Sendo
Fiel a Deus até a morte!
Rev. Fábio Henrique do Nascimento
Costa
INTRODUÇÃO
É possível ser fiel e fiel
até à morte num mundo carimbado pelo relativismo? O sofrimento revela quem é
fiel e quem é conveniente.
ELUCIDAÇÃO
Aqui vemos uma igreja
sofredora, perseguida, pobre, caluniada, aprisionada, enfrentando a própria
morte, mas uma igreja fiel que só recebe elogios de Cristo.
Tudo o que Jesus diz nesta
carta tem a ver com a cidade e com a igreja:
É necessário destacar aqui
algumas informações à respeito da cidade de Esmirna, a fim de compreendermos
melhor a mensagem de Cristo a ela dirigida. Vejamos algumas:
1.1 Nome: O nome
“Esmirna” significa “mirra”, uma substância amarga, porém, extremamente
odorífera, usada como perfume e muitas vezes para unção de cadáveres para
propósitos aromáticos. Atualmente ela é chamada Izmir. Esta cidade
desenvolveu-se até tornar-se uma das mais prósperas cidades da Ásia Menor, ao
ponto de ser chamada de Coroa da Ásia. Sob o domínio do Império Romano era
famosa por seu esplendor e pela magnificência de seus edifícios públicos, e era
um centro de ciência e medicina;
1.2 Localização: Esmirna
é uma cidade da província romana da Ásia, e está a 80 km ao noroeste de Éfeso,
na praia do mar Egeu, dentro da atual Turquia Asiática;
1.3 População: No
tempo que o apóstolo João escreveu esta carta, a cidade de Esmirna contava com
uma população de duzentos e cinqüenta mil habitantes, aproximadamente;
1.4 Religião: A
idolatria estava presente na cultura da cidade, pois havia um rio chamado Meles,
que era adorado em Esmirna. E, como colônia de Roma, praticava-se ali o culto
ao imperador.
A fidelidade é um
princípio básico da vida cristã: hoje os maridos e esposas estão quebrando os
votos assumidos no casamento. Os pais estão quebrando os votos assumidos no
batismo dos filhos. Os crentes estão quebrando os votos feitos na profissão de
fé. Como ser um crente fiel em tempos de prova?
TEMA: Sendo fiel a Deus
até a morte!
DESENVOLVIMENTO
1º Cristo não está alheio
a situação da sua Noiva
1.1 O remetente. Antes
de tecer comentários sobre a igreja que estava em Esmirna, Jesus Cristo, o
remetente da carta, se revela de uma forma bem especial, dizendo: “E ao
anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último,
que foi morto, e reviveu” (Ap 2.8). O Mestre mostra para a sua igreja que como
Deus, Ele é Eterno (o primeiro e o último) e, como homem, é imortal: (foi
morto, e reviveu);
1.2 “Ao anjo da
igreja”. Provavelmente o anjo, ou seja, o pastor desta igreja pode estar
indicando uma referência a pessoa de Policarpo; esse pastor nasceu em (69
d.C.), e morreu em (155 d.C.). Segundo registros históricos, ele foi discípulo
do Apóstolo João, homem muito consagrado e o “principal pastor” da igreja de
Esmirna durante o exílio de João em Patmos. Ele foi martirizado ao ser levado
perante o governador e instado a negar a sua fé e o nome de Jesus, mas ele
respondeu: “oitenta e seis anos o servi, e somente bens recebi durante todo
tempo. Como poderia agora negar ao meu Senhor e Salvador?” (HURLBUT, p. 65).
Policarpo foi queimado vivo;
1.3 “Eu sei”. Embora
João, o escritor da carta, não estivesse presente no dia a dia da igreja, o
Senhor estava. Pois ele identifica-se, como “aquele que anda no meio dos sete
castiçais de ouro” (Ap 2.2), como ele mesmo prometeu (Mt 18.20), por isso para
todas as sete igrejas da Ásia ele diz: “Eu sei“. Ele começou a relatar o perfil
da Igreja, pois Ele é onisciente (tem todo conhecimento);
1.4 “As tuas obras”. A
expressão “obra” do grego “ergon” significa: trabalho, ação, ato. É
extremamente importante ressaltar que o cristão não é salvo pelas obras (Ef
2.8,9), no entanto é salvo para as obras (Ef 2.10). O apóstolo Paulo
ensinou que somos justificados pela fé (Rm 5.1), porém Tiago também ensinou que
a fé sem obras é morta (Tg 2.17).
Sem dúvida alguma, não
existe contradição em ambas as declarações. Muito pelo contrário, elas se
completam perfeitamente. Afinal de contas, um verdadeiro cristão que crê no
Senhor Jesus Cristo, demonstra sua verdadeira fé com obras. Tal qual Abraão que
primeiro creu e isso lhe foi creditado como justiça (Gl 3.6), mas que
aperfeiçoou a sua fé quando obedeceu à voz de divina (Tg 2.22-24);
1.5 “E tribulação”. No
grego, o termo tribulação, é “thlipsis” que significa “pressão”, derivado de “thlibo“,
que tem o sentido geral de “pressionar”, “afligir”. Jesus não era insensível as
perseguições que os cristãos daquela igreja estavam enfrentando, tanto externas
(por meio dos romanos), quanto internas (pelos que se diziam judeus). Tal como
a mirra, que como vimos tem sabor amargo, porém é cheirosa. Os crentes de
Esmirna estavam experimentando a amargura da tribulação (Ap 2.9), todavia, seu
testemunho era como um bom perfume que exalava às narinas de Deus (Ap 2.10);
Afinal de contas o
sofrimento na vida cristã testa a qualidade da nossa fé como o ouro que o fogo
prova: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que
perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na
revelação de Jesus Cristo” (I Pe 1.7);
1.6 “E pobreza, mas tu és
rico”. Os crentes de Esmirna eram pobres, não por falta de trabalho, mas
devido às perseguições que sofriam. Suas propriedades e bens foram confiscados
pelo poderio romano, e além de tudo, esses servos de Deus, ainda sofriam
encarceramento, por se oporem ao paganismo presente na cidade. No entanto, está
declarado na confissão de Cristo, que eles eram ricos. Podemos nos perguntar:
em que? Nas riquezas espirituais. Eles eram de fato ricos: nas obras, na fé, na
oração, no amor não fingido, na leitura da Palavra de Deus. Estas coisas diante
de Deus se constituem do ponto de vista do cristianismo as riquezas da alma (Mt
6.20; 1Tm 6.17-19).
2. O valor das nossas
provações é inestimável
Podemos perceber nas
palavras dirigidas por Jesus a igreja de Esmirna que ela, tanto como a igreja
de Filadélfia não receberam nenhuma reprovação. No entanto, mesmo sendo
elogiada, foi exortada a manter-se fiel (Ap 2.10). Por fim, Cristo lhe faz
promessas consoladoras a fim de recompensar aos que vencerem (Ap 2.10,11). Vejamo-nas
detalhadamente:
2.1 Cristo prevê que um
sofrimento maior estava por vir. Podemos perceber claramente na declaração
de Cristo que apesar da igreja estar sofrendo no presente: “eu sei a tua
tribulação“, estaria também enfrentando um sofrimento futuro, no entanto, foi
estimulada a não temer: “Nada temas das coisas que hás de padecer” (Ap 2.10).
Na verdade, Jesus nunca prometeu uma vida isenta de dores e provações aos seus
discípulos (Jo 16.33), muito pelo contrário, sempre advertiu que os que seguissem
deveriam levar a cruz (Mt 16.24). Porém, Ele prometeu estar conosco em todo
tempo: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”
(Mt 28.20-b);
2.2 Cristo prevê qual
seria o tipo de sofrimento. O texto nos fornece a informação de quem estava por
trás da perseguição e qual seria o sofrimento experimentado pelos cristãos de
Esmirna: “Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais
tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei
a coroa da vida” (Ap 2.10). As perseguições promovidas pelos romanos àquela
igreja, com a ajuda dos judeus (os que se dizem), foram obras de Satanás. Sob
alegação de que os cristãos de Esmirna estavam “traindo” o imperador, houve um
encarceramento em massa, e a seguir o imperador ordenou o martírio de muitos
daqueles. Segundo historiadores, em uma só catacumba de Roma foram encontrados
os remanescentes ósseos de cento e setenta e quatro mil cristãos,
aproximadamente;
2.3 Cristo prometeu
galardoar os vencedores. Todo o sofrimento e provação que aqueles fiéis
seguidores de Cristo, estavam enfrentando, segundo o próprio Jesus, teriam uma
recompensa: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10). Assim
como Cristo usou a coroa de espinhos (Mt 27.29) e depois a coroa de glória (Hb
2.9).
Semelhantemente, os
cristãos passariam pelo sofrimento para depois receberem dele a coroa,
prometida a todos aos que o amam (Tg 1.12). Esta esperança também ardia no
coração do apóstolo Paulo (II Tm 4.8). A expressão “coroa” do grego “sthepanos” diz
respeito a um prêmio ou recompensa dado como símbolo de triunfo nos jogos ou
competições. A Escritura denomina esta recompensa de coroa da vida (Ap
2.9); coroa da justiça (II Tm 4.8); coroa de glória (I Pe
5.4). Por isso, os cristãos foram incentivados a resistirem o pecado até a
morte, cientes de que, o verdadeiro prejuízo não era a morte física, mas a
espiritual, da qual eles já estavam livres, pelo sacrifício de Cristo: “Na
verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que
me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte
para a vida”. (Jo 5.24).
APLICAÇÃO
1. Suportar as provações
resulta em recompensa
2. Nossas vidas devem está
a disposição do Senhor, pois, com Ele está as chaves da morte, e do inferno.
3. Será que você está
preparado para segurar o testemunho da
fé que professa mesmo em ameaça de perder a vida?
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a cidade
de Esmirna desfrutava de uma grande prosperidade material; no entanto a igreja
de Cristo naquele lugar, por se opor as práticas pagãs, sofria: pobreza,
perseguição e até morte. Isto fez com que Jesus lhes enviasse uma pequena
carta, a menor em comparação com as outras, porém, grande em conteúdo, pois
confortava aqueles cristãos que, apesar de pobres, eram ricos; mesmo
perseguidos deveriam permanecer fiéis; e ainda que morressem, morreriam apenas
fisicamente, pois seriam vencedores dignos da coroa da vida (Ap 2.11). Que
possamos ter estes cristãos como um exemplo de que, mesmo passando por grandes
sofrimentos, por amor a Cristo, devemos permanecer firmes e inabaláveis,
imitando a perseverança do nosso Senhor, que pelo gozo que lhe estava proposto
tudo suportou (Hb 12.2).
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