A Necessidade da Verdadeira Adoração Cap. II
Dr. Robert Godfrey
O Cristianismo é uma religião na qual indivíduos se tornam uma parte integral do corpo de Cristo. Não somos simplesmente uma associação de indivíduos, mas estamos organicamente unidos uns aos outros (1 Coríntios 12:12-27; Efésios 1:22-23). Expressamos que somos o corpo de Cristo, especialmente quando juntos encontramos a Deus em adoração pública.
Adorando Falsos Deuses
João Calvino chamou, de maneira apropriada, o coração humano de “uma fábrica de idolatria”, querendo dizer que a adoração fiel não acontece naturalmente nos seres humanos caídos. Pecadores se tornam idólatras porque Deus plantou tão profundamente a necessidade dEle mesmo nos corações humanos, que quando não conhecemos ao Deus verdadeiro, inventamos falsos deuses, falsas religiões e falsa adoração. Deus adverte contra tal adoração idólatra no primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim”. A adoração idólatra de falsos deuses é condenada por toda a Bíblia.
Adorando o Deus Verdadeiro de Forma Falsa
Precisamos ouvir o convite da Escritura para promover a adoração santa e fugir da idolatria. Mas a adoração a falsos deuses não é somente o único tipo de idolatria condenada na Bíblia. O segundo mandamento nos ensina que a idolatria não é somente uma questão de adorar falsos deuses, que é proibido no primeiro mandamento. É também uma questão de adorar o verdadeiro Deus falsamente. O segundo mandamento diz, “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20:4-6).
Este mandamento claramente proíbe o uso de imagens de Deus na adoração, mas também implicitamente proíbe toda invenção
Agradando a Deus em Nossa Adoração
humana na adoração. A proibição contra imagens significa que devemos adorar o verdadeiro Deus somente na forma que Lhe agrada. O povo de Israel reivindicou que eles estavam adorando o Senhor como o verdadeiro Deus quando eles fabricaram o bezerro de ouro. Eles consideravam a imagem como Jeová (Êxodo 32:5-6). Mas tal falsa adoração ofendeu a Deus e trouxe julgamento sobre o povo.
A história do bezerro de ouro nos lembra que o próprio povo de Deus pode cair em idolatria em sua adoração a Ele. Podemos desejar ser criativos e originais na adoração, mas essa criatividade pode conduzir à idolatria. Repetidamente no Antigo Testamento, Deus julgou Seu povo por causa de falsa adoração. Os filhos de Aarão, Nadabe e Abiú, foram fulminados e caíram mortos, por causa de oferecer “fogo não autorizado perante o SENHOR, contrário ao seu mandamento” (Levítico 10:1). Jeroboão, o primeiro rei do reino norte de Israel, e seus herdeiros foram consistentemente criticados como idólatras por causa das imagens e dos falsos templos e cultos dedicados ao Senhor. O povo de Deus foi censurado nestas ocasiões, não porque adoraram falsos deuses, mas porque adoraram o verdadeiro Deus falsamente.
O Novo Testamento também adverte contra agradar a nós mesmos com a falsa adoração. Paulo escreveu ao Colossenses condenando suas novidades e experiências como “adoração auto-imposta” (Colossenses 2:23). Jesus advertiu contra permitir que tradições dominem e subvertam a Palavra de Deus: “E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus” (Mateus 15:6). Jesus não estava falando sobre adoração quando ele fez esta declaração, mas então ele usou Isaías 29:13, que é sobre adoração, para confirmar suas palavras:
Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem. (vv. 8-9).
Dr. Robert Godfrey
Ele estava dizendo que o nosso culto a Deus, seja na vida em geral ou na adoração coorporativa, não deve ser determinada pela tradição, mas deve seguir o ensinamento de Deus na Bíblia.
Paulo especificamente advertiu os Coríntios contra a falsa adoração na forma que eles estava administrando a Ceia do Senhor. Os pecados e os erros que infectavam sua adoração levaram Paulo a acusá-los de destruir este sacramento: “De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor” (1 Coríntios 11:20). De fato, Deus se preocupa tanto sobre a adoração que Paulo registra que Deus visitou os Coríntios com julgamento por causa dos seus abusos na adoração, relacionados a este sacramento: “Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem”.
A Bíblia nos lembra que nem nossos instintos, nem nossas tradições e nem nossas experiências são guias confiáveis para a adoração. A própria Bíblia é nosso único guia confiável. Uma das ironias do nosso tempo é que muitos cristãos que afirmam a inerrância da Bíblia não a estudam realmente para descobrir o que ela diz sobre adoração. Nós devemos examinar as Escrituras para encontrar a vontade de Deus para nos guiar em nossa adoração. A Declaração de Cambridge faz a seguinte declaração: “Somente a Bíblia ensina o que é necessário para nossa salvação do pecado e qual é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser medido”.
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