segunda-feira, 23 de abril de 2012

Hipocrisia


HIPOCRISIA
Mt. 23
Você acha que há situações em que a hipocrisia é justificável? Por quê?
A sua comunidade tem sido afetada pela hipocrisia?
A palavra “hipocrisia”, na antiguidade, não tinha esta conotação negativa que hoje conhecemos. Barclay afirma: “que hipocrisia, na antiguidade, estava associada com outras realidades: a) um interprete ou expositor de sonhos; b) um orador ou sofista; c) um recitador de poesias; e d) um ator”. A conotação negativa que a hipocrisia assumiu nos dias atuais vem exatamente deste último uso – ator, o que desempenha um papel, o que se apresenta de uma forma sem, na verdade, ser aquilo que aparenta.
Nos dias de Jesus, esta prática estava bastante associada à religiosidade dos fariseus. Eram eles os “piedosos” da religião, devotos rigorosos e inquiridores da observância da Lei. Na verdade eles assim desejavam ser conhecidos, mas não era nada daquilo que afirmavam.
Mas, como a hipocrisia nos é revelada? Como Deus vê essa prática? Como devemos tratar esse mal terrível?
1. AS MANIFESTAÇÕES DA HIPOCRISIA
Nos evangelhos, percebemos claramente como a hipocrisia se manifestava na vida dos religiosos dos dias de Jesus. O Dr. Barclay faz uma análise de como o hipócrita era conhecido:
a) É o homem que se dá a representar publicamente a bondade. É o homem que quer que todos vejam dar esmolas (Mt. 6.2), que o vejam orar (Mt. 6.5), que saibam que está jejuando (Mt. 6.16). É o homem cuja bondade visa agradar não a Deus, mas os homens.
b) É o homem que, no próprio nome da religião, quebra as leis de Deus. É o homem que diz que não pode ajudar seus pais, porque já tinha dedicado seus bens ao serviço de Deus (Mt. 15. 4-6; Mc. 7.10-13). É o homem que se recusa a ajudar um enfermo no sábado, embora descuide do bem-estar de seus animais no mesmo dia (Lc. 13-15). É o homem que prefere sua própria ideia de religião à de Deus.
c) É o homem que esconde seus motivos verdadeiros sob uma máscara de fingimento. Os motivos das pessoas que perguntaram a Jesus sobre os impostos não era com a intenção de aprender e sim de embaraçar o Senhor Jesus para que o pudessem pegar em algum erro (Mc. 12.15; Mt. 22.18).
d) É um homem que esconde um coração mau sob a máscara da piedade. Os fariseus eram assim (Mt. 23.28). É o que prática todos os gestos externos da religião, enquanto no seu coração há orgulho e arrogância, amargura e ódio. É o tipo de pessoa que nunca deixa de ir a igreja e que nunca deixa de condenar um pecador.
e) O hipócrita acaba ficando cego. Pode interpretar os sinais do clima, mas não pode ler os sinais de Deus (Lc. 12.56). Enganou aos outros tão frequentemente, que acabou enganando a si mesmo.
f) O hipócrita é o homem que, pela causa da religião, afasta as pessoas do caminho certo (Gl. 2.13; I Tm 4.2; I Pe. 2.1). Persuadem os outros a lhe darem ouvidos, em vez de escutarem a Deus.
g) No fim, o hipócrita é o homem sujeito à condenação de Deus (Mt. 24.51).
Aqui há uma advertência. De todos os pecados, a hipocrisia é aquela no qual é o mais fácil cair; e entre todos os pecados, é o mais rigorosamente condenado.
2. A HIPOCRISIA É ABOMINÁVEL AOS OLHOS DE DEUS.
Atentemos na linguagem usada pelo Senhor no texto. Ela revela, de maneira inequívoca, quão abominável é, aos olhos de Deus, o espírito dos escribas e fariseus, não importando a forma em que se manifeste. Em Mt. 23. 13-36, encontramos, por 8 vezes, a expressão usada pelos profetas no AT para referir-se a condenação – AI! O primeiro ‘ai’ nesta lista foi dirigido contra a sistemática oposição dos escribas e fariseus ao progresso do evangelho (v.13). O segundo ‘ai’ é dirigido contra a cobiça e o espírito de autoengrandecimento (v.14). O terceiro ‘ai’ é dirigido contra o zelo pelo partidarismo (v.15). O quarto ‘ai’ é dirigido contra as doutrinas e juramentos anunciados pelos escribas e fariseus (v.16). O quinto ‘ai’ é dirigido contra a exaltação das coisas menos importantes, em detrimento das essenciais (v.23). O sexto e o sétimo ‘ais’ são dirigidos contra uma característica geral da religião dos escribas. Para eles, a pureza exterior e a decência estavam depois da santificação interior e da pureza de coração (vv. 25,26). E o último ‘ai’ é dirigido contra a veneração fingida que eles demonstravam pela memória dos santos já mortos.
Nesta passagem inteira, podemos ver a deplorável situação espiritual em que se encontrava a nação judaica nos dias de Jesus. Se assim eram os mestres, quão grande deve ter sido a escuridão dos que por eles eram ensinados.
3. O TRATAMENTO DA HIPOCRISIA
A finalidade dessa passagem bíblica é condenar a hipocrisia e mostrar que ela não é o melhor caminho para agradar a Deus. Pelo contrário, Jesus mapeou suas mais intensas manifestações e condenou seus mais seguros praticantes. A perspectiva de vida com Deus, apresentada por Jesus, traz inerente um remédio contra a realidade da hipocrisia.
Em Mt. 5.8, Jesus, ao dar início aos seus ensinamentos, no chamado Sermão do Monte, difere completamente do discurso e prática dos fariseus. Ela enaltece a importância de buscarmos a pureza de coração. Se a hipocrisia traz em si a condenação de Deus, por outro lado, a pureza de coração, a transparência de intenção, e a ausência de contaminação nos desejos garantem a aprovação do Senhor.
O grande desafio em nossos dias é uma prática coerente, pura, desprovida de jogos de interesses escondidos. Busquemos a pureza de coração e rejeitemos a hipocrisia dos fariseus.
Que a nossa oração seja como a do rei Davi: “Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações, e que de sinceridade te agradas” (I Cr. 29.17).
Consideremos também a exortação de Hebreus: “Aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé” (Hb. 10.22).
Para reflexão
1. Você se olha no espelho, tranquilo, tendo a certeza de que não é um hipócrita?
2. Como você tem tratado os hipócritas?
3. A sua maneira de agir está correta?
O presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev. Carlos de Oliveira Orlandi Junior.

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