segunda-feira, 23 de abril de 2012

Murmuração


MURMURAÇÃO
Nm. 14
Tem gente que vê dificuldade em tudo, só dá contra, e diz: - “Eu sou realista!”.
O que você acha dessa atitude?
No capítulo 10 de 1 Co, Paulo relembra alguns pecados cometidos por Israel, no deserto, e as tristes consequências da infidelidade. No versículo 10 ele faz a seguinte advertência: “Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador”. Este versículo é uma referencia ao episódio narrado no texto básico deste estudo – Números 14 – quando os filhos de Israel foram duramente castigados pelo Senhor, por causa da murmuração.
“Murmurar”, conforme o dicionário, é soltar queixumes, lastimar-se, queixar-se em voz baixa, falar mal, apontar faltas, formar mau juízo de alguém ou de alguma coisa. Foi exatamente isso que aconteceu com o povo de Israel, após o relatório trazido pelos homens que foram espiar a terra (Nm. 13. 25-33). O Senhor indignou-se ante a atitude do povo: “Até quando sofrerei esta má congregação que murmura contra mim? Tenho ouvido as murmurações que os filhos de Israel proferem contra mim” (v.26).
O objetivo deste estudo é alertar quanto ao pecado da murmuração e incentivar os crentes a uma vida de inteira confiança em Deus, de gratidão, e de apoio aos líderes.
Diante dos desafios da caminhada, Israel se pôs a murmurar (v.1). as soluções que começaram a se desenhar, como fruto da murmuração, apontavam para um fim desastroso: a rejeição a autoridade de Moisés e Arão e sua substituição; o retorno ao opressor; o apedrejamento de Josué e Calebe por não compartilharem do pessimismo do povo (vv. 2-10).
Mas Deus intervém, manifestado-se em glória sobre o tabernáculo (v.10). A condenação divina aos murmuradores é severa (vv. 11,12,23,29,33,34,37).
O nosso Deus é misericordioso e providente. Ele conduz o seu povo e supre as suas necessidades. Por isso, reprova a murmuração. A murmuração é sinal de incredulidade, de ingratidão, e de um agir irrefletido.
Moisés intercede pelo povo (vv. 13-23). Deus se dispõe a perdoar o povo, mas não os livra das suas consequências (vv. 2, 29,32, 33,35). Também não estavam levando Deus a sério. Na verdade os murmuradores não gostam de se submeter, agem por conta própria.
1. A ação dos murmuradores consistem em puxar para trás.
O tema da murmuração, focalizado em números 14, não é novo na caminhada de Israel. A murmuração está vinculada à incredulidade do povo e, em diversas circunstancias, verifica-se tal atitude. Na ocasião narrada no texto eles estavam acampados em Cades Bernéia. Anteriormente, o povo já havia murmurado, conforme relatam as passagens de Êxodo 14. 11,12; 15. 24; 16. 2,3,12; 17.3 e Números 11.1. tudo isso se deu logo após a saída do Egito. Por causa da murmuração, Deus fez com que eles permanecessem no deserto cerca de 38 anos (Dt. 2. 14-15).
Embora a providencia divina fosse inconfundível durante aquela jornada, o povo estava constantemente duvidando. A liderança e a autoridade de Moisés eram questionadas (v.4). em diversas ocasiões Deus já havia se manifestado a Moisés, o qual desempenhava a importante função de mediador. Apesar disso, eles se opunham a Moisés, contendiam, lastimavam-se. Os desejos, em vez de estarem projetados para a terra da promessa, estavam fixados no Egito. Tinham grande desejos das comidas dos egípcios (Ex. 16.3 Nm 11. 4-6). Em vez de olhar para frente, olhavam para trás. O comodismo do passado sobrepunha-se aos riscos e possibilidades do futuro. Eles diziam: “Não nos seria melhor voltar para o Egito?” (v. 3).
A murmuração é tipicamente pessimista. Os murmuradores estão sempre a reclamar e a dar contra. Os versículos 39 a 45 comprovam isto. Quando era para subir à terra prometida, eles se recusaram. Quando era para retroceder e aguardar, eles teimaram em prosseguir. Eles estão sempre em descompasso. Para até que é pelo simples fato de ser contra.
A murmuração é fruto da incredulidade, pois os murmuradores, como já foi exposto, não creem, não confiam. Na igreja, infelizmente, é muito comum encontrar pessoas assim. Vivem a criticar, acham que todos estão errados, tudo é difícil, nenhuma ideia ou projeto vai funcionar. Em vez de colaborar, torcem para que as coisas deem erradas. Tal atitude, além da antiética, depõe contra a causa cristã e trás prejuízo a toda comunidade.
2. A murmuração tem um efeito contagioso na comunidade
O texto diz que “Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão” (v.2). a murmuração é um mal que rapidamente envolve a todos. De uma hora para outra, a liderança bem sucedida de Moisés e Arão se vê ameaçada: “E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos para o Egito” (v.4).
A ação destrutiva dos murmuradores continua a fazer estragos entre o povo de Deus e arruinando a vida dos líderes. Muitas vezes, pessoas crentes e ingênuas, acabam sendo usadas e manipuladas em conflitos de interesses. Líderes íntegros e comprometidos com Deus são desonrados e injustiçados, como aconteceu com Moisés. Counidades inteiras são afetadas, experimentando inimizades, divisões e enfraquecimento.
A conduta pouco ética dos murmuradores faz com que, em pouco tempo, muitos sejam contagiados. A ferramenta deles é a língua, a palavra. A propósito, vale a pena considerar as advertências contidas no capítulo 3 da carta de Tiago, quanto aos pecados da língua e o dever de refreá-la.

3. É preciso resistir a tentação da murmuração
A murmuração é uma tentação sempre presente diante de nós. Pode até tornar-se um hábito. Conter a língua, ou falar o que é certo, de maneira correta, na hora apropriada e com quem deve ouvir, é uma arte que nem todos dominam. A fórmula indicada por Tiago é muito útil para nos disciplinar neste sentido “Todo homem, pois seja pronto para ouvir e tardio para falar, tardio para se irar” (Tg. 1.19).
Não se pode confundir o questionamento bem intencionado e a crítica construtiva, com a murmuração. Esta inclui más intenções; é insensível e traiçoeira; é negativa e destrutiva. Somos desafiados a rever a maneira como tratamos os nossos líderes, pois o alvo dos murmuradores é sempre a liderança (Fp 2. 25,29; 1 Ts 5.12, 13; Hb. 13.17).
A murmuração é incompatível com uma vida cristã marcada por fidelidade, confiança e cooperação. Conforme já foi marcada na introdução, o texto de 1 Co 10 – que recorda experiências de Israel no deserto – contém advertências quanto a uma série de erros que devemos evitar, dentre eles, a murmuração (1 Co 10.10).
A murmuração afasta a benção e atrai o juízo de Deus. Mas, quando a murmuração cede lugar a confiança em Deus, a união e a cooperação entre os irmãos “Aí derrama o Senhor a sua benção e a vida para sempre” (Sl. 133).
Devemos tomar cuidado para não incorremos no pecado da murmuração. Ela pode ser extremamente prejudicial, tanto para nós, quanto para a igreja. É por isso que a palavra de Deus recomenda: “14 Fazei tudo sem murmurações nem contendas,  15 para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo,  16 preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente”.(Fp. 2. 14-16).
Para reflexão pessoal
1. Quando alguma coisa na igreja não está do seu agrado, você costuma procurar o pastor e a liderança para conversar, ou prefere ficar comentando por fora denegrindo com o que não concorda?
2. Você tem facilidade de ser influenciado por aqueles que só puxam pra trás? Como se deve agir nestas situações?
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Êx. 15. 22-27
Êx. 16. 1-10
Nm. 11. 1-15
Dt. 1. 19-46
Sl 106
1 Co 10. 1-13
Fp. 2
O presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev. Eneziel Peixoto de Andrade.

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