quarta-feira, 27 de junho de 2012

Preguiça


PREGUIÇA
Pv. 6. 6-11
Ser preguiçoso é pecado?
Esta série de estudos tem abordado situações bem comuns do dia-a-dia de cada um de nós. Não temos dúvidas que os outros doze temas estudados sejam pecado, mas, preguiça... Será que aquela moleza própria de segunda-feira, ou curtir a cama num domingo de chuva, sem obrigação de trabalho, ou igreja é pecado?
O bicho preguiça na natureza é muito interessante. A preguiça não caça animais, mas se alimenta apenas de folhas. Ela é seletiva. Não come qualquer folha. Sua única defesa consiste em camuflar-se entre as folhas nas copas das árvores. A postura natural da preguiça é invertida em relação aos outros animais. Ela precisa viver nos galhos, e não no chão. Fica pendurada e as mãos funcionam como ganchos. Por isso, sem florestas não há preguiças. Se não tiver um galho para se pendurar entram em estresse.
A lentidão dos movimentos, o longo período de inatividade e a forma de se locomoverem e a postura são algumas de suas características. Elas não bebem água, pois a água que elas precisam para viver é absorvida do próprio alimento, através das paredes intestinais durante o processo de digestão. É um animal dócil e indiferente ao que acontece ao seu redor. Porém, observa tudo como se contemplasse a natureza. Conhece o perigo, mas não reage. Quando assustada, apega-se às pessoas ou às suas companheiras. As preguiças costumam dormir cerca de 14 horas por dia. Conforme a temperatura, podem ir até 16 horas.
Breve análise do texto
Em Eclesiastes 10.18, o sábio declara: “Pela muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa”. No entanto, é em Provérbios que encontramos vários textos sobre o assunto. O mais conhecido de todos é Pv. 6.6: “Vai ter com a formiga ó preguiçoso, olha para os seus caminhos e sê sábio”. Havia, na Palestina, um tipo de formiga chamada ceifadora, e Salomão faz a comparação bem a propósito. A formiga tem líder, tem ordem, tem horário, tem rota, tem tarefa definida, enquanto o bicho preguiça não tem nada disso. Aprender com a formiga foi a intimação do autor bíblico. Observe mais alguns versículos sobre o assunto:
Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Pv. 6.9
O preguiçoso não assará a sua caça, mas o bem precioso do homem é ser ele diligente. Pv. 12.27
O preguiçoso deseja e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta.Pv. 13.4
A preguiça faz cair em profundo sono, e o ocioso vem a padecer fome. Pv. 19.15
O preguiçoso morre desejando, porque as suas mãos recusam trabalhar. Pv. 21.25
O dicionário da língua portuguesa identifica preguiça/preguiçoso como aversão ao trabalho, indolência, morosidade, moleza, etc. O preguiçoso, segundo Provérbios, é aquele que fica deitado e dormindo; tem a caça, mas não se preocupa com o preparo; tem planos de vida, mas não concretiza nada que começa; daí, acaba prejudicando tanto a si, como aos outros.
1. Características do preguiçoso.
Quando se observa as características do bicho preguiça e as colocações do texto bíblico, percebe-se grande semelhança. Vamos listar algumas delas:
Ø A preguiça alimenta-se de folhas, pois fica mais fácil para ela. Ela se acomoda a árvore ou ao galho, e ali mesmo se alimenta. O preguiçoso se comporta da mesma forma: encosta-se nas pessoas e se aproveita do outro. Ele é interesseiro e só se envolve com o que lhe traz vantagens pessoais e, às vezes, nem isso. Paulo combate tal postura (II Ts. 3. 7,8).
Ø A preguiça fica dependurada nos galhos. O preguiçoso se apega às pessoas, não por afetividade ou porque tem um grande coração e quer o bem-estar do outro, mas porque não consegue fazer as coisas e, por isso, depende de que alguém faça por ele. A pessoa que é o ‘galho’ onde o preguiçoso fica dependurado acaba se irritando e, muitas vezes, surgem crises ou conflitos no relacionamento.
Ø A preguiça não bebe água e aproveita a que ingere alimento. A água é vida e o preguiçoso não sente necessidade de buscar vida no trabalho, nos relacionamentos, na própria vida. Contenta-se com o que consegue as custas dos outros, e não possui aspirações própria. Se as têm não movem um dedo para conquistá-las. Geralmente é uma pessoa pobre internamente. Não tem nada para repartir com o outro (Pv. 21. 25).
Ø A preguiça, diante do perigo, não reage. A apatia e a indiferença do preguiçoso são tão grandes que, ao perceber o perigo, as crises os conflitos, ele fica imóvel, achando que isso vai passar – o que nem sempre acontece. Diante de situações que são necessárias atitudes claras e decisões firmes, o preguiçoso fica impassível, aguardando que alguém faça por ele. Na realidade, continua dependurado em alguém, esperando que esse alguém tome as decisões por ele. (Ec. 10.18).
Na realidade, o preguiçoso não começa nada, pois acha que não vale a pena (Pv. 20.4). não acaba nada, sempre deixa seu trabalho pela metade. Isso nos faz lembrar o texto de Pv. 22.13 Diz o preguiçoso: Um leão está lá fora; serei morto no meio das ruas”.

2. Desculpas do preguiçoso.
Em geral, o preguiçoso é alguém que usa, com facilidade, a comunicação verbal, e convence o outro com poucas palavras. A sua maneira de ver e viver a vida é diferente e ele se justifica. Senão, vejamos:
Ø Quando chamamos preguiçoso de tratante, isto é, combina uma coisa e acaba não fazendo, ele alega que é realista. Acaba deixando a outra pessoa com o sentimento de culpa de que, se as coisas não deram certo, é porque não considerou pontos fundamentais.
Ø Se o preguiçoso é julgado por ser tolerante consigo mesmo diante de um compromisso marcado, ao qual ele não compareceu, simplesmente diz que não estava se sentindo bem naquele dia. Dá uma desculpa que não pode ser comprovada, e acaba ficando por isso mesmo.
Ø Acusar um preguiçoso de inércia é tempo perdido. Ele vai alegar que não suporta ser cobrado, que as pessoas não o compreendem, que não gosta de ser empurrado pelos outros etc. no final, os outros estão errados, e ele certo (Pv. 10.26).
Ø Muitas vezes se diz ao preguiçoso que ele é devagar mentalmente e que demora para decidir. Ele, então, responde justificando que não é isso, mas que ele é leal aos seus princípios, precisa pensar bastante, não toma decisões precipitadas... etc.
Ø Essas e outras justificativas são comuns, mas o preguiçoso jamais admite que são desculpas (Pv. 26.16).
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3. Algumas justificativas válidas.
É preciso considerar que, em algumas circunstâncias, a pessoa acaba ficando preguiçosa, não por uma questão de caráter, mas por algum problema pessoal. Senão, vejamos:
Ø Uma pessoa com anemia, a pressão sanguínea desce e ela acaba tendo pouca vitalidade e vontade de fazer as coisas. Daí a chamamos de preguiçosa, quando, na realidade, é uma questão de saúde. Tratando-se devidamente, a pessoa volta à ativa.
Ø Às, vezes, os pais criam casos com filhos que se desinteressam pelos estudos ainda pequenos, e os chamam de preguiçosos, quando a criança não está conseguindo acompanhar as aulas, por ter um problema de visão. Enxergam pouco, ou quase nada, e isso as desmotiva. É preciso cuidado para não etiquetar a criança sem saber as causas.
Ø Uma disfunção hormonal ou glandular pode provocar desmotivação para viver, e levar a uma depressão, que tem como resultado uma apatia ou (preguiça) para fazer qualquer coisa. Um tratamento médico pode resolver.
Ø Há pessoas que perderam a motivação de viver por vários fatores, quer emocionais, físicos ou espirituais. Acabam perdendo o interesse e, muitas vezes, tão taxadas de preguiçosas indevidamente. Precisam é de ajuda.
O importante é saber diferenciar entre as justificativas válidas e as desculpas. As desculpas são questão de caráter moral, e isso deve ser modificado, através da apropriação do caráter de Cristo (Ef. 4. 28; 5.1).
A preguiça é pecado quando se torna parte integrante do nosso caráter. E o cristão deve ter o caráter de Cristo, e nele não há lugar para a preguiça (Jo 5.17). o verdadeiro cristão busca a santidade e, para isso, precisa estar sempre lendo e vivendo a Palavra e em comunhão com o Senhor na oração. Uma pessoa preguiçosa vai ter dificuldades para achar tempo para ler a Bíblia e orar. Sempre vai encontrar desculpas que, segundo ela, são justificadas. E, aí, a corrida de obstáculos fica impossível de ser vencida (I Co 9. 24,25).
1. Você é uma pessoa preguiçosa? Para você, o trabalho é benção ou castigo?
2. O que você faz quando descobre que a preguiça não é uma mania do outro, mas um problema de saúde? Tem tido alguma experiência nessa área?

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