O SENHOR QUE GOVERNA TODAS AS COISAS
Por: Rev Fábio Henrique do Nascimento Costa
INTRODUÇÃO:
Apesar do nome, o livro de Provérbios é mais que uma coletânea de provérbios. Os capítulos de 1 – 9 contêm alguns discursos longos, e o livro termina com um poema de louvor à mulher virtuosa (31. 10 – 31). Entretanto, grande parte do livro é preenchida por ditados e provérbios pelos quais é mais conhecido.
A Natureza da literatura proverbial: Toda cultura possui seus provérbios e sua sabedoria tradicional, aliás, o estudo da sabedoria e dos provérbios era uma atividade prezada pelos antigos escribas e mestres. Ainda hoje há escritos que preservam essa sabedoria antiga do Egito, da Mesopotâmia e da Grécia.
Ainda que a literatura de provérbios seja útil para todos, sua interpretação é facilitada quando temos em mente os primeiros destinatários para os quais foi escrito. Provérbios é muito prático, pois ele trata mais de questões corriqueiras da vida do que grandes conceitos filosóficos. Sua estrutura e organização são também em muitos sentidos semelhantes às de outros escritos de sabedoria, especialmente os do Egito.
Mas a sabedoria israelita é diferente da de outras nações por afirmar que Deus é o ponto de partida na busca da verdadeira sabedoria: “O temor do Senhor é o principio da Sabedoria” (Pv. 1.7; cf. 9.10; Sl. 111.). do começo ao fim provérbios lida com preocupações práticas do individuo que conhece a Deus, o livro ensina o fiel a viver. Nesse sentido, mesmo quando trata de questões humanas comuns, provérbios jamais é secular.
Formas de ensino de sabedoria: Mesmo uma leitura superficial revela as muitas maneiras criativas pelas quais o livro transmite suas lições. Provérbios não é só interessante como leitura, seus ensinos são também memoráveis. Seguem-se algumas das principais formas de expressão:
Provérbio: Provérbio é uma breve observação ética (13.7) ou um ensinamento cuidadosamente construído.
Admoestação: A admoestação é um preceito escrito ou em forma de um provérbio curto (16.3) ou como parte de um discurso longo (1. 10-19).
Ditado numérico: O modelo numérico relaciona elementos que têm alguma coisa em comum depois de uma introdução como esta: “Há três coisas que... sim, quatro” (30. 24-31).
Ditado do tipo “melhor é”: O ditado do tipo “melhor é” segue o padrão “A é melhor que B” (21.19).
Pergunta retórica: a pergunta retórica é uma pergunta com resposta obvia que, ainda assim, leva o leitor a uma reflexão mais profunda. (30.4).
Poema de sabedoria: Os poemas ou cânticos de sabedoria ensinam uma série de lições morais, como em (31. 10-31). Esses poemas apresentam-se muitas vezes em forma de acróstico.
História exemplar: A história exemplar tem por objetivo ensinar uma lição moral. (7. 6-27).
A estrutura de Provérbios: provérbios é, na realidade, uma coletânea de vários livros:
Provérbios de Salomão (Pv. 1 – 24). Essa obra inclui um título e prólogo (1.1-7) e um texto principal dividido em discursos (1.7 – 9.18), ditados proverbiais (10. 1 – 22.16), e outros provérbios dos sábios (22.17 – 24.22) e outros provérbios dos sábios (24. 23-24).
Provérbios de Salomão transcritos pelos homens de Ezequias (Pv 25 – 29). Essa seção não tem prólogo; trata-se simplesmente de um apanhado de vários provérbios.
Provérbios de Agur: (Pv. 30). Essa coletânea contém vários ditados numéricos (30. 7 – 9, 15ª, 15b, 16, 18-19, 21-23,24, 29-31) e diversos provérbios. Os versículos 2-9 podem ser considerados um prólogo.
Palavras de Lemuel (Pv. 31). Esse livro dividido em duas partes trata das responsabilidades do rei (31. 2 – 9) e traz um elogio à mulher virtuosa.
A data e a autoria de Provérbios: O texto diz que s quatro obras acima são respectivamente de Salomão, de Salomão conforme transcrição dos escribas de Ezequias, de Agur de Lemuel conforme aprendeu de sua mãe. Isso significa que a maior parte de Provérbios (1 – 29) vem essencialmente de Salomão. Mesmo assim, muitos estudiosos modernos crêem que essas coletâneas formaram-se muito mais tarde. Alguns crêem que Provérbios foi escrito só cinco séculos depois de Salomão, embora outros situem as coletâneas na época da monarquia, uns trezentos anos após Salomão.
Mas não há indícios fortes que nos obriguem a abandonar a declaração bíblica de que Salomão. Mas outras obras de sabedoria avançadas e complexas aparecem em textos do antigo Oriente Próximo. Além disso, lemos na Bíblia que o reinado de Salomão foi como que o florescer da sabedoria no antigo Israel e que Salomão estava na liderança desse estudo (1 Rs 10. 1-9). Sendo assim não é de estranhar que a principal literatura de sabedoria israelita venha desse período.
Agur e Lemuel podem ser pseudônimos de pessoas nos sejam familiares; é mais provável, porém, que Agur e Lemuel sejam apenas sábios sobre os quais não temos nenhuma informação.
Já que não conhecemos a identidade dos autores, não temos como saber as datas de composição. Mas não há motivo para datar essas divisões muito tardiamente. Ademais, ainda que não possamos ter certeza de quando surgiu o livro de Provérbios como temos hoje, o reinado de Ezequias (716 – 687 a.C) é uma conjectura razoável (25.1).
A origem dos provérbios: Dizer que Salomão dói o principal autor de Provérbios não implica que ele tenha redigido cada provérbio de suas divisões. Pelo contrário, muito de sua obra consistiu em coligir os “provérbios dos sábios” (22.17); 24.23). De quem são esses provérbios?
Com certeza uma fonte básica da sabedoria israelita era a família, na qual os ensinos tradicionais eram transmitidos de geração em geração. Os provérbios com freqüência tratam o leitor por “meu filho” e o instam a seguir os ensinamentos do pai e da mãe (por exemplo, 1.8).
Uma segunda fonte eram as escolas em que os escribas tanto compilavam como compunham literatura de sabedoria. Muitos de tais escribas são conhecidos pela literatura egípcia, e a Bíblia fala de escribas e sábios no antigo Israel e Judá (Pv. 25.1; 1 Cr. 27.32; Jr. 18.18). Esses homens não só formavam a classe intelectual da época, como também eram conselheiros dos reis (Gn. 41.8). Salomão, como rei, devia manter grande contato com eles no intuito de desenvolver os seus próprios estudos e escritos (1 Rs 4. 31,34)
É fácil ver, portanto, por que Provérbios contêm tamanha variedade de tipos de ensinamento. As lições mais informais e bem-humoradas talvez venham dos ensinamentos tradicionais da família israelita (veja 11.22 e 26.3). As composições mais literais mostram a influência dos escribas da corte (1. 20-33).
ANÁLISE TEOLÓGICA DAS PALAVRAS:
· bl:Esta palavra geralmente é traduzida por: coração, entendimento, mente. No uso concreto esta palavra refere-se ao órgão interno e a correspondente região do corpo. No entanto, em seus sentido abstrato, “coração” tornou-se o mais significativo termo bíblico para designar a totalidade da natureza interior ou material do homem. Na literatura bíblica é o vocábulo usado com maior freqüência para indicar as funções imateriais da personalidade humana e também o mais abrangente para designá-las, visto que na Bíblia praticamente toda função imaterial do homem é atribuída ao “coração”. Como expressão idiomática possui uma intensidade tal que se torna virtualmente um sinônimo de idéia “mente” ou “senso”. Pois na condição de centro do pensamento e do intelecto, o coração pode ser iludido (Is. 44.20).
· yker>D:Esta palavra é traduzida por: Caminho, estrada, jornada, maneira e trabalho. Relacionada com o verbo “dãrak” “pisar, pisotear” esta palavra refere-se primeiramente ao caminho gasto, batido, de tanto andar-se nele. Essa palavra com freqüência refere-se as ações e ao comportamento do homem, o qual ou segue o caminho dos ímpios ou o caminho dos justos (Sl. 1.6). o caminho do justo está ligado intimamente ao caminho do Senhor. Os pais devem ordenar a seus filhos que guardem os caminhos do Senhor (Pv.22.6). Que se encontra nos estatutos e mandamentos da lei de Deus (1Rs. 2.3). os caminhos de Deus são muito mais elevados do que os homens, e os ímpios são instados a abandonar seus caminhos pecaminosos (Is. 55. 7-9).
· ^yf,_[]m:Esta palavra é traduzida por: Obras, designos, feitos. É emprega numerosas expressões consagradas, sempre com a mesma idéia básica. E freqüentemente é empregada com o sentido de obrigação ética. Muitas vezes o povo da aliança recebeu ordens para “fazer” tudo o que Deus havia ordenado (Ex. 23.22; Lv. 1037; Dt. 6.18. etc.). e quando usada em um contexto que Deus é mencionado enfatizam um dos conceitos fundamentais da teologia em que Deus não é apenas transcendente, é também imanente na história, operando seu propósito soberano
TRADUÇÕES:
Texto original
Tradução literal
1. Para o homem planos do coração e apartir do Senhor a resposta da língua.
2. Todas as ações do homem é bom com os olhos ele examina sopro Do Senhor
3. O rolar para fora do Senhor as vossas obras serão estabelecidas
Minha tradução:
1. O homem em seu coração planeja, mas o Senhor com a boca é quem determina.
2. Pois suas ações parecem boas aos seus olhos, mas o Espírito do Senhor o examina.
3. As vossas obras serão estabelecidas pela palavra que vem do Senhor.
Revista e Atualizada
1. O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR.
2. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.
3. Confia ao SENHOR as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos
Versão Almeida
1. Do homem säo as preparações do coração, mas do SENHOR a resposta da língua.
2. Todos os caminhos do homem säo puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.
3. Confia ao SENHOR as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos.
Bíblia de Jerusalém
1. Ao homem os projetos do coração, de Iahweh vem a resposta da língua.
2. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas Iahweh pesa os espíritos.
3. Recomenda a Iahweh as tuas obras, e teus projetos irão se realizar.
Versão NVI.
1. Ao homem pertencemos planos do coração, mas do SENHOR vem a resposta da língua.
2. Todos os caminhos do homem lhe parecem puros, mas o SENHOR avalia o espírito.
3. Consagre ao SENHOR tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedido.
COMENTÁRIO TEOLÓGICO DO TEXTO
Muitos dos discursos em Jó procuram demonstrar que Jó ou seus amigos possuem a sabedoria. Cada qual tenta mostrar-se mais sagaz do que sua contraparte, mas o resultado é a constatação da incompletude do seu conhecimento. Na analise final, porém, somente Deus expressa a verdadeira sabedoria da renovação e do sustento da vida, pois somente as palavras do Senhor satisfazem o desejo de Jó e seus amigos têm que abraçar a revelação da sabedoria de Deus.
Os provérbios provêem a sabedoria, ensinando que ela é igualmente dependente da revelação da verdade divina ao obediente e fiel remanescente. Aqui, as situações envolvidas são menos dolorosas do que aquelas em Jó. São tratadas as circunstâncias de vida normal com a intenção de ajudar o povo de Deus a passar da imaturidade à maturidade. Embora esse tipo de assunto possa parecer mundano ou até mesmo secular, o fato é que os seres humanos não podem tornar-se sábios somente pela própria vontade.
Como Jó o livro de Provérbios é, no geral, um produto da antiga sabedoria tradicional do Oriente Médio e da tradição da sabedoria israelita em particular. Como tal, o livro utiliza tipos literários proverbiais encontrados na literatura de outros países. Esses tipos literários expressam temas comuns daquelas terras, como o uso sábio do dinheiro, a necessidade de servir a realeza atentamente e de modo satisfatório, a necessidade de evitar as mulheres pecaminosas, a importância de observar a veracidade, e assim por diante. É assunto de interesse de todas as pessoas que se esforçam para viver numa sociedade decente e obediente a lei. Ao mesmo tempo, as idéias características da teologia do Antigo Testamento também estão compreendidas nessas declarações, transformando o material do senso comum em orientação divina.
Essencial entre essas ênfases teológicas é o monoteísmo. Crawford Howell Toy escreve em Provérbios.
O monoteísmo e tido como correto, Deus é considerado supremo e absoluto em poder, sabedoria e bondade, e o único sinal de antropomorfismo na concepção teísta (é a invisível hostil) e zombeteira atitude de Deus com relação ao pecador (1.26 / 11.20)[1]
A chamada persistente para uma sabedoria divinamente revelada, em Provérbios 1 – 9, dá passagem à instrução direta a Provérbios 10 – 24. Onde espera-se que os leitores procurem escolher a sabedoria (v. 1.20) para obedecer os conselhos, promessas e exortações do pai e da própria sabedoria. Eles irão absorver os ensinamentos que os levarão para além de seu estado inicial de aprendiz. Uma vez mais, os provérbios são muito práticos. E novamente, o texto atribui suas declarações ao Senhor, afirmando que a chave para manter os mandamentos de Deus permanece no temor do Senhor.
O estudo sobre o temor do Senhor em Provérbios 10 – 24 demonstra que Deus condena o pecado, um fato evidente também em outras declarações sobre Iahweh nessa seção.
Para o justo não pode haver dúvida que o Deus criador e juiz e Soberano sobre a terra e seus habitantes. A autoridade de Deus é estabelecida de três maneiras básicas. Primeira, a certeza da graça divina para o sábio e o julgamento do ímpio demonstra que o Senhor decide a sorte de cada pessoa. Segundo, o fato de que Deus pode revogar os planos humanos significa que o criador governa sobre suas Criaturas, as pessoas podem fazer planos, como afirma 16.1, mas “aquilo que realmente acontece é decidido por Deus”. Os seres humanos podem justificar suas ações, mas Iahweh avalia cuidadosamente seus motivos reais, que podem estar escondidos aos olhos dos puros pois Deus avalia o espírito16.2, Iahweh faz tudo com o propósito específico, e esse propósito será executado 16.3. Em terceiro lugar, o fato de que Deus solicita ao justo o que o deixe julgar o mau, em vez de tomar o assunto em mãos, significa soberania e confiabilidade divina.
O texto em análise apresenta verdades incontestáveis sobre a ação providencial de Deus naquilo que o homem planeja e naquilo que Deus decide fazer. Nem sempre as duas coisas vêm juntas. Nem sempre o que o homem planeja fazer combina com o que Deus decreta fazer, esse texto lança luz sobre esses problemas.
Os planos dos homens em face o decreto Deus 16.1
“O coração do homem pode fazer planos” o homem nunca fica sem fazer planos. Grande parte do tempo dos homens consiste no planejamento da vida neste mundo. Nada acontece ao acaso da vontade dos homens. Tudo o que eles fazem é, via de regra, resultado de ações planejadas. É responsabilidade dos homens fazer planos. Literalmente, o texto hebraico significa que “ao homem pertencem os planos, as preparações do coração”
Como diz Louiz Berkhof em sua teologia sistemática:
“O único ato já o sugere o fato de que a Bíblia fala dele como um propósito ou conselho. Isto se conduz também da própria natureza de Deus. O seu conhecimento é de todo imediato e simultâneo, e não sucessivo como o nosso, e a Sua compreensão desse conhecimento é sempre completa. E o decreto que nele se funda é também um ato absolutamente compreensivo e simultâneo”[2]
Como os homens foram criados a imagem de Deus, e uma das reflexões dessa imagem é o uso da mente para comparar idéias, situações, comparar resultados ou conseqüências. É típico de seres inteligentes, criados a imagem de Deus, fazem planos. Não é errado planejar a vida, mesmo em alguns detalhes.
Não estou dizendo que o homem é capaz de realizar tudo o que ele planeja, mas tudo o que acontece no mundo, seja bom ou mau, tem o seu nascedouro no coração do homem, as ações más são produto das maquinações do coração dos homens.
“mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” essa frase parece não ter nada a ver com o nosso assunto, mas tem. Os lábios dos homens são simbólico daquilo que dizemos e do que planejamos fazer. Podemos planejar, mas quando vamos agir, Deus é quem tem a última palavra. As nossas palavras não são importantes como a palavra decisória de Deus. Em outras palavras, o que nós fazemos é o resultado da palavra última (que é de Deus), a resposta certa. Todavia, o que planejamos e não fazemos é simplesmente a palavra que não vem de nós e, como não temos poder para contrariar a palavra última, a nossa palavra fica sem efeito.
Quando os homens planejam sem levar Deus em conta, é muito provável que os seus planos não funcionem. Quando os homens planejam, eles têm que colocar Deus no meio de seus pensamentos, a fim de que eles não esbarrem na vontade mais forte do Todo-Poderoso. Os homens têm os seus planos, mas o Senhor prevalece sobre o dos homens. Aqui vale novamente a máxima de que os homens propõem e Deus dispõe. Todavia, não se pode deixar de crer que os planos dos homens são realizados somente quando os de Deus são. Quando os homens planejam diferente planejamento de Deus (que é secreto), nada do que os homens planejam é realizado. A resposta certa é a que vem da boca do Senhor. Quando o Senhor decide então acontece.
Deus avalia a intenção do seu coração. 16.2
“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos”, os juízos que os homens emitem sobre si mesmos são parciais e imperfeitos. Freqüentemente, os homens têm uma boa impressão sobre si mesmos além do que convém. Eles se chamam ótimos naquilo que planejam. Em sua própria estima eles consideram os seus planos não somente bem-feitos, mas também moralmente sem qualquer problema. Eles são confiantes no seu sucesso porque confiam que as suas próprias palavras combinam com os planos do coração deles.
Porque os padrões morais deles são baixos, eles se acham ótimos no que fazem. A real pureza não faz parte das decisões ou dos propósitos deles. Eles é quem pensam que seus caminhos são puros porque o conceito de pureza deles está muito aquém dos padrões divinos. Eles não entendem que a justiça que eles pensam ter não passa de trapo de imundície (Is. 64.6). Eles julgam-se sábios aos seus próprios olhos.
A avaliação que os homens fazem de si mesmos e dos seus planos esbarra na própria avaliação que Deus faz dos homens. O sentido do texto é que Deus avalia as disposições íntimas do homem. Deus avalia os intentos e os propósitos do coração.
Os homens são enganados pelo seu próprio coração, mas Deus não é enganado por nada, porque ele conhece perfeitamente que o homem pecador é. Deus tem todas as coisas intimas do homem perfeitamente claras em sua mente. Nada foge do conhecimento do Senhor. A escritura diz que “todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hb. 4.13). Por essa razão, é dito que o Senhor pesa o espírito, isto é, ele pesa o coração e suas intenções.
Os que confiam a Deus as suas obras serão bem-aventurados 16.3
“Confia ao Senhor as tuas obras”, portanto os homens devem dividir com o Senhor as suas obras com urgência, sinceridade, e com um espírito consternado e santo temor, consciente de que não pode haver animo dobre em nosso coração, pois A única maneira de ter o nosso pensamento é estabelecer e comprometer o nosso trabalho ao Senhor. A grande preocupação de nossas almas deve ser comprometida com a graça de Deus, com uma dependência e submissão a que a conduta de graça (2 Tm. I. 12), todas as nossas preocupações da nossa vida deve ser comprometida com a providência de Deus, e para o soberano, sábio, gracioso e o consumar dessa providência.
“E os teus desígnios serão estabelecidos” isto é, que o sábio e fiel ao colocar em prática o que aprendeu terá a orientação de Deus para que os seus projetos tenham um fim proveitoso e feliz com resultados prósperos. Vale aqui lembrar que não só as coisas que parecem boas aos nossos olhos de fato será a resposta de Deus (Rm. 8.28), mais tudo o que acontece é para sua glória (Pv. 16.4).por isso devemos aprender com a providencia divina para não nos encontrar na “contra-mão” de Deus. (Tg. 4.13-17)
APLICAÇÃO
Por isso quando você tomar suas decisões, lembre-sede que elas são totalmente monitoradas por Deus. Nada escapa aos seus olhos atentos. Você pode enganar os homens quando você faz alguma coisa, mas não a Deus. Ele pesa todo o seu coração quando você planeja. Pois conhece todas as suas intenções e propósitos. O julgamento que Deus faz dos planos dos homens, pesando o espírito deles, é de acordo com as suas próprias santas leis. E Deus não erra em sua avaliação.
Portanto, ande limpo na presença do Senhor e esteja atento para fazer todos os seus planos em sintonia com a vontade revelada de Deus, mas ainda assim lembre-se de que ele pesa o seu espírito.
CONCLUSÃO
Portanto, concluímos que os tesouros espirituais não podem ser jogados fora. Eles são preciosos e úteis para conhecermos o presente e antevermos o futuro das ações de Deus. Por isso guarde no seu coração as obras providenciais de Deus que lhe ajudarão muito a entender as coisas que estiverem por vir a acontecer em sua vida e estarem preparados a fazer uma leitura e interpretação correta para não transformarmos as provações em tentações e assim sabemos lhe dar com as turbulências e dificuldades as quais Deus tem como finalidade forjar em nós o amadurecimento cristão.
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