GLUTONARIA
Fp. 3. 17-21
Há
aqueles que comem muito devido a uma disfunção do organismo. Alguns fazem
cirurgia para reduzir o tamanho do estômago. Outros recorrem a medicamentos e
se submetem a tratamentos rigorosos, com o objetivo de diminuir o apetite e manter
o corpo numa boa forma.
Pergunta-se:
Pessoas assim estão praticando o
pecado da glutonaria? Por quê? Como identificar um glutão?
A
moderação se aplica a tudo na vida. Evitar exageros, não ultrapassar a linha
limítrofe, etc., são atitudes que revelam equilíbrio e bom senso, trazendo
resultados benéficos para a caminhada neste mundo. Sendo assim isto se aplica à
questão alimentar. Comer bem não significa comer exageradamente. É
perfeitamente possível comer bem, aplicando-se a moderação.
Na
Roma antiga, os romanos eram glutões inveterados. Ficaram famosos na história,
entre outros motivos, pelos requintados e infindos banquetes, nos quais comiam
até não mais aguentar a comida. Depois, iam à janela mais próxima, colocavam
para fora tudo que havia sido ingerido e voltavam para a mesa. Para quê? Para
comer de novo.
Esse
fato acima constitui-se num exemplo do que seja glutonaria. É como diz o ditado
popular: “Não comem para viver, vivem para comer”. O glutão é aquele que coloca
o prazer de comer acima de qualquer outra coisa. Para o glutão, a vida só tem
sentido nos banquetes e festas gastronômicas. O pecado da gula é, portanto,
comer sem necessidade, sem sentir fome; comer além do limite, compulsivamente.
O
texto que fundamenta o presente estudo apresenta a argumentação de Paulo quanto
aos padrões de conduta e valores daqueles que se opunham ao seu ministério e
pregação.
A
orientação paulina é para que os crentes de Filípos não sigam aos maus exemplos
de falsos líderes existentes naquela igreja (v.18). esses falsos líderes,
evidenciando uma superioridade espiritual, ensinavam que o corpo é irrelevante,
pois já estavam num plano espiritual mais elevado. Assim, para eles não havia
limites nem restrições. A única satisfação deles era para com os desejos carnais.
O seu Deus é o estômago. São glutões.
1. IDOLATRIA DO VENTRE
O
apóstolo Paulo afirma, com clareza, que aqueles que são “inimigos da cruz de Cristo” têm o ventre como seu deus (v.19).
conclui-se que a prática da glutonaria constitui-se em idolatria, pois a comida
torna-se um deus, isto é, a coisa mais importante para a pessoa. O maior prazer
do glutão é estar presente em banquetes, esquecendo-se de que “não só de pão vive o homem”. (Dt. 8.3).
No
Antigo Testamento, a glutonaria era algo tão sério, associada à rebeldia, que o
glutão pagava com a própria vida por esse pecado (Dt 21 18-21).
Com
certeza, nenhum servo ou serva de Deus está impedido de participar de festas,
churrascos com amigos etc. o importante é não priorizar essas coisas em
detrimento do Reino de Deus. Não se pode fazer disso a coisa maus importante da
vida, permitindo que o ventre passe a dirigir as nossas motivações.
2. DESPERDÍCIO
O
glutão não conhece limites, nem sabe o que é desperdício. Comendo além do
necessário, a pessoa está desperdiçando comida, enquanto milhares à sua volta
estão morrendo de fome. Com certeza, o rico da parábola contada por Jesus era
um glutão. Enquanto se banqueteava, lázaro comia o que era jogado no lixo. (Lc.
16. 19-31).
Na
igreja de Corito havia alguns glutões. Em 1 Co 11.21, oferecendo instruções
quanto à participação da Ceia, e orientando quanto à refeição comunitária na
vida da igreja, Paulo escreve: “Porque ao
comerdes, cada um toma, antecipadamente a sua própria ceia; e há quem tenha
fome, ao passo que há também quem se embriague”. Era prática comum na
igreja a realização do ágape, isto é, uma refeição comunitária, após a qual
celebrava-se a Ceia do Senhor. No entanto, na igreja de Corinto, esta festa
estava sendo descaracterizada, pois os mais abastados antecipavam a sua ceia,
enquanto outros que não tinham o que comer passavam fome.
Os
cristãos precisam conscientizar-se de que a solidariedade é uma virtude cristã.
O egoísmo não é uma virtude daquele que caminha com Jesus. Aliás, o desafio é
para que alimentemos inclusive “os nossos
inimigos”. (Rm. 12.20).
3. MALES FÍSICOS
Comer
demais é má mordomia. É fazer uso errado de um bem que Deus proporcionou a
todos. É obrigar o organismo trabalhar mais do que precisaria normalmente. A
alimentação descontrolada traz sérios prejuízos para a vida física. Todos sabem
os males que o cigarro traz para o organismo, no entanto, não há preocupação
para em saber quais os males que uma má alimentação pode trazer para o corpo.
Na
culinária do povo de Deus, no Antigo Testamento, havia uma preocupação com uma
alimentação saudável e equilibrada. Observa-se que havia a recomendação para
não se ingerir gordura. (Lv. 3.17). Daniel e seus companheiros recusaram a
comida da Babilônia e preferiram uma dieta mais saudável (Dn. 1. 8-21).
O
cristão sabe que o Reino de Deus não é “comida nem bebida” (Rm 14.17); sabe que
não é o que entra pela boca o que contamina o homem espiritualmente (Mt 15.11);
sabe que não precisa ser vegetariano, mas deve preocupar-se com sua saúde, pois
o seu corpo é templo do Espírito Santo, e como tal necessita ser bem tratado,
bem cuidado.
Há
casos em que se torna necessário procurar uma orientação médica, devido a um
desequilíbrio do organismo, a fim de se aplicar uma reeducação alimentar. Há,
também, aqueles que se habituaram a uma má alimentação e que precisam modificar
seus hábitos alimentares, mesmo sem precisar buscar uma orientação médica. O
importante em se tratando de excessos na alimentação e maus hábitos
alimentares, é reeducar-se nessa área.
Reflexão Pessoal
1. Você se sente uma pessoa segura
ante o pecado da glutonaria?
2. De que maneira você se comporta nas
festas das quais participa?
3. Como você pode ajudar alguém que
enfrenta o problema da glutonaria?
O
autor é Sérgio Pereira Tavares pastor da Igreja Presbiteriana, e diretor da
Revista Didaquê.
Era um glutão até 15 dias atrás. Meus pés racharam devido a tanta comida. Atacou o ácido úrico. Ao ler sobre o assunto de glutonaria, percebi que estava indo para o inverno. Mudei muito, e já sinto grandes melhoras físicas e espirituais. Obrigado pela matéria.
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