segunda-feira, 23 de abril de 2012

Amargura


AMARGURA
Hb. 12. 14-17
É possível um crente em Cristo Jesus viver uma vida de amargura e, mesmo assim, crescer em santidade?
É possível ser amargo e feliz ao mesmo tempo?
De acordo com o moderno dicionário da Língua portuguesa, a palavra “amargura” significa: “sabor amargo, aflição, angustia, desgosto, dor moral, azedumes... dissabores”. Não nos restam dúvidas que a amargura é uma questão que desafia, a cada dia, pessoas crentes no Senhor Jesus, na busca da santidade. Ela apresenta uma série de reações adversas no comportamento humano, alterando as atitudes, aguçando o temperamento e causando danos na vida do crente. Por este motivo, o crente deve estar sempre vigilante quanto às coisas que geram amargura na alma. Vejamos algumas delas, a partir do texto bíblico de Hebreus. 12. 14-17.
TÓPICOS PARA REFLEXÃO
A amargura é uma raiz que brota onde o pecado não é vigiado.
O versículo 15 diz: “nem haja alguma raiz de amargura que, brotando...” “Se olharmos, como cuidadosos estudiosos da Bíblia, fiéis aos princípios de que a Bíblia interpreta a própria Bíblia, veremos, no início do versículo 15, as palavras que definem como essa raiz brota. Diz o próprio texto: “atentando, diligentemente, porque ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus”. Parece que esta raiz de amargura brota de corações faltosos. Moisés também afirma o mesmo: os que contaminam o povo com o veneno da idolatria são aqueles cujos corações se desviam do Senhor. Para Calvino, em seu comentário de Hebreus, esse sentimento de amargura brota de duas fontes:
Desejos pecaminosos: O coração humano é contaminado pelo pecado e os desejos do coração são comprometidos com esta inclinação pecaminosa (Jr. 17.9). Jesus adverte aos discípulos de que as coisas que contaminam o homem são aquelas que saem do coração, como frutos de seus desejos (Mt. 15. 19,20). Sendo assim, a amargura brota de desejos pecaminosos.
Ilusória esperança de impunidade: esta é outra fonte perigosa de onde brota a amargura. Por se tratar de ressentimento guardado na alma, muitos se iludem pensando que irão espalhar este sentimento no seio da igreja, e que, no final, ficarão impunes; afinal, não se conhece alguém que tenha sido disciplinado por alguma igreja por semear a amargura no meio do povo. Mas o fiel juiz de toda a terra sonda os corações (I Sm. 16.7). não devemos nos esquecer disso.
A Bíblia diz que aquele encobre as suas transgressões, jamais prosperará (Pv. 28.13). Muitos corações escondem amarguras e ressentimentos e não sabem porque se desenvolvem tão pouco na vida cristã, na santificação. Quando alguns garotos norte-americanos praticaram um massacre em uma das escolas nos Estados Unidos, o então presidente Bill Clinton expressou assim, a sua preocupação: “Há um grande número de outros garotos por aí que estão acumulando ressentimentos dentro de si, e fora do nosso alcance”. Não deixe brotar esse mal em seu coração e nem no meio da igreja.
É oportuno observar a advertência feita por Deus a Caim (Gn. 4.7).
A amargura perturba a harmonia e a paz.
No versículo 15 encontramos estrutura: “nem haja raiz de amargura que, brotando, vos perturbe”. O menor efeito que podemos ver deste terrível mal é que ele perturba o ambiente onde se instala. A linguagem do autor é para que os seus leitores possam atentar para esse mal que perturba a igreja, envenena almas e desarmoniza comunidades inteiras. A amargura perturba ao próprio individuo.
Li, certa vez, uma frase que me chamou muito a atenção. Dizia. “Muitos parecem carregar um inferno dentro de si, e aonde vão, o inferno vai com ele, porque o inferno está dentro deles”. A verdade é que algumas pessoas atentam para o fato de que guardam amarguras dentro de si, e, por isso, não conseguem viver em paz e harmonia consigo mesmas. Sua palavra tende a ser depreciativa. Transferem para os outros aquilo que está dentro de si e que as perturbam. Tratam os outros com dureza, parecem até mesmo não terem aprendido a amar. Paulo exorta a que tenhamos em nós o mesmo sentimento que houve, também, em Cristo Jesus (Fp. 2.5).
Jesus disse que um pouco de fermento leveda toda a massa. O que Moisés chama de “raiz que produz erva venenosa e amarga” é exatamente um tipo de veneno que perturba, incomoda, afeta quem está por perto também. Em vez de produzir a paz, produz a intoxicação.
A amargura atinge a comunidade.
A amargura é perturbadora, tanto para quanto a possui, quanto para os outros.
O grande problema de amargura é que ela contamina o ambiente. Assim como o sal, o fermento o tempero, em geral, a amargura atinge a totalidade.  Ela contamina a comunidade com seu efeito maléfico. Quando um membro da igreja fica amargurado com alguma situação, nem sempre consegue guardar aquilo só para ele, e logo temos uma comunidade contaminada.
No versículo 16, o autor compara tal atitude como procedimento de alguém impuro e profano, e mais, semelhante a Esaú, que vendeu o direito de primogenitura. Mais tarde, querendo herdar a benção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento Gn. 27. 32-35). Parece um caminho sem volta. Contamina-se de tal forma que não encontra saída. Quantas vidas amargas! Quantos corações contaminados por palavras venenosas! Quanta imprudência e ausência de vigilância daqueles que deviam estar. “semeando a paz”! (Tg. 3.18). peça a Deus para te livrar da amargura, porque ela adoece a alma.
Vencendo a amargura com uma vida de santificação
Encontramos, na Bíblia, todas as coisas que nos conduzem a vida e a santidade. O próprio texto de Hebreus que estamos estudando nos apresenta material de sobra para vencermos a amargura, e crescermos em santidade. O autor, nesse contexto, apresenta-nos as seguintes alternativas: “Segui a paz com todos (...) atentando diligentemente para que ninguém seja faltoso (...) nem haja impuro ou profano” (vv 14-16).
Numa igreja onde os membros zelam pela vida de santificação, que aliás é uma obra preciosa do Espírito Santo no coração do crente, dificilmente crescerá qualquer raiz de amargura. Mas, onde reina a carnalidade, o descaso com a vida espiritual, esses males desenvolvem juntamente com outros pecados. O crente é desafiado a viver em santificação.
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Gn 26. 26-35
Gn 37
Dt 29. 16-29
1 Sm 30. 1-6
Mt 15. 1-20
Ef. 4. 25 a 5.2
Cl 3. 18-25

O presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev. Ildemar de Oliveira Berbert.


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