retirados bem como seus deuses estrangeiros (Gn 35.4), porque os brincos deles estavam associados com seus falsos deuses. Eles eram sinais de superstição. Quando Elias foi oferecer seu sacrifício, em uma disputa com os profetas de Baal, ele não usou o altar pagão, algo criado para os ídolos (p.ex., as saturnais), e tentou santificá-lo para o serviço de Deus (p.ex., Natal); em vez disso, ele reconstruiu o altar do Senhor. Os cristãos não deveriam tomar emprestados o festival pagão de Yule ou as saturnais e vesti-los com roupagem cristã; deveriam, em vez disso, santificar o dia do Senhor como fizeram os apóstolos. Quando Jeú se levantou contra os adoradores de Baal e seu templo, ele porventura poupou o templo e o separou para Deus? Não! Ele matou os adoradores de Baal: “Também quebraram a estátua de Baal; e derrubaram a casa de Baal, e fizeram dela latrinas, até ao dia de hoje” (2 Rs 10.27).
Além disso, temos o exemplo do bom Josias (2 Rs 23), porque ele não apenas destruiu as casas e os altos de Baal, mas também seus utensílios, bosque e altares; sim, os cavalos e os carros dados ao sol. Também o exemplo do penitente Manassés, que não apenas destruiu os deuses estrangeiros, mas também seus altares (2Cr 23.15). E de Moisés, o homem de Deus, que não se contentou apenas em executar vingança contra os israelitas idólatras, a menos que ele pudesse também destruir totalmente o monumento de sua idolatria.
Deus não deseja que sua Igreja use festividades e cerimônias pagãs e papistas, além de sua parafernália, e as separe para o uso cristão. Ele nos ordena de forma direta a extinguilas totalmente da face da terra, para sempre. Talvez você não se ofenda com a fogueira, a árvore de Natal, o visco, as frutinhas vermelhas e a escolha de uma data pagã para celebrar o nascimento de Cristo, mas Deus se ofende. Ele ordena que evitemos qualquer contato com os monumentos e com a parafernália do paganismo.
Caso sua mulher tivesse levado uma vida promíscua antes de você se casar com ela, você se ofenderia se ela mantivesse fotos de seus ex-namorados em sua penteadeira? Você se incomodaria se ela celebrasse os diversos aniversários relativos aos relacionamentos do passado? Você se ofenderia se ela guardasse e demonstrasse apreço por anéis, jóias e presentinhos dados a ela por seus antigos namorados? Logicamente você se ofenderia! O Senhor Deus é infinitamente mais zeloso de sua honra que você: ele é o Deus zeloso. Israel poderia usar os dias festivos de Baal, Astarote, Dagom e Moloque para agradar a Deus? De forma nenhuma! A Bíblia deixa muito claro quais reis de Judá agradaram mais a Deus. Ele é servido quando ídolos, seus templos, suas vestes religiosas, brincos, casas consagradas, árvores sagradas, postes, ornamentos, ritos, nomes e dias são eliminados da face da terra, para nunca mais serem restaurados. Deus deseja que sua noiva elimine para sempre os monumentos, dias, a parafernália e as recordações da idolatria: “Não aprendais o caminho dos gentios, nem vos espanteis dos sinais dos céus; porque com eles se atemorizam as nações. Porque os costumes dos povos são vaidade” (Jr 10.2,3). “Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que o aborrece, fizeram eles a seus deuses” (Dt 12.31).
Os cristãos não devem se desvencilhar apenas dos monumentos idolátricos do passado, mas também de todas as coisas associadas à idolatria presente. O Natal é o dia santo mais importante do catolicismo romano. O nome Natal* provém do romanismo: Christmass — a “missa de Cristo”. O nome christmas [Natal] une o título de nosso glorioso Deus e Salvador com a idolátrica e blasfema missa do papado. Dessa forma, o Natal [christmas] é uma mistura de idolatria pagã e invenções papistas.
A Igreja Católica Romana odeia o Evangelho de Jesus Cristo. Ela se vale de artifícios humanos, como o Natal, para manter milhões de pessoas em trevas. O fato de muitos milhares de protestantes que dizem crer na Bíblia observarem o dia santo católico romano —sem qualquer mandamento explícito da Palavra de Deus— revela o triste estado do evangelicalismo moderno. “Não podemos nos conformar, comungar e nos identificar com os papistas idólatras, ao usar os mesmos [símbolos], sem nos tornarmos a nós mesmos idólatras mediante nossa participação.” Nossa atitude deve ser a do reformador protestante Martin Bucer, que disse:
Desejo do fundo do meu coração que todos os dias santos, com exceção do dia do Senhor, sejam abolidos. O zelo com o qual foram inventados, sem qualquer garantia da Palavra, e seguidos pela razão corrompida, certamente para eliminar os dias santos dos pagãos… Esses dias santos foram tão conspurcados pelas superstições que me espanto pelo fato de não estremecermos por ouvir-lhes o nome.
A objeção comum contrária ao argumento da abolição desses monumentos pagãos é que esses fatos ocorreram há tanto tempo que se tornaram inofensíveis para nós. Todavia, essa alegação é totalmente falsa. Não existe apenas a idolatria do catolicismo romano, há também o ressurgimento das antigas religiões pagãs tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. O movimento feminista radical revive no presente as deusas da fertilidade e do Oriente Próximo. A Lei-Palavra de Deus nos diz para tomarmos cuidado com os monumentos idolátricos. A lei de Deus não perde sua força com o passar do tempo.
O Natal desonra o dia de Cristo
O dia que Deus separou para sua Igreja celebrar em comunidade a pessoa e obra de Cristo é o “dia” denominado “do Senhor”, o primeiro dia da semana, o sábado cristão. O primeiro dia da semana é o dia em que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos. É o dia da vitória de Cristo sobre o pecado, Satanás e a morte. A humilhação de Jesus e sua morte sacrificial foram completadas. Ele ressuscitou e será exaltado nos céus para sempre como Senhor do céu e da terra. “… Ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” (2Co 5.16). “O dia do Senhor nos foi dado em memória de toda a obra da redenção”. A idéia de honrar a vida de alguém de modo gradual (este acontecimento, aquele acontecimento) não procede da Bíblia, mas da adoração pagã ao imperador. De fato, as únicas celebrações de aniversário registradas em toda a Bíblia são as do faraó (Gn 40.20) e do rei Herodes (Mt 14.6; Mc 6.21). As duas festas de aniversário terminaram com assassinatos: a de Herodes com morte de João Batista.
Deus foi muito generoso para com seu povo, concedendo-lhe 52 dias santos por ano. Quando os homens adicionam outros dias (p.ex., Natal, Páscoa etc.), eles tiram algo, maculam ou até deixam de lado o dia do Senhor. As pessoas preferem e dão mais atenção ao Natal que ao dia do Senhor. Muitos cristãos passam quase todo o mês de dezembro se preparando para o Natal, decorando suas casas, escritórios e igrejas, comprando presentes, assando tortas e bolos, ensaiando e memorizando cantigas, peças teatrais, recitais de música etc. Muitas pessoas que raramente entram em uma igreja vão ao culto de Natal. As pessoas normalmente nem piscam por violar o dia do descanso, fornicar, adulterar e se embriagar; mas consideram fanáticos alucinados os cristãos que não celebram o Natal.
O que Jesus deseja de nós não é a observância de algo que ele não mandou, mas sim do que ele ordenou: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.19,20). Isto é o que os apóstolos fizeram. Eles ensinaram todo o conselho de Deus (At 20.27), o que não incluía o Natal, a sexta-feira santa ou a Páscoa, porque essas não eram parte das coisas ordenadas por Cristo. Portanto, aquele que entende “o verdadeiro significado do Natal” (ou da sexta-feira santa ou da Páscoa) é precisamente quem percebe que essas datas são invenções humanas. E para honrar a Cristo como único Rei e cabeça da Igreja, essa pessoa não observará essas adições feitas por seres humanos ao que nosso Senhor ordenou. Tal pessoa deverá evitar esse costume bastante popular. O mais importante é que ela estará ao lado de Cristo e dos apóstolos.
O único dia autorizado por Deus como dia santo é o dia do Senhor. Se a Igreja deseja agradar a Jesus Cristo e honrá-lo, deverá fazê-lo guardando seu dia e sendo exemplo para o mundo não-cristão. Quando os cristãos tornam o Natal mais especial que o dia do Senhor, desobedecem aos ensinos de Cristo e desonram seu dia.
O Natal é uma mentira
O cristianismo é a religião da verdade. Deus não pode mentir. Toda a verdade e todo o conhecimento procedem de Deus. Jesus Cristo é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). O Espírito Santo é chamado “o Espírito da verdade” (Jo 16.13). O Evangelho é chamado “a palavra da verdade” (Ef 1.13). Deus ordena: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20.16). Paulo nos diz para “segui[r] a verdade em amor” (Ef 4.15), deixar a mentira e falar a verdade com o próximo para não entristecermos o Espírito Santo (Ef 4.25,30). Jesus Cristo nos diz que “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Os cristãos devem ser sal e luz do mundo (Mt 5.13,16); devem testemunhar ao mundo falando e vivendo a verdade. A celebração do Natal é compatível com nossa responsabilidade de falar e viver a verdade perante o mundo? Não, porque o Natal é uma mentira.
A data usada para celebrar o nascimento do Cristo, 25 de dezembro, é uma mentira. Segundo a Bíblia, Jesus não nasceu nesse dia: “Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho” (Lc 2.8). É de conhecimento público que os pastores na Palestina voltavam dos campos antes do inverno. A estação chuvosa na Judéia começa no fim de outubro ou no início de novembro. Os pastores já teriam voltado com seus rebanhos para as aldeias antes do início da estação de chuvas. Portanto, Jesus nasceu antes da primeira semana de novembro.
É evidente que Cristo não nasceu no meio da estação do inverno. Mas, as Escrituras nos dizem em que estação do ano ele nasceu? Sim, as Escrituras indicam que ele nasceu no outono. O ministério público de nosso Senhor durou três anos e meio (Dn 9.27). Seu ministério teve fim no tempo da Páscoa (Jo 18.39), que ocorre durante a primavera. Portanto, três anos e meio antes marcariam o início do ministério no outono daquele ano. Quando Jesus começou seu ministério, ele contava 30 anos de idade (Lv 3.23). Esta era a idade para o sacerdote começar a exercer seu ministério sob o Antigo Testamento (Nm 4.3).
Se os cristãos estão desejosos de celebrar uma mentira e lotar o falso dia do aniversário de Cristo com mitologia papista e pagã (p.ex., papai-noel, árvore de Natal, visco, fogueira, sempre-verde etc.), por que, então, o mundo deveria acreditar na Igreja quando ela realmente diz a verdade? Se você mente a respeito do nascimento de Cristo e faz vistas grossas em relação à mitologia pagã, quando você disser a seu vizinho sobre a ressurreição de Jesus, por que ele deveria acreditar em você? Ao celebrar o Natal, você põe uma pedra de tropeço diante de seu vizinho incrédulo. Ele poderia raciocinar com toda a razão: visto que você fala e vive uma mentira acerca do nascimento de Cristo, você não é confiável para falar sobre a ressurreição dele. Alguns intelectuais já me disseram, depois de ter argumentado com eles a respeito da morte e ressurreição de Cristo, que essas doutrinas eram mitos propagados por pessoas simples da mesma forma que o papai-noel e o coelhinho da Páscoa (é claro que a mentira sobre o Natal dura há tanto tempo que a maior parte das pessoas a aceita como verdade). A Igreja deve parar de macular a Palavra de Deus inspirada e infalível ao posicionar fantasias humanas ao lado da revelação divina. O Natal contradiz a narrativa bíblica do nascimento de Jesus.
O mundo ama o Natal
“… Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4).
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há” (1Jo 2.15).
Quem é o verdadeiro guia? Não deve a Igreja do Senhor Jesus Cristo servir de exemplo para o mundo? Não é ela o sal e a luz das nações? É correto que ela siga o modelo pagão? O Natal não se origina na Bíblia nem na igreja apostólica; é totalmente pagão. O dia, a árvore, a troca de presentes, o visco, as frutas vermelhas sagradas — tudo isso tem origem nas festividades pagãs idolátricas do solstício de inverno. A Igreja de Roma comprometida e apostatada tomou as práticas pagãs e tentou cristianizá-las. Todos os transgressores da lei, as pessoas que odeiam a Cristo, os adoradores de ídolos e incrédulos pagãos amam o Natal. Por quê? Porque o Natal não é bíblico, não procede de Deus, é uma mentira. Satanás, seu mestre, é o pai da mentira. Ateus, homossexuais, feministas, políticos ímpios, assassinos, molestadores de crianças e idólatras —todos— amam o Natal. Se essa fosse uma data bíblica, e sua observância uma ordenança, o mundo o amaria? Com toda certeza: não! O mundo odiaria o Natal. “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura” (1Co 2.14). Por acaso o mundo ama o dia do Senhor, o sábado cristão? Claro que não. O mundo o odeia. O mundo ama e obedece ao Rei dos reis e Senhor dos senhores ressurreto? Não! O mundo odeia Jesus. O mundo é capaz de amar um bebezinho de plástico ou de barro em uma manjedoura. Um bebezinho de plástico não é muito ameaçador. Entretanto, Jesus não é mais um bebezinho. Ele é o rei glorificado que se assenta à destra do Pai. “… Ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” (2 Co 5.16).
A Bíblia ensina que “a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (1 Co 3.19). “Assim diz o SENHOR: Não aprendais o caminho dos gentios… Porque os costumes dos povos são vaidade” (Jr 10.2,3). O apóstolo Paulo tinha em mente uma aplicação bem mais ampla que apenas ao casamento quando disse, “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? [...] Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei” (2Co 6.14-17). Quando a Igreja possui algo em comum relacionado à adoração e à religião com o mundo pagão incrédulo, ela, nessa área, jaz sob o mesmo jugo que os incrédulos. A Igreja não deve celebrar um feriado pagão com o mundo pagão. Quanta hipocrisia e impiedade!
Não seja enganado
Paulo nos adverte que “Satanás se transfigura em anjo de luz” (2Co 11.14). Essa é a razão pela qual os festivais pagãos em todo o mundo são dias de diversão, dias de comidas especiais, festas, desfiles, reuniões familiares e de troca de presentes. O objetivo de Satanás não é simplesmente escravizar indivíduos, mas também controlar instituições, culturas e nações. O calendário pagão de “dias santos”, nos quais os festivais pagãos são celebrados no tempo exato a cada ano, é um recurso inspirado por Satanás para envolver culturas inteiras na rebelião contra a aliança divina. Ele deseja que pessoas e países sejam escravizados por rituais pagãos e pelas trevas. Uma cultura está saturada de satanismo quando festivais, ritos e cerimônias pagãs se tornam tão naturais que não são mais questionados em determinada sociedade.
Como puderam os cristãos ser enganados a ponto de celebrar um dia festivo pagão? O dia foi transformado de um período de trevas em um dia de luz. Como isso aconteceu? É muito simples: a primeira coisa a ser feita é mentir. Ensine que esse dia é o aniversário de Cristo. O fato de Jesus não ter nascido nesse dia não importa. Pouquíssimas pessoas averiguarão os fatos. E quem o fizer será considerado fanático, pessoas indesejadas como Scrooges* modernos. A seguir, transforme a data em um dia de reunião familiar, com presença obrigatória de todos. Que coisa maravilhosa: um dia para a família toda jantar junta e apreciar seus valores. Faça-o também um dia de presentes e de caridade, um dia de se preocupar com o próximo e de partilhar. Quem se oporia a isso? A seguir, dedique-o a todas as crianças do mundo, um dia repleto de lembranças agradáveis. É um dia de sentimentalismo intenso. Não corre uma pequena lágrima de seu olho quando você pensa em pais e irmãos reunidos perto da árvore? Certifique-se de que todas as cidades (independentemente do tamanho) estejam decoradas a caráter. Mantenha a indústria do entretenimento a todo o vapor com artigos especiais, filmes, espetáculos e recitais. Exerça pressão em sua comunidade, local de trabalho, igreja e família sobre quem não celebra o dia para que seja considerado perversor da verdade ou desconectado da realidade.
Essa estratégia tem sido efetiva? Sim, e muito. Houve um tempo quando presbiterianos e congregacionais disciplinavam irmãos pela celebração do Natal. Para os protestantes da ala calvinista da Reforma, a celebração desse dia foi impensável durante quase 300 anos. Agora se você for presbiteriano e não celebrar o Natal, irmãos da mesma denominação pensarão que você é fanático. Os protestantes têm sido enganados, iludidos, ludibriados e tapeados por terem esquecido o Princípio Regulador do Culto a Deus: “Toda a Palavra de Deus é pura: escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso” (Pv 30.5,6). Haveria apenas uma razão aceitável para o cristão celebrar o Natal, e ela seriam uma ordem direta da Palavra de Deus para assim proceder. Visto que não há uma instrução implícita ou explícita para agir dessa forma, sua celebração é proibida.
 Este artigo não é meu, fiz um recorte de um artigo de alguém e não lembro de quem é, portanto, não estou colocando a referência por não lembrar quem é o proprietário. 

Como posso ter certeza de que estou pastoreando individualmente os meus filhos?
A maioria dos pastores seria afirmar a nossa prioridade é o primeiro a pastor a nossa família, em seguida, para pastorear a igreja. No entanto, temo que muitos pastores estão trabalhando duro para apascentardes a igreja para a negligência de sua família. O Senhor, em Sua providência tipo, desafiou-me há alguns anos sobre isso como minha negligência nesta área tornou-se conhecido. No entanto, não foi outro pastor que me desafiou. Foi através de um amigo de fora da cidade, que é um farmacêutico e serve fielmente como diácono na sua igreja local que expôs minha negligência. Seu esforço e modelo para pastorear seus sete filhos individualmente e regularmente, além de sua família regularmente a adoração desafiou-me, me condenou, me inspirou, e colocar meus esforços patéticos que eu tinha feito até agora de vergonha. 
Este pai fiel guiou seus sete filhos, tendo uma manhã por semana para atender individualmente com cada um de seus filhos. Sete dias na semana, cada um dos sete filhos tem uma manhã por semana com o pai. Eles oraram, ler as escrituras, falava, e ler um livro de escolher que criança. Inspirado por seu exemplo surpreendente, cheguei em casa e estabeleceu um modelo semelhante em nossa casa que eu permanecer fiel a este dia. Aqui está o que eu faço para, individualmente, pastor meus quatro filhos regularmente, além de nosso tempo regular do culto familiar, bem como as implicações ligadas a ele:
1) de segunda a quinta-feira de cada criança recebe um dia e sobre o seu dia marcado permanece até 30 - 45 minutos mais tarde do que seus irmãos para se encontrar comigo antes de dormir. Pensei que iria ser animado sobre isso por algumas vezes, mas depois cansam com ele. Não é assim. Anos mais tarde, eles olham para a frente para que o tempo mais do que tudo, que fornece uma responsabilidade natural quando você está cansado do dia e são tentados a pular para essa noite.
2) Nós lemos a passagem que eu estou pregando para essa semana, discuti-lo um pouco, então vamos ler um capítulo de um livro que eles escolheram para ler. No final, eu ter tempo para perguntar-lhes como eles estão fazendo e como eu posso rezar por eles. Esta é uma ótima maneira de ver como eles realmente estão fazendo e ensinar-lhes o que são coisas boas para estar orando por outros. Então, eu rogo por eles e levá-los para a cama. 
3) Uma das maiores alegrias para a minha esposa é ela vendo meu esforço, com nossos filhos e levar nossa família desta forma. A última coisa que ela sente é deixado de fora (apenas no caso você estava pensando isso). O desejo de nosso esposas para que façamos regulares, deliberados, esforços significativos espiritualmente para cuidar de nossos filhos vai significar mais para ela do que eu acho que nos damos conta ou compreender. Acho isso especialmente verdadeiro para as nossas esposas que estão ficar em casa moms que trabalho arduamente nesta tarefa de pastorear seus corações pequenos durante todo o dia com pequena pausa.
4) Meus esforços com meus filhos me colocar em posição de desafiar os outros homens na minha igreja para fazer algo semelhante. Tem sido incrível a forma como os nossos pais em nossa igreja abraçaram esta ea forma como ele tem capacitado muitos deles para ver que eles podem levar suas famílias espiritualmente com os esforços deliberados. Outros pastores, as necessidades óbvias de se reconhecer que você não pode desafiar os homens em sua igreja para fazer qualquer coisa que você não está fazendo um esforço fiel em.Regularmente e individualmente pastorear os corações de seus filhos é, certamente, um daqueles esforços que temos de modelo para os homens em nossa igreja local. Seu fracasso em fazê-lo poderia ser um reflexo de sua falta de modelá-lo.
Outros pastores, líderes e homens fiéis na igreja, que o Senhor use este blog para trazer um despertar semelhante que eu precisava que o Senhor trouxe através do meu querido amigo há muitos anos. Então, querido irmão, agir sobre ele e começar hoje a fazer o backup que a maioria de nós, como pastores e pais reconhecer com nossos lábios, mas menos realmente fazer.


O perdão é o melhor remédio para a saúde emocional. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente, a alforria do coração, a cura das emoções. Perdoar é lembrar sem sentir dor. Perdoar é zerar a conta e não cobrar mais a dívida. O perdão é ato de misericórdia e manifestação da graça. O perdão é absolutamente necessário. E isso, por várias razões:
1. O perdão é necessário porque temos queixa uns dos outros. Nós não somos perfeitos, não viemos de uma família perfeita, não temos um casamento perfeito, não temos filhos perfeitos nem frequentamos uma igreja perfeita. Consequentemente, nós temos queixas uns dos outros. Na verdade, nós decepcionamos as pessoas e as pessoas nos decepcionam. Nossas fraquezas transpiram em nossas palavras e atitudes. Sem o exercício do perdão ficamos entupidos de mágoas e a mágoa gera raiz de amargura no coração. Não somente isso, a amargura perturba a pessoa que a alimenta e contamina as pessoas ao redor.
2. O perdão é necessário porque fomos perdoados por Deus. Quem é receptáculo do perdão precisa transformar-se em canal do perdão. Aqueles que retêm o perdão ao próximo fecham-se para receber o perdão de Deus. Não existe uma pessoa salva que não tenha sido perdoada. Na verdade, no céu só entrarão os perdoados. Logo, é impossível ser um cristão sem exercitar o perdão. Devemos perdoar assim como fomos perdoados. Como Deus nos perdoou devemos nós também perdoar uns aos outros. Quando compreendemos a enormidade do perdão recebido por Deus, não temos mais motivos para sonegar perdão ao próximo. Nossa dívida com Deus era impagável e Deus no-la perdoou completamente. Não fomos perdoados por mérito, mas por graça. Perdão não é reinvindicação de direito, mas o clamor solícito da misericórdia.
3. O perdão é necessário porque por meio dele restauramos relacionamentos feridos. A Bíblia não oculta o perigo devastador da mágoa dentro da família e da igreja. Exemplos como Caim e Abel, José e seus irmãos, Absalão e Amnon retratam essa amarga realidade. Há pessoas feridas dentro do lar e também na assembleia dos santos. Há pessoas doentes e perturbadas emocionalmente porque um dia foram injustiçadas por palavras impiedosas e atitudes truculentas. Há pessoas prisioneiras de traumas e abusos sofridos na infância. Há indivíduos que não conseguem avançar vitoriosamente rumo ao futuro porque nunca se desvencilharam das amarras do passado. O perdão destampa esse poço infecto. Espreme o pus da ferida. Cirurgia os abcessos da alma. Promove uma assepsia da mente e proclama a libertação das grossas correntes do ressentimento. O perdão constrói pontes no lugar que a mágoa cavou abismos. O perdão passa o óleo terapêutico da cura, onde o ódio abriu feridas. O perdão promove reconciliação onde a indiferença quebrou relacionamentos. O perdão expressa o triunfo da graça, onde o ódio mostrou a carranca do desprezo.
4. O perdão é necessário para experimentarmos plena felicidade.Uma pessoa que nutre mágoa no coração não é feliz. O ressentimento é autofagia, é autodestruição. Guardar mágoa é a mesma coisa que o indivíduo beber um copo de veneno pensando que o outro é quem vai morrer. Nenhum calmante químico pode aquietar uma alma desassossegada pela mágoa. Nenhum prazer deste mundo pode aliviar a dor de um coração ferido pelo ódio. A mágoa produz muitas doenças. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. Mas, o perdão traz cura completa para o corpo e felicidade plena para a alma.
Rev. Hernandes Dias Lopes
www.hernandesdiaslopes.com.br


Existe um tipo de vergonha da qual você não deve se envergonhar. Talvez você diga: “Então, isso não é realmente vergonha”. Mas a Bíblia o chama de vergonha, e realmente parece uma vergonha, até que um milagre acontece em nosso coração e reverte o nosso senso de valores.
A razão por que isto é importante para mim é que ainda estou aprendendo — às vezes, eu penso: apenas começando a aprender — como aceitar esta vergonha. Eu digo realmente “aceitar”, não apenas tolerar, o desagradável sentimento de ser envergonhado. Até que eu aprenda isso mais plenamente, nunca serei, entre os incrédulos, o tipo de testemunha que Deus me chama a ser.
Onde consegui este estranho conceito sobre aceitar a vergonha? Eu o retirei da história de Pedro e dos apóstolos, em Atos 5. Eles foram presos e lançados no cárcere, por curarem um homem e pregarem a Cristo (v. 18). Naquela noite, um anjo do Senhor libertou os apóstolos e disse-lhes que fossem ao templo e pregassem “todas as palavras desta Vida” (v. 20). Mas, novamente, o Sinédrio e os sumos sacerdotes os tomaram em custódia e os acusaram de encher Jerusalém com a doutrina deles (v. 28). “Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome.”
Pedro respondeu com ousadia, dizendo: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (v. 29). O Sinédrio estava pronto para matá-los, quando Gamaliel, um mestre da Lei, se levantou e disse: “Dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele” (vv. 38,39). Com isso, os membros do Conselho mudaram seus planos,“açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram” (v. 40).
Em seguida, lemos um dos versículos mais impressionantes das Escrituras:
E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome (v. 41).
Leia devagar estas palavras e deixe-as penetrar em sua alma.
Observe duas coisas.
Primeira, os apóstolos foram envergonhados. Eles sofreram “afrontas”. Ser transformado em espetáculo pelos reverenciados líderes de seu povo, ser tratado como criminosos ímpios, ser despido até (pelo menos) à cintura e ser ferido tão dolorosamente, o que levou ao ponto de gritar e chorar com profundos soluços de dor — este é um momento repleto de vergonha. A Bíblia chama isto de vergonha. E é horrível.
Segunda, eles se regozijaram nesta vergonha. Use sua imaginação. Isto não é uma brincadeira. Não é romântico. Não é um momento heróico e nobre, com música sublime e milhares de espectadores. É algo terrível. A dor é excruciante. Pode resultar em morte. Não há qualquer auxílio. É humilhante. Mas os apóstolos não protestaram. Não se perturbaram com a perda de seus direitos. Não maldisseram os seus inimigos. Pelo contrário, os apóstolos cantaram. Eles se regozijaram por “terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus”.
Isso é o que pretendo dizer quando uso a expressão “aceitando o sofrimento da vergonha”. Já chegou a este ponto? Se não, tenha coragem. Poucos de nós já chegamos lá. Você quer ser assim? Eu também quero! O que devemos fazer? Três coisas:
1. Oremos uns pelos outros. Sejamos específicos. Supliquemos: “Pai, realiza uma profunda obra transformadora em mim, de modo que eu sinta gozo, quando sou envergonhado por causa do nome de Cristo”.
2. Meditemos frequentemente na infinita obra de Cristo, na doçura de suas promessas e no grande sofrimento que Ele suportou para a nossa salvação.
3. Avancemos em direção ao inexplorado território do testemunhar para Cristo. Se surgirem os sentimentos dolorosos de vergonha, transformemos este cântico fúnebre em uma canção de triunfo.
Assim, o mundo começará a ver o que é mais valioso no universo: Jesus Cristo. Até que isto aconteça, pareceremos tanto com as pessoas do mundo no que nos regozijamos, que elas serão pouco motivadas a nos darem atenção.
Autor: John Piper

Ilustrações de Jesus São Contrárias à Bíblia?


Por Brian Schwertley

Em nossos dias é muito comum ver figuras de Cristo nas igrejas e nas casas. Imagens do Salvador são comumente encontradas em vitrais, entradas de igrejas, salas de aula de escolas cristãs, salas de visita, capas de livros, programas carismáticos de televisão, publicidades de igrejas, Bíblias de família e na parede por trás do púlpito. A grande maioria das livrarias cristãs vende uma larga variedade de figuras de Jesus. Há de tudo: do efeminado Messias do norte da Europa à grotescamente musculosa interpretação de Jesus do tipo-Hulk. Mesmo em igrejas reformadas (que devem saber melhor) ilustrações do servo sofredor são bastante comuns nos materiais da escola dominical. As representações do Filho de Deus violam as Escrituras ou essas figuras são meramente obras de arte perfeitamente aceitáveis contanto que não sejam adoradas ou usadas como um auxílio à adoração? Tenha em mente que igrejas protestantes vis que usam ilustrações de Cristo insistem que as figuras não são usadas no culto religioso de forma alguma. Elas no máximo (dizem-nos) são meramente representações artísticas usadas para propósitos educacionais.
Enquanto muitas pessoas que usam figuras de Jesus são muito sinceras e não se dobram a essas imagens, contudo o uso dessas imagens é contrário à lei e pecaminoso. Há muitas razões pelas quais o uso das figuras de Cristo é contra as Escrituras.

I) Primeiro, o uso das figuras de nosso Senhor é uma violação do segundo mandamento. Esse mandamento diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus, Deus zeloso que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” (Ex 20:4-6).

Esse mandamento proíbe uma fileira de ídolos ou imagens de Deus ou qualquer imagem de qualquer coisa criada. Ele também proíbe o uso de imagens como auxílio ao culto ou devoção. Os papistas, por exemplo, diriam que eles não adoram um crucifixo ou estátua de Cristo, mas que tais imagens são auxílios ou meios através dos quais se adora o Filho de Deus. “Os romanistas fazem imagens de Deus o Pai, pintam-no nas janelas de suas igrejas como um velho; e uma imagem de Cristo no crucifixo; e, porque isto é contra a letra deste mandamento, eles sacrilegamente apagam-no de seu catecismo, e dividem o décimo mandamento em dois”.[i]

Protestantes modernos que usam figuras de Jesus ressaltam que diferentes dos romanistas, ortodoxos orientais e anglicanos da alta igreja não se dobram diante nem adoram figuras do Senhor. Eles argumentam que suas ilustrações são puramente educacionais, ou artísticas, ou um objeto para memória histórica. Além disso, é observado que figuras de pessoas, cenas históricas, figuras famosas e animais são universalmente aceitas como permissíveis entre os protestantes contanto que não se dobre os joelhos diante dessas coisas, nem se lhes preste adoração, nem se lhes sirva. Portanto, ter uma ilustração de Jesus não é diferente de ter uma ilustração de Abraão Lincoln ou de um amigo íntimo. Embora este argumento típico faça sentido para muitas pessoas, é preciso que seja enfaticamente rejeitado pelas seguintes razões:

(1) Jesus não é como Abraão Lincoln ou qualquer outra pessoa, porque Ele é tanto Deus quanto homem em uma pessoa. Por isso, qualquer imagem de nosso Senhor seria automaticamente de natureza religiosa ou devocional. Sendo assim, isso cairia imediatamente sob o perímetro bíblico do princípio regulador do culto. Em outras palavras, uma ilustração do Salvador não pode ser considerada como um item que pertença à esfera de coisas indiferentes (adiaphora). Se os crentes devem usar figuras do Senhor, eles precisam encontrar autorização divina da palavra de Deus para seu uso.

Há autorização divina para representações pictóricas do Messias? Não, não há. Não há nenhum mandamento para que se faça figuras de nosso Senhor. De fato, tais figuras claramente violam o segundo mandamento, pois uma verdadeira figura de Jesus deveria evocar adoração no crente. Se uma representação pictórica traz pensamentos de amor, devoção, e louvor ao Filho de Deus, então obviamente ela é um auxílio ou meio de adoração mesmo que as pessoas não estejam dobrando-se diante da figura.

(2) A Palavra de Deus não dá aos crentes informação suficiente para que se faça uma representação fiel da aparência física de Cristo. Isaías nos diz que, com respeito à aparência exterior do Salvador, não há nada de beleza que seja deleitável aos olhos (ver 53:2). No livro de Apocalipse há uma descrição apocalíptica do Senhor exaltado (por exemplo: Ap 1:13-17) e o Salvador como um Cordeiro que tinha sido morto (Ap 4:6). Contudo, nenhum erudito competente consideraria essas declarações apocalípticas como descrições literais de Cristo. Elas são visões proféticas vívidas que tem a intenção de ensinar à igreja uma rica teologia concernente ao nosso Senhor e Sua obra. Os apóstolos, que passaram três anos com Jesus, que sabiam exatamente como era sua face humana, que tinham uma forte lembrança de Sua pessoa e obra, poderiam ter trabalhado com artistas para deixarem à Igreja um retrato acurado do Messias. Todavia, eles se recusaram a deixar à Igreja tal retrato. Por isso, é óbvio que Deus não sanciona retratos de Seu Filho.

II) Segundo, como nenhuma ilustração acurada de Cristo pode ser produzida por homem, todas as figuras do Salvador são representações falsas do Filho de Deus. Mas (conforme alguns podem objetar), se é permitido fazer representações de batalhas famosas e mesmo dos apóstolos, por que é errado fazer o mesmo com o Messias? Mais uma vez devemos lembrar que Jesus é totalmente único. Embora ele tenha um real corpo humano e alma (1 Jo 1:1-4), “todavia sua natureza humana subsiste em sua pessoa divina, que nenhuma figura pode representar (Sl 45:2)”.[ii]  O Filho de Deus é diferente porque Ele somente é o supremo objeto de nossa fé. Isso significa que tudo o que devemos crer acerca dEle precisa vir unicamente de revelação divina. “Tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14:23). Qualquer figura do Senhor que seja baseada na imaginação do homem é culto da vontade, pois estabelece uma invenção humana no lugar ou junto com os dados bíblicos concernentes a Cristo. Quando a fé é dirigida a fantasias humanas em lugar ou junto da fé na revelação divina, a religião bíblica é degradada com humanismo.

Como é possível Jesus, que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6), ou o Santo Espírito, que é “o Espírito da verdade” (Jo 16:13), ser honrado ou se agradar com fantasias humanas a respeito do Filho? O fato de que nosso Senhor é Deus e homem em uma pessoa torna todas as representações humanas do Filho totalmente inapropriadas e até abomináveis. Fazer uma versão, uma falsificação ou versão falsa do Messias é ainda mais ímpio do que fazer uma versão falsa da Bíblia. Além disso, o que pensaria algum dos apóstolos sobre as muitas imagens pervertidas do Salvador que são comuns hoje (ex: o Jesus efeminado louro de olhos azuis, o Jesus “black power”, o Jesus “hippie” hollywoodiano, o Jesus do cinema evangélico, o Jesus musculoso das livrarias)? Pedro e João ficariam totalmente chocados com tal lixo irreverente, desrespeitoso, não-bíblico, humanístico, blasfemo. E mais, como os artistas não podem formar uma representação fiel da aparência física do Salvador, suas interpretações do Senhor são inevitavelmente influenciadas por sua teologia e visão de mundo. Muito das pinturas populares, gravuras e desenhos que são vistos em livros e Bíblias familiares hoje são produtos do liberalismo do século dezenove, feminismo “cristão”, arminianismo e formas pietistas de antinomismo. Esses falsos sistemas teológicos apresentam uma figura distorcida, de um lado só, de nosso Senhor. Ele geralmente é apresentado como o Jesus gentil, o manso e humilde professor que enfatizou o amor e a paternidade de Deus; que era um amigável professor de ética; que nunca se tornou irado contra pecadores ou pregou sobre o pecado, julgamento ou ira por vir. J. G. Vos escreve: “Talvez mais pessoas vivas hoje tenham derivado suas idéias do Jesus Cristo dessas figuras tipicamente “liberais” do que derivado suas idéias do Jesus da própria Bíblia. Tais pessoas inevitavelmente pensam mais de Jesus como uma pessoa humana, do que pensam dEle de acordo com o ensino bíblico como uma pessoa divina com uma natureza humana. O efeito inevitável da aceitação popular de figuras de Jesus é superenfatizar sua humanidade e esquecer ou negligenciar sua deidade (o que, é evidente, nenhuma figura pode retratar)”.[iii]

Da mesma forma, figuras de nosso Senhor perpetuam a falsa doutrina pré-milenista de que o Messias não está presentemente reinando como Rei à direita de Deus. Muitos evangélicos crêem que o Senhor não governa realmente sobre a terra até a segunda vinda. Teologicamente, eles vêem Jesus da mesma maneira como Ele era em seu estado de humilhação. O apóstolo Paulo rejeita tal pensamento. Ele diz: “...se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo” (2 Co 5:16). Nós vivemos na era pós-ressurreição. O Messias não é mais o servo sofredor manso e submisso. Agora Ele é o cavaleiro montado no cavalo branco, o rei vitorioso, que está glorificado, que tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28:19). A Bíblia inteira e nada além da Bíblia deve informar nossa compreensão de Cristo. Todo aspecto de sua pessoa e obra é objeto de nossa fé. Qualquer coisa que coloque uma invenção humana, fantasiosa, ou uma falsa imagem de nosso Senhor diante de nossos olhos ou dentro de nossas mentes não fortalece a fé bíblica, mas a corrompe e a degrada. Se você quer ver o Salvador, então estude, medite e memorize as Escrituras, pois ali dentro o Messias é revelado em toda a sua glória. Dunham escreve: “Não é legítimo ter figuras de Jesus Cristo ... porque, se isso não suscitar devoção, é em vão, se suscitar devoção, é uma adoração através de uma imagem ou figura, e assim uma quebra palpável do segundo mandamento”. [iv]

III) Terceiro, todas as figuras do Salvador implicitamente promovem a antiga heresia de Nestorius, que separou as duas naturezas de Cristo: a humana da divina.[v] Quando os apóstolos olhavam para Jesus eles contemplavam o Deus-homem. Dessa forma o apóstolo João podia escrever: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1:14). Junto com o fato de que figuras do Filho de Deus são impressões falsas, elas também não podem retratar a natureza divina do Messias. Portanto, elas não apenas retratam-no infinitamente menos do que Ele era, é e será; mas também o depreciam de Sua glória divina. Elas implicitamente ensinam uma falsa teologia de Cristo. Esta observação é uma das razões primárias porque a igreja primitiva condenou figuras de Jesus. Um conselho maior em Constantinopla (A.D. 754) decretou:

Se alguém dividir a natureza humana, unida à Pessoa de Deus o Verbo, e tendo isso apenas na imaginação de sua mente, por isso tentar pintar o mesmo em uma imagem, que seja considerado maldito. Se alguém dividir Cristo, que é apenas um, em duas pessoas, colocando em um lado o Filho de Deus, e do outro lado o filho de Maria, não confessando a união contínua que há, e por essa razão pintar em uma imagem do filho de Maria como subsistindo por si mesmo, que seja maldito. Se alguém pintar em uma imagem a natureza humana, que é deificada através da unidade com Deus o Verbo, separando por assim dizer a Deidade assunta e deificada, que seja maldito.

Com relação a esse conselho Philip Schaff escreve: “O conselho, apelando para o segundo mandamento e outras passagens das Escrituras denunciando idolatria (Rm 1:23,25; Jo 4:24), e para opiniões dos Pais (Epifânio, Eusébio, Gregório Nazianzeno, Crisóstomo, etc.), condenou e proibiu o culto público e privado de imagens sacras sob pena de destituição e excomunhão ... Isso denunciou todas as representações religiosas de pintores e escultores como presunçosas, pagãs e idólatras. Aqueles que fazem pinturas do Salvador, que é tanto Deus quanto homem em uma pessoa inseparável, ou limita a incompreensível Deidade aos limites da carne criada, ou confunde suas duas naturezas como Êutico, ou separa-as como Nestório, ou nega sua Deidade como Ário; e aqueles que adoram tal figura são culpados da mesma heresia e blasfêmia.”[vi]
Figuras de Cristo são mentiras da imaginação que pervertem e degradam a doutrina escriturística de nosso Senhor. Nós devemos lembrar nosso precioso Salvador não através de fantasias artísticas grosseiras, mas através da celebração da Ceia do Senhor, fazendo uso dos meios de graça e meditando nas Escrituras. Paulo diz que “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:17). Jesus nos diz que a santificação vem pelos meios da Palavra de Deus. “Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17:17). Impressões artísticas do Filho de Deus podem excitar as emoções. Elas podem trazer lágrimas aos olhos ou alegria ao coração. Mas, porque são produtos da imaginação da mente do homem, elas não podem santificar ou aumentar nossa fé. Deveras, como violações não ordenadas do ensino expresso da Bíblia elas são destrutivas da fé e santificação. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5:21).

Figuras de nosso Senhor não podem santificar porque: (a) elas fluem da imaginação do artista e por isso são ficção; e, b) elas pervertem o ensino bíblico sobre o Salvador teocêntrico ao lhe roubarem sua glória, separarem as duas naturezas – a divina da humana. Este fato tem importantes implicações para aqueles que querem reter figuras com propósitos educacionais (ex: material para escola dominical de crianças). Àqueles que são a favor do uso de figuras do Filho de Deus com propósitos educacionais nós fazemos as seguintes perguntas: Como você pode ensinar a verdade estabelecendo uma mentira (i.e, uma fantasia humana, uma representação fictícia) aos olhos das crianças? Quantas crianças crescem com a imagem de um Messias de olhos azuis, efeminado, cabelos longos, hippie frágil, por causa da ignorância e incompetência de professores da escola dominical? Como você espera que crianças sejam santificadas por algo que não tem nenhuma base na Escritura e, portanto, é uma invenção da mente humana? (Tenha em mente que a Bíblia não dá nenhuma descrição física de nosso Senhor a não ser algumas passagens que não podem de forma alguma ser representada por um artista – ex: Mt 17:2; Ap 1:13 ss) Paulo diz que filosofias humanas e regras autônomas não têm nenhum valor contra a indulgência da carne (Cl 2:8, 21-23). Figuras de Jesus para uso educacional ou devocional são invenções do homem que não tem nenhuma base na Escritura e por isso são tradições humanas que caem sob a condenação de Deus.

IV) Quarto, tanto a Bíblia quanto a história da igreja ensinam que imagens religiosas inventadas pelo homem para uso educacional ou devocional são ciladas do maligno que corrompem o povo de Deus com idolatria e declínio. Por causa de nossa natureza pecaminosa o coração do homem é com freqüência fácil e lamentavelmente conduzido a formas corruptas e sensoriais de culto. Em 2 Reis 18:4 nós lemos que o piedoso rei Ezequias quebrou em pedaços a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque o povo de Israel lhe estava queimando incenso. A serpente de bronze (diferente das ilustrações de Cristo) era uma imagem legítima, pois fora ordenada por Deus. Todavia, assim que ela se tornou um objeto de devoção religiosa Jeová quis que ela fosse destruída como um item de superstição e idolatria.

Na igreja antiga, figuras eram feitas para honrar os santos, a virgem Maria e Jesus. Essa prática levou a toda sorte de superstições, práticas idólatras corruptas: oração a santos mortos; preservação e adoração de relíquias; dias santos; peregrinações; vestimentas em estátuas com diferentes roupas para diferentes dias santos; procissão com estátuas e figuras em honra dos santos, da virgem Maria e Cristo; catedrais construídas para honrar as relíquias dos santos mortos e assim por diante. Não há nenhuma dúvida de que muitas das pobres almas iludidas que levaram a igreja a adentrar nos escuros passos do romanismo eram sinceras. Elas provavelmente eram muito piedosas e tinham o melhor dos motivos. Mas seu amor à invenção humana, seus acréscimos ao culto que Deus autorizou levaram à explosão total da condenável religião do papismo. “Mas, dizem os papistas, imagens são os livros do leigo, e eles são bons para fazer com que Deus se lembre deles. Um dos Concílios do Papa afirmou que nós podemos aprender mais por uma imagem do que por um longo estudo das Escrituras ... Pois, para os papistas, dizer que eles fazem uso de uma imagem para fazer com que Deus se lembre deles é como se uma mulher dissesse que ela procura companhia de outro homem para ser lembrada por seu marido.”[vii]

Para os protestantes modernos ignorar o ensino claro da Escritura e história como se fossem imunes aos perigos da superstição e idolatria é arrogante, tolo e mortal. A igreja do Papa não se tornou numa monstruosidade demoníaca, agora isso está muito perto. Mas, como Paulo advertiu, “um pouco de fermento leveda a massa toda” (1 Co 5:6). A prática comum preferida hoje (mesmo em Igrejas Presbiterianas conservadoras) do uso de figuras de Jesus em materiais educacionais (ex: livros, vídeos, materiais de escola dominical) viola o segundo mandamento, ensina uma falsa doutrina do Messias, corrompe o culto de Deus, é insolentemente desrespeitosa para com a segunda pessoa da trindade e por isso deveria ser odiada e evitada por todo cristão crente na Bíblia. Os patriarcas da linha calvinista da Reforma escrupulosamente abstiveram-se, como questão de princípio, do uso de figuras de Cristo. Observe as palavras de John Knox em “Book of Disciple, Third Head” (Livro do Discípulo, Terceira Parte) (1560): “Que os digníssimos sejam seguramente persuadidos de que a ira de Deus virá não apenas sobre o cego e obstinado idólatra, mas também sobre o que tolera a mesma negligência; especialmente se Deus armou suas mãos com poder para suprimir tais abominações. Por idolatria nós entendemos a missa, invocação de santos, adoração de imagens e preservação e conservação das mesmas; e, finalmente, toda a honra a Deus não contida em sua santa Palavra”.

Que nós façamos da mesma maneira e voltemos à estrita aderência conscienciosa ao segundo mandamento como era a postura de nossos pais espirituais. O fato de que figuras de Cristo são largamente usadas entre cristãos professos em nossos dias não torna isso correto. Isso infelizmente é outro sinal da larga difusão do declínio e apostasia entre muitas igrejas modernas. Possa Deus nos capacitar para adorarmos nosso precioso Salvador somente na maneira autorizada por sua infalível Palavra. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Artigos do Bispo J.C. Ryle


AUTENTICIDADE
Se declaramos ser cristãos, procuremos ter certeza de que nosso cristianismo é verdadeiro. O cristianismo verdadeiro não é algo externo a nós mesmos ou temporário; é interno, firme, vivo e duradouro. Sabemos a diferença entre o ouro puro e o ouro barato, entre algo que é genuíno e sua imitação. Pensemos nisso enquanto meditamos sobre o nosso cristianismo. Você pretende que seu cristianismo lhe dê conforto nesta vida e esperança na hora da morte e deseja suportar o teste de julgamento de Deus? Então, peço-lhe que pare e considere se o seu cristianismo é semelhante ao ouro maciço ou se é apenas uma imitação.
1. Nosso cristianismo deve ser verdadeiro
Quero começar mostrando-lhe como é importante que seu cristianismo seja verdadeiro. Talvez você imagine que há pouco perigo em não ser genuíno. Se pensa assim, você está errado, pois a Bíblia frequentemente nos recorda que isto é muito perigoso.
Olhe para as parábolas contadas por Nosso Senhor Jesus Cristo. observe quantas delas referem-se ao contraste entre o verdadeiro cristão e o cristão aparente – por exemplo, as parábolas do semeador, do joio, das bodas e das dez virgens, entre outras (ver Mt 13. 1-43; 22 1-14 e Mt 25. 1-13). Estas mostram o perigo de um cristianismo superficial e não genuíno.
Note a linguagem que Nosso Senhor Jesus Cristo usou a respeito dos escribas e fariseus. Oito vezes, em um só capítulo, utilizando uma linguagem assustadora, Ele os denunciou como hipócritas (ver Mt 23). Falando de forma tão severa, o Senhor Jesus nos ensinou quão abominável é, aos olhos de Deus, a falsidade.
Atente ao espantoso fato de que a quase toda graça cristã verdadeira corresponde uma situação não genuína, descrita na Palavra de Deus. Existe falso arrependimento, pois, Acabe, Herodes e Judas Iscariotes o tiveram e nunca foram salvos. Existe fé não genuína; foi este o caso de Simão, em Samaria, pois seu coração não era reto diante de Deus. Existe Santidade não genuína; o rei Joás parecia santo e bom, mas apenas enquanto o sacerdote Joiada estava vivo. Existe amor não genuíno, pois o apóstolo João nos alerta: “Não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”. Existe oração não genuína, pois nosso Senhor condenou o pecado dos fariseus, os quais, por aparência e presunção, faziam longas orações.
Certamente tudo isto deve nos fazer pensar. Quando cuidado devemos tomar para termos certeza de que o nosso cristianismo é real!
2. Testes de autenticidade
Quero agora propor alguns testes através dos quais você pode verificar a autenticidade de seu cristianismo. Não apenas suponha que tudo está bem. Lembre-se de que esta é uma questão de vida ou morte eternas.
Comece perguntando a si mesmo que lugar o seu cristianismo ocupa no seu coração. Não basta crer na verdade apenas em sua mente ou apenas professá-la com seus lábios; não é suficiente que algumas vezes ela produza fortes emoções em seu íntimo. O verdadeiro cristianismo governa o coração, controla os seus sentimentos, orienta a vontade, direciona os gostos, escolhas e decisões. O seu cristianismo governa o seu coração?
Em segundo lugar, pergunte a si mesmo como o seu cristianismo encara o pecado. O verdadeiro cristianismo, que o Espírito Santo produz no coração, nos levará sempre a pontos de vista muito sérios a respeito da malignidade do pecado. Você não pensará no pecado simplesmente como algo infeliz que torna os pecadores objetos dos quais sentimos compaixão, mas verá como algo que Deus odeia e que torna o pecador culpado, perdido e sujeito a justa ira e condenação da parte de Deus. Você enxergará o pecado como a causa de toda a infelicidade do mundo, aquilo que arruinou a boa criação de Deus. Acima de tudo, você o reconhecerá como aquilo que nos arruinará eternamente, a menos que nossa dívida esteja paga e estejamos livres de seus laços. É desta forma que você encara o pecado?
Em terceiro lugar, pergunte a si mesmo que prescritivas de Cristo o seu cristianismo produz. Um falso cristão pode acreditar que Cristo realmente existiu e fez bem aos homens. Pode mostrar respeito por Cristo e comparecer ao culto cristão. Mas um cristão verdadeiro se gloriará em Cristo como o Redentor, o Libertador, o Grande Sumo Sacerdote, o Amigo, sem o qual ele jamais teria qualquer esperança. O verdadeiro cristão crerá em Cristo, amará a Cristo e se regozijará em Cristo, encontrando conforto nEle, como o Mediador entre Deus e os homens e como Aquele que é alimento, luz, vida e paz para a sua alma. É esta a sua perspectiva de Cristo?
Em quarto lugar, que frutos o seu cristianismo está gerando em seu coração, em sua vida? Um cristianismo genuíno é conhecido por seus frutos – os frutos do arrependimento, fé, esperança, amor, humildade, espiritualidade, benevolência, autonegação, capacidade de perdoar aos outros, domínio próprio, honestidade e paciência. O grau em cada um destes é percebido será variável de um crente para o outro, mas a raiz de cada um deles está presente em cada um dos verdadeiros filhos de Deus. Você demonstra possuir estes frutos?
Por último, como você se sente em relação aos meios da graça e o que você faz a respeito deles? Por “meio de graças” me refiro àquelas coisas que Deus estabeleceu como instrumentos para nosso crescimento espiritual. Qual o seu sentimento em relação ao dia do Senhor? É um prazer para você, uma agradável e pequena amostra do que teremos no céu? Como você se sente a respeito dos cultos, quando os irmãos se reúnem para orar, adorar, ouvir a Palavra de Deus e participar da Ceia do Senhor? Estas coisa lhes são importantes ou você poderia viver sem elas? E quanto a oração particular e à leitura da Bíblia? São atividades necessárias à sua vida? Elas lhe trazem conforto ou lhes trazem tédio? Você as negligencia? Se estes meios de crescimento espiritual não são tão necessários para a sua vida cristã quanto o comer e o beber são para o seu corpo, você pode muito bem questionar se seu cristianismo é verdadeiro.
Aplicação
Rogo-lhe que avalie seu cristianismo através destas cinco questões. Sendo legítimo o seu cristianismo, você não tem o que temer ao enfrentá-las honestamente. Porém, se não for legítimo, é melhor que você descubra isto o quanto antes. você terá de enfrentar isso algum dia, visto que o dia do julgamento irá testar todas estas coisas. Se você defrontar-se com a verdade hoje, terá tempo para se arrepender, mas naquele Dia será tarde demais. Decida enfrentar este assunto agora!


Deixe-me concluir com uma aplicação direta da verdade a cada leitor.
1. Preciso dizer uma palavra de advertência àquele que, em seu coração, sabe que seu cristianismo não é autêntico. Lembre-se do perigo que você corre e de quão grande é a sua culpa diante de Deus. Ele é o Deus da verdade. Odeia tudo o que não é verdadeiro; e o cristianismo que você vive não é verdadeiro. Alem disso, seu falso cristianismo irá confortá-lo no final. Não lhe dará conforto algum quando você mais precisar dele – em tempos de aflição e no seu leito de morte. Acima de tudo ele o derrotará no Dia do julgamento.
2. Devo oferecer uma palavra de conselho àquele que está com a consciência perturbada devido ao que acabou de ler. Pare de brincar com o cristianismo! Pare de tratar o cristianismo como uma brincadeira e torne-se uma pessoa sincera que segue ao Senhor Jesus Cristo com todo o seu coração. busque-O hoje mesmo e peça-Lhe que seja o Seu Salvador. Não deixe que sua pecaminosidade o mantenha afastado dEle. Lembre-se: Jesus pode perdoar qualquer pecado, mas exige autenticidade. Deixe toda a presunção e venha a Ele com todo o seu coração e toda a sua alma.
3. É necessário que eu dirija uma palavra de encorajamento a todos aqueles que já tomaram sua cruz e são sinceros seguidores de Cristo. encorajo-os a prosseguir e não desanimar diante de provocações ou dificuldades. Não de preocupem com as opiniões dos outros. Nunca se envergonhem de ser totalmente comprometidos com o Senhor Jesus. Na verdade, os homens deveriam envergonhar-se de viver para o pecado e os prazeres, mas ninguém deve sentir vergonha de viver para Cristo.
4. Finalmente, lembremo-nos todos que, no último dia, nada além da verdade contará. Recordemos as palavras do Senhor Jesus: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direis explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt. 7. 22,23).

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Preguiça


PREGUIÇA
Pv. 6. 6-11
Ser preguiçoso é pecado?
Esta série de estudos tem abordado situações bem comuns do dia-a-dia de cada um de nós. Não temos dúvidas que os outros doze temas estudados sejam pecado, mas, preguiça... Será que aquela moleza própria de segunda-feira, ou curtir a cama num domingo de chuva, sem obrigação de trabalho, ou igreja é pecado?
O bicho preguiça na natureza é muito interessante. A preguiça não caça animais, mas se alimenta apenas de folhas. Ela é seletiva. Não come qualquer folha. Sua única defesa consiste em camuflar-se entre as folhas nas copas das árvores. A postura natural da preguiça é invertida em relação aos outros animais. Ela precisa viver nos galhos, e não no chão. Fica pendurada e as mãos funcionam como ganchos. Por isso, sem florestas não há preguiças. Se não tiver um galho para se pendurar entram em estresse.
A lentidão dos movimentos, o longo período de inatividade e a forma de se locomoverem e a postura são algumas de suas características. Elas não bebem água, pois a água que elas precisam para viver é absorvida do próprio alimento, através das paredes intestinais durante o processo de digestão. É um animal dócil e indiferente ao que acontece ao seu redor. Porém, observa tudo como se contemplasse a natureza. Conhece o perigo, mas não reage. Quando assustada, apega-se às pessoas ou às suas companheiras. As preguiças costumam dormir cerca de 14 horas por dia. Conforme a temperatura, podem ir até 16 horas.
Breve análise do texto
Em Eclesiastes 10.18, o sábio declara: “Pela muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa”. No entanto, é em Provérbios que encontramos vários textos sobre o assunto. O mais conhecido de todos é Pv. 6.6: “Vai ter com a formiga ó preguiçoso, olha para os seus caminhos e sê sábio”. Havia, na Palestina, um tipo de formiga chamada ceifadora, e Salomão faz a comparação bem a propósito. A formiga tem líder, tem ordem, tem horário, tem rota, tem tarefa definida, enquanto o bicho preguiça não tem nada disso. Aprender com a formiga foi a intimação do autor bíblico. Observe mais alguns versículos sobre o assunto:
Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Pv. 6.9
O preguiçoso não assará a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser ele diligente. Pv. 12.27
O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta.Pv. 13.4
A preguiça faz cair em profundo sono, e o ocioso vem a padecer fome. Pv. 19.15
O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar. Pv. 21.25
O dicionário da língua portuguesa identifica preguiça/preguiçoso como aversão ao trabalho, indolência, morosidade, moleza, etc. O preguiçoso, segundo Provérbios, é aquele que fica deitado e dormindo; tem a caça, mas não se preocupa com o preparo; tem planos de vida, mas não concretiza nada que começa; daí, acaba prejudicando tanto a si, como aos outros.
1. Características do preguiçoso.
Quando se observa as características do bicho preguiça e as colocações do texto bíblico, percebe-se grande semelhança. Vamos listar algumas delas:
Ø A preguiça alimenta-se de folhas, pois fica mais fácil para ela. Ela se acomoda a árvore ou ao galho, e ali mesmo se alimenta. O preguiçoso se comporta da mesma forma: encosta-se nas pessoas e se aproveita do outro. Ele é interesseiro e só se envolve com o que lhe traz vantagens pessoais e, às vezes, nem isso. Paulo combate tal postura (II Ts. 3. 7,8).
Ø A preguiça fica dependurada nos galhos. O preguiçoso se apega às pessoas, não por afetividade ou porque tem um grande coração e quer o bem-estar do outro, mas porque não consegue fazer as coisas e, por isso, depende de que alguém faça por ele. A pessoa que é o ‘galho’ onde o preguiçoso fica dependurado acaba se irritando e, muitas vezes, surgem crises ou conflitos no relacionamento.
Ø A preguiça não bebe água e aproveita a que ingere alimento. A água é vida e o preguiçoso não sente necessidade de buscar vida no trabalho, nos relacionamentos, na própria vida. Contenta-se com o que consegue as custas dos outros, e não possui aspirações própria. Se as têm não movem um dedo para conquistá-las. Geralmente é uma pessoa pobre internamente. Não tem nada para repartir com o outro (Pv. 21. 25).
Ø A preguiça, diante do perigo, não reage. A apatia e a indiferença do preguiçoso são tão grandes que, ao perceber o perigo, as crises os conflitos, ele fica imóvel, achando que isso vai passar – o que nem sempre acontece. Diante de situações que são necessárias atitudes claras e decisões firmes, o preguiçoso fica impassível, aguardando que alguém faça por ele. Na realidade, continua dependurado em alguém, esperando que esse alguém tome as decisões por ele. (Ec. 10.18).
Na realidade, o preguiçoso não começa nada, pois acha que não vale a pena (Pv. 20.4). não acaba nada, sempre deixa seu trabalho pela metade. Isso nos faz lembrar o texto de Pv. 22.13 Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas”.

2. Desculpas do preguiçoso.
Em geral, o preguiçoso é alguém que usa, com facilidade, a comunicação verbal, e convence o outro com poucas palavras. A sua maneira de ver e viver a vida é diferente e ele se justifica. Senão, vejamos:
Ø Quando chamamos preguiçoso de tratante, isto é, combina uma coisa e acaba não fazendo, ele alega que é realista. Acaba deixando a outra pessoa com o sentimento de culpa de que, se as coisas não deram certo, é porque não considerou pontos fundamentais.
Ø Se o preguiçoso é julgado por ser tolerante consigo mesmo diante de um compromisso marcado, ao qual ele não compareceu, simplesmente diz que não estava se sentindo bem naquele dia. Dá uma desculpa que não pode ser comprovada, e acaba ficando por isso mesmo.
Ø Acusar um preguiçoso de inércia é tempo perdido. Ele vai alegar que não suporta ser cobrado, que as pessoas não o compreendem, que não gosta de ser empurrado pelos outros etc. no final, os outros estão errados, e ele certo (Pv. 10.26).
Ø Muitas vezes se diz ao preguiçoso que ele é devagar mentalmente e que demora para decidir. Ele, então, responde justificando que não é isso, mas que ele é leal aos seus princípios, precisa pensar bastante, não toma decisões precipitadas... etc.
Ø Essas e outras justificativas são comuns, mas o preguiçoso jamais admite que são desculpas (Pv. 26.16).
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3. Algumas justificativas válidas.
É preciso considerar que, em algumas circunstâncias, a pessoa acaba ficando preguiçosa, não por uma questão de caráter, mas por algum problema pessoal. Senão, vejamos:
Ø Uma pessoa com anemia, a pressão sanguínea desce e ela acaba tendo pouca vitalidade e vontade de fazer as coisas. Daí a chamamos de preguiçosa, quando, na realidade, é uma questão de saúde. Tratando-se devidamente, a pessoa volta à ativa.
Ø Às, vezes, os pais criam casos com filhos que se desinteressam pelos estudos ainda pequenos, e os chamam de preguiçosos, quando a criança não está conseguindo acompanhar as aulas, por ter um problema de visão. Enxergam pouco, ou quase nada, e isso as desmotiva. É preciso cuidado para não etiquetar a criança sem saber as causas.
Ø Uma disfunção hormonal ou glandular pode provocar desmotivação para viver, e levar a uma depressão, que tem como resultado uma apatia ou (preguiça) para fazer qualquer coisa. Um tratamento médico pode resolver.
Ø Há pessoas que perderam a motivação de viver por vários fatores, quer emocionais, físicos ou espirituais. Acabam perdendo o interesse e, muitas vezes, tão taxadas de preguiçosas indevidamente. Precisam é de ajuda.
O importante é saber diferenciar entre as justificativas válidas e as desculpas. As desculpas são questão de caráter moral, e isso deve ser modificado, através da apropriação do caráter de Cristo (Ef. 4. 28; 5.1).
A preguiça é pecado quando se torna parte integrante do nosso caráter. E o cristão deve ter o caráter de Cristo, e nele não há lugar para a preguiça (Jo 5.17). o verdadeiro cristão busca a santidade e, para isso, precisa estar sempre lendo e vivendo a Palavra e em comunhão com o Senhor na oração. Uma pessoa preguiçosa vai ter dificuldades para achar tempo para ler a Bíblia e orar. Sempre vai encontrar desculpas que, segundo ela, são justificadas. E, aí, a corrida de obstáculos fica impossível de ser vencida (I Co 9. 24,25).
1. Você é uma pessoa preguiçosa? Para você, o trabalho é benção ou castigo?
2. O que você faz quando descobre que a preguiça não é uma mania do outro, mas um problema de saúde? Tem tido alguma experiência nessa área?