HIPOCRISIA
Mt. 23
Você
acha que há situações em que a hipocrisia é justificável? Por quê?
A
sua comunidade tem sido afetada pela hipocrisia?
A
palavra “hipocrisia”, na antiguidade, não tinha esta conotação negativa que
hoje conhecemos. Barclay afirma: “que hipocrisia, na antiguidade, estava
associada com outras realidades: a) um interprete ou expositor de sonhos; b) um
orador ou sofista; c) um recitador de poesias; e d) um ator”. A conotação
negativa que a hipocrisia assumiu nos dias atuais vem exatamente deste último
uso – ator, o que desempenha um papel, o que se apresenta de uma forma sem, na
verdade, ser aquilo que aparenta.
Nos
dias de Jesus, esta prática estava bastante associada à religiosidade dos
fariseus. Eram eles os “piedosos” da religião, devotos rigorosos e inquiridores
da observância da Lei. Na verdade eles assim desejavam ser conhecidos, mas não era
nada daquilo que afirmavam.
Mas,
como a hipocrisia nos é revelada? Como Deus vê essa prática? Como devemos
tratar esse mal terrível?
1.
AS MANIFESTAÇÕES DA HIPOCRISIA
Nos
evangelhos, percebemos claramente como a hipocrisia se manifestava na vida dos
religiosos dos dias de Jesus. O Dr. Barclay faz uma análise de como o hipócrita
era conhecido:
a)
É o homem que se dá a representar publicamente a bondade. É o homem que quer
que todos vejam dar esmolas (Mt. 6.2), que o vejam orar (Mt. 6.5), que saibam
que está jejuando (Mt. 6.16). É o homem cuja bondade visa agradar não a Deus,
mas os homens.
b)
É o homem que, no próprio nome da religião, quebra as leis de Deus. É o homem
que diz que não pode ajudar seus pais, porque já tinha dedicado seus bens ao
serviço de Deus (Mt. 15. 4-6; Mc. 7.10-13). É o homem que se recusa a ajudar um
enfermo no sábado, embora descuide do bem-estar de seus animais no mesmo dia (Lc.
13-15). É o homem que prefere sua própria ideia de religião à de Deus.
c)
É o homem que esconde seus motivos verdadeiros sob uma máscara de fingimento.
Os motivos das pessoas que perguntaram a Jesus sobre os impostos não era com a
intenção de aprender e sim de embaraçar o Senhor Jesus para que o pudessem
pegar em algum erro (Mc. 12.15; Mt. 22.18).
d)
É um homem que esconde um coração mau sob a máscara da piedade. Os fariseus
eram assim (Mt. 23.28). É o que prática todos os gestos externos da religião,
enquanto no seu coração há orgulho e arrogância, amargura e ódio. É o tipo de
pessoa que nunca deixa de ir a igreja e que nunca deixa de condenar um pecador.
e)
O hipócrita acaba ficando cego. Pode interpretar os sinais do clima, mas não
pode ler os sinais de Deus (Lc. 12.56). Enganou aos outros tão frequentemente,
que acabou enganando a si mesmo.
f)
O hipócrita é o homem que, pela causa da religião, afasta as pessoas do caminho
certo (Gl. 2.13; I Tm 4.2; I Pe. 2.1). Persuadem os outros a lhe darem ouvidos,
em vez de escutarem a Deus.
g)
No fim, o hipócrita é o homem sujeito à condenação de Deus (Mt. 24.51).
Aqui
há uma advertência. De todos os pecados, a hipocrisia é aquela no qual é o mais
fácil cair; e entre todos os pecados, é o mais rigorosamente condenado.
2.
A HIPOCRISIA É ABOMINÁVEL AOS OLHOS DE DEUS.
Atentemos
na linguagem usada pelo Senhor no texto. Ela revela, de maneira inequívoca,
quão abominável é, aos olhos de Deus, o espírito dos escribas e fariseus, não
importando a forma em que se manifeste. Em Mt. 23. 13-36, encontramos, por 8
vezes, a expressão usada pelos profetas no AT para referir-se a condenação –
AI! O primeiro ‘ai’ nesta lista foi dirigido contra a sistemática oposição dos
escribas e fariseus ao progresso do evangelho (v.13). O segundo ‘ai’ é dirigido
contra a cobiça e o espírito de autoengrandecimento (v.14). O terceiro ‘ai’ é
dirigido contra o zelo pelo partidarismo (v.15). O quarto ‘ai’ é dirigido
contra as doutrinas e juramentos anunciados pelos escribas e fariseus (v.16). O
quinto ‘ai’ é dirigido contra a exaltação das coisas menos importantes, em
detrimento das essenciais (v.23). O sexto e o sétimo ‘ais’ são dirigidos contra
uma característica geral da religião dos escribas. Para eles, a pureza exterior
e a decência estavam depois da santificação interior e da pureza de coração
(vv. 25,26). E o último ‘ai’ é dirigido contra a veneração fingida que eles
demonstravam pela memória dos santos já mortos.
Nesta
passagem inteira, podemos ver a deplorável situação espiritual em que se
encontrava a nação judaica nos dias de Jesus. Se assim eram os mestres, quão
grande deve ter sido a escuridão dos que por eles eram ensinados.
3.
O TRATAMENTO DA HIPOCRISIA
A
finalidade dessa passagem bíblica é condenar a hipocrisia e mostrar que ela não
é o melhor caminho para agradar a Deus. Pelo contrário, Jesus mapeou suas mais
intensas manifestações e condenou seus mais seguros praticantes. A perspectiva
de vida com Deus, apresentada por Jesus, traz inerente um remédio contra a
realidade da hipocrisia.
Em
Mt. 5.8, Jesus, ao dar início aos seus ensinamentos, no chamado Sermão do
Monte, difere completamente do discurso e prática dos fariseus. Ela enaltece a
importância de buscarmos a pureza de coração. Se a hipocrisia traz em si a
condenação de Deus, por outro lado, a pureza de coração, a transparência de
intenção, e a ausência de contaminação nos desejos garantem a aprovação do
Senhor.
O
grande desafio em nossos dias é uma prática coerente, pura, desprovida de jogos
de interesses escondidos. Busquemos a pureza de coração e rejeitemos a
hipocrisia dos fariseus.
Que
a nossa oração seja como a do rei Davi: “Bem sei, meu Deus, que tu provas os
corações, e que de sinceridade te agradas” (I Cr. 29.17).
Consideremos
também a exortação de Hebreus: “Aproximemo-nos com sincero coração, em plena
certeza de fé” (Hb. 10.22).
Para
reflexão
1.
Você se olha no espelho, tranquilo, tendo a certeza de que não é um hipócrita?
2.
Como você tem tratado os hipócritas?
3.
A sua maneira de agir está correta?
O
presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev.
Carlos de Oliveira Orlandi Junior.
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