segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mentira


MENTIRA
Cl 3. 5-11
Será que é necessário dizer a verdade em qualquer situação?
A retenção da verdade é, necessariamente, uma mentira?
O filosofo Aristóteles distingue duas espécies fundamentais de mentira: “jactância que consiste em exagerar a verdade; e a ironia, que consiste em diminuí-la. Nestes dois casos não se trata de simples mentira, mas de vícios mais graves”.
Conforme os dicionários, mentira é engano, impostura, fraude, falsidade, erro, ilusão, juízo falso, fábula, ficção etc. mentir é contar ao próximo aquilo se sabe que é falso, como sendo verdadeiro. É interessante que há no calendário popular o “dia da mentira”.
O pior é que a mentira faz parte do cotidiano de muitas pessoas, de uma forma até costumeira ou inconsciente, tornando-se um costume, um hábito negativo, gerando sérios prejuízos.
Paulo, dirigindo-se aos cristãos em colossos, que estavam ameaçados por ensinos errôneos difundidos pelos falsos mestres (Cl. 2. 16-23). Apresenta verdades de suma importância, em forma de mandamentos, dentre as quais se encontra esta: ”Não mintais uns aos outros”, (v.9). esta recomendação está inserida no contexto do “Novo homem que se refaz para o pleno conhecimento , segundo a imagem daquele que o criou” (v. 10). O apóstolo realça, neste trecho bíblico, uma série de imperativos relativos a conduta cristã, convocando a cada um mostrar na prática, que o cristão está morto para o pecado e vivo para Deus. O desejo e as orientações paulinas dizem respeito àqueles que haviam se convertido do paganismo e que, agora, deveriam revelar uma nova vida, colocando em prática aquela profissão de fé no ato da conversão (Cl. 2.13). é nesse sentido que ele fala sobre “Fazer morrer a natureza terrena”, e “E se despojar” e “se despir do velho homem com seus feitos”, pois agora a vida não é mais como noutro tempo (vv. 8,9). Na língua original, a ideia paulina refere-se ao ato de despir e o ato de vestir. Isso porque os cristãos são convocados a demonstrar que não pertencem mais ao “reino das trevas”, mas sim, que foram “transportados para o reino do Filho” (Cl. 1.13). trata-se do grande desafio de renunciar a vida antiga, ou seja, abrir mão dos velhos hábitos  viver agora, de modo novo. Nesse contexto, ele menciona, de modo inicial, o mandamento não “Não mintais”.
Esse mandamento, que ocorre também em Ef. 4.25, é o assunto central deste estudo, o qual tem como objetivo mostrar o cristão, que é nova criatura, precisa ter uma postura diferente, eliminando qualquer tipo de mentira em sua vida, revelando-se uma pessoa comprometida com a verdade.
1. Tipos de mentira
Olhando para a própria Bíblia, verificamos a menção de alguns tipos de mentira, os quais são obstáculos que precisam ser transpostos:
Falsas acusações contra o próximo (Pv. 6. 16-19; Mt. 5.11);
“Mentirinhas” , ou meia verdade (At. 5.34);
Enfeitar ou exagerar a verdade (Pv. 30.6);
Gabar-se de atitudes que não foram executadas (Pv. 25.14);
Desculpar o pecado praticado (Pv. 17.15);
Brincadeiras enganosas e que prejudicam o próximo (Pv. 26. 18,19);
Deixar de cumprir as promessas feitas a Deus e ao próximo (Ec. 5.4-6; Tg 5.12);
Inversão da verdade divina (Rm. 1.25).
Entretanto, aqui é necessário focalizar alguns casos bíblicos onde a mentira parece justificada, apesar de tudo. Este é um assunto de difícil compreensão, mas que precisa ser mencionado num estudo como este: no caso de Abrão, quanto a Sara ser sua irmã (Gn. 12.20); no caso de Raabe, para proteger os espias de Israel (Js. 2.3-6); e no caso das parteiras do Egito, visando proteger as crianças dos hebreus (Êx. 1.15-22). Estes são alguns tipos especiais de mentira, considerado como exceções por serem considerados como “choque de mandamentos”. Essas são mentiras aparentemente justificáveis pelo motivo de salvar vidas e defender os interesses nacionais. Esses casos especiais não servem de regra geral, mas precisam ser citados, pois estão relatados na palavra de Deus, que é um livro verdadeiro e autêntico. Ninguém deve usar esses exemplos como desculpas para justificar suas mentiras.
É preciso ser vigilante nesta área, pois uma mentira sempre leva a outras mentiras, isso para que se encubra a primeira. Porém, seja qual for o tipo de mentira, ela deve ser enquadrada neste mandamento: Não mintais.
2. Prejuízos da mentira
São vários os prejuízos que a mentira provoca, e aquele que profere mentiras não escapa deles (Pv. 19.5). torna-se impossível mencionar todos eles, mas é preciso destacar os seguintes:
2.1 Prejudica o relacionamento com Deus – Deus é verdadeiro e abomina a mentira, pois Ele é a própria verdade (Jo 17.3). Ele não pode mentir (Hb. 6.18). A Bíblia afirma que Jesus é a verdade (Jo 14.6) e que o Espírito Santo é o Espírito da verdade (Jo. 16.13). portanto, quando a mentira prevalece, o relacionamento com Deus fica prejudicado. O profeta Isaias disse que os pecados fazem separação entre as pessoas e Deus (Is 59. 2,3). É impossível relacionar-se bem com Deus, usando a mentira.
2.2 Dificulta o relacionamento com Deus – a mentira possui a faculdade de colocar as pessoas em situações conflituosas. Ela promove inimizades, contendas e separações. Muitos relacionamentos interpessoais estão quebrados por causa da mentira (Pv 25.18,19,28). A mentira provoca a perda de confiança mútua, prejudicando o bom relacionamento com o próximo. Isso ocorre entre muitas pessoas, que chegam até a dizer: “Agora eu não confio mais em ninguém. Eu não confio mais em você”. Conforme o comentarista Ralph P. Martin, “A mentira leva ao rompimento da comunhão com Cristã, porque engendra a suspeita e a desconfiança, e assim destrói a vida em comum no corpo de Cristo, mediante a qual somos membros uns dos outros”.
2.3 Destrói o próprio mentiroso – Com certeza, o prejuízo mais drástico é o que causa a morte. Isso está claríssimo no episódio bíblico de Ananias e Safira. Este era um casal, até certo ponto bem intencionado. Mas, devido a prática da mentira, ele tombou morto aos pés de Pedro (At 5. 1-11). A palavra profética de Oséias apresenta um povo rebelde, corrupto e mentiroso, e, por causa disto, ele declara: “a terra está de luto” (Os 4.13).
Quantos tentam adquirir riquezas utilizando a mentira como sua arma principal! Mas a Bíblia diz que isso é laço mortal (Pv 21.6). aqui está a seriedade deste delito, levando à morte e ao castigo final (Ap. 21.8; 22.15).
3. A verdade no lugar da mentira
O ensino central desse estudo reside aqui, pois a vontade de Deus, os princípios bíblicos e aquilo que promove a felicidade entre o povo de Deus, é que a verdade reine absoluta. O sábio Salomão disse que os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor (Pv 6. 16-19; 12.22). Paulo oferece seu exemplo pessoal, declarando “não minto” (Gl 1.20). Jesus disse com clareza, que a palavra do cristão é esta: “sim, sim; não, não” (Mt 5.37). é bom lembrar que a recomendação paulina quanto ao perfil de um oficial de igreja tem muito a ver com uma vida integra, verdadeira e sem falsidade; ele diz que os diáconos devem ser de uma só palavra (1 Tm 3.8).
Fica evidente que toda pessoa que se chama pelo nome de cristão possui o dever de refletir a natureza e o caráter de Deus que é verdadeiro, e não a imagem de Satanás, o enganador e o pai da mentira (Jo 8.44). Deus escolhe cada um para ser semelhante a imagem de seu Filho (Rm 8.29).
Quando a mentira dá lugar a verdade é possível perceber:
Paz com Deus, com os outros e consigo mesmo;
União, amor e alegria na igreja;
Pleno funcionamento do corpo de Cristo;
Autoridade e capacitação para se pregar o evangelho ao mundo
Progresso humano e preservação da vida.
Finalmente, não se pode esquecer que é impossível se esconder de Deus. Ele sabe e ouve tudo o que se fala. Por isso, mais cedo ou mais tarde, a mentira será descoberta (Pv 12.19).
Reflexão pessoal
1. Você tem cumprido a recomendação de Cl 3.9, contribuindo assim, com o bem-estar de sua comunidade?
2. Você já enfrentou alguma situação em que teve dificuldade para falar a verdade? Como reagiu? A sua atitude foi a correta?
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Sl 15
At 5. 1-11
Rm 16. 17-20
Ef 4. 25-32
1 Jo 1. 5-10
1 Jo 2. 1-24
Ap. 21.8

O presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev. Anderson Sathler.

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