terça-feira, 24 de abril de 2012

Luxúria


Luxúria
Gl. 5.19
Em sua opinião, antigamente as pessoas eram mais, ou menos maliciosas que hoje?
O assunto do estudo de hoje é “luxúria”, uma palavra com muitos sinônimos que descrevem um mesmo e velho pecado.
Para começo de conversa, busquemos definições no dicionário para três palavras que estão relacionadas:
Luxúria: incontinência, lascívia, sensualidade, dissolução, corrupção, libertinagem;
Lascívia: luxúria, libertinagem, sensualidade;
Libertinagem: devassidão. O termo “libertinagem”é explicado da seguinte forma, em nota da Bíblia NVI: “Ato de viver somente para o prazer próprio, de esbanjar a vida em prazeres tolos ou perversos”.
Nas variadas versões da Bíblia, há textos onde uma mesma palavra foi traduzida para o nosso idioma com uma ou outra dessas palavras acima. Por exemplo, em Gl 5.19 aparece a palavra lascívia (na edição Almeida atualizada), e luxúria, com esta mesma ideia de uma vida sem regras e entregue às paixões desenfreadas, onde o corpo é consumido no prazer, sem levar em conta as consequências.
1. Um mundo em busca do prazer.
Não precisamos e não devemos ficar com um falso saudosismo, sempre a dizer: “Ah, antigamente não era assim...” Em que pese toda a malícia humana que cresce e aparece, há muitos aspectos que são quase que permanentes na raça humana, e outras coisas que são mais ou menos recorrentes vejam (Os 4). Homens e mulheres sempre estiveram em busca do prazer. Há muitas coisas que podem dar prazer. No presente estudo, destaca-se o sexo. A luxúria é o abuso do sexo, quando não se contém e não se controla, mas se corrompe  vive dissolutamente.
Uma das principais características desse tipo de vida é o individualismo. Aí o sexo é usado de forma a satisfazer os apetites de uma só pessoa. Não há uma preocupação mínima com a outra pessoa.
Outra característica da luxúria é a multiplicação das relações sexuais, como se muito sexo com muitas pessoas diferentes capacitasse o ser humano a tornar-se melhor; como se o homem fosse mais masculino e a mulher mais feminina com a multiplicação das relações.
Uma terceira característica é que a prática sexual se torna insaciável. O ser humano não se contém, nunca está satisfeito e pensa no sexo como se fosse capaz de lhe trazer respostas e dignidade; então, nunca para. Ainda que outro ponto, é que essas relações tendem a ser efêmeras. São passageiras, aleatórias e sem qualquer compromisso, pois não há o respeito de convivência.
O livro de apocalipse nos mostra a queda da Babilônia, o império que dominava e oprimia as pessoas. Riquíssimos e poderoso, deixou-se perder na luxúria (a palavra aparece três vezes em Ap 18). A derrota, o enfraquecimento moral, a queda são precedidos por uma vida de luxúria.
2. Um projeto divino para o ser humano e para o mundo.
No livro da criação, Gênesis, encontramos de modo muito claro, que Deus criou o ser humano macho e fêmea (Gn 1. 27,28). Há alguns destaques que devemos fazer com relação ao assunto:
a) Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Não é o homem (macho) nem a mulher (fêmea) que isoladamente são apresentados como imagem de Deus. Deus criou homem e mulher como seres iguais em essência.
b) O ser humano, dividido entre homens e mulheres essencialmente iguais, é diferente em determinados aspectos. Essas diferenças não indicam inferioridade ou superioridade de um ou outro, mas existem para que homem e mulher se complementem. E, aqui, a sexualidade humana exerce um papel fundamental. Um aspecto físico do que uma parte significa para a outra, é a reprodução humana. Para a geração de uma vida, é necessário o concurso do homem e da mulher.
c) A sexualidade, embora sendo parte da reprodução humana, não pode ser resumida aos aspectos físicos exclusivamente. Isto é, a sexualidade não se refere unicamente aos órgãos sexuais ou genitais. Conforme o projeto de Deus, são necessário uma mulher e um homem para a reprodução. Porém, deve-se levar em conta que o ser humano é composto de outras partes que se integram, além da sexualidade. Então, a relação entre os sexos deve ter também outros aspectos, pois, ao ser humano foi dado o privilégio de ter a imagem divina, de dominar sobre a terra, de comunicar-se etc. A prática sexual deve, necessariamente estar ligada ao amor, ao carinho, à afetividade e ao compromisso.
3. Um desafio a igreja.
 Porque somos cristãos e conhecemos o projeto divino para o ser humano e vivemos em uma sociedade que se distancia desse projeto, devemos considerar a tão grande responsabilidade que a igreja de Jesus Cristo tem perante a sociedade e diante do Deus Eterno que nos chamou para uma missão no mundo. Pois bem, apresentar o desejo divino para a raça humana no que concerne à sexualidade faz parte da missão integral da igreja. Alguns quesitos são aqui propostos:
a) Ter uma teologia clara e correta do corpo humano é fundamental. Devemos erradicar do pensamento cristão de que o corpo é mau e serve apenas para aprisionar a alma que é boa que deve voltar-se para Deus. Essa ideia é dos gregos antigos e não é encontrada na Bíblia. Na Teologia Bíblica, o corpo foi criado por Deus tão bom quanto a parte espiritual. Aliás, para o pensamento hebreu, nem há divisão entre a parte material nem a parte espiritual. O ser humano é perfeitamente uno, integral, numa perfeita unidade: corpo e alma.
b) A igreja deve mostrar um claro ensino sobre sexualidade, a partir da sadia doutrina do corpo humano. Não é possível deixar de falar em sexo com os nossos jovens, adolescentes, crianças e adultos. Devemos derrubar tabus para que, aprendendo com uma boa Teologia Bíblica, nossos irmãos e irmãs não descubram sobre sexualidade coisas distorcidas, como está cheio na televisão, no rádio, nas rodinhas de bate-papo, nos jornais e na internet.
c) É preciso deixar muito claro que a atividade sexual envolve o carinho, a afetividade, o amor e compromisso entre as pessoas. Este ensino é importante nos dias atuais, em que a moda é “ficar” (como dizem os adolescentes e jovens) apenas para desfrutar de um prazer eventual e passageiro (as vezes com graves consequências), mesmo sem conhecimento prévio do parceiro ou da parceira – prática da luxúria.
d) A igreja deve ser um espaço de acolhimento, amparo e orientação para aquelas pessoas que, porventura, despencaram na vida emocional e sexual. Muitas vezes agimos muito mais como punidores e torturadores do que como pessoas amorosas, que amparam e ajudam os outros a levantar, para andar melhor.
e) A igreja deve ter uma clara percepção da ação divina nela e através dela, pois é a ação de Deus que nos capacita a deixar as “obras da carne” e produzir o “fruto do Espírito” (Gl 5. 16-25). Portanto, forças para agir de modo diferente do mundo vêm de Deus, não de nós mesmos (Rm 8. 5-11).
f) A igreja, dirigida pelo Espírito de Jesus Cristo, não pode ter medo ou vergonha de apresentar ao mundo o contraste da Palavra de Deus em relação ao que se faz hoje. Paralela a ação destro dos próprios muros eclesiásticos, deve-se ter uma ação externa que confronte o mundo e provoque mudanças (Rm 12.2).
1. O que você deve fazer em sua vida pessoal, acerca dos programas de televisão, músicas ou literatura que incentivam a luxúria?
2. Você tem cultivado uma sexualidade conforme os padrões bíblicos?
3. Você acha que, em determinados casos, o indivíduo deve procurar ajuda para tratar o problema da luxúria?
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Dt 23. 17,18
Ez 16. 15-43
Os 4
Mc 7. 14-23
Gl 5. 16-25
II Pe 2
Ap 18

O presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev. Silas Luiz de Souza.

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