segunda-feira, 23 de abril de 2012

Egoísmo


EGOÍSMO
Mateus 22.34-40
O povo brasileiro é egoísta?
“Cada um por si e Deus por todos!” – Com certeza, você já ouviu esta frase. Ela traduz o conceito que muitos têm da vida. São aqueles que se preocupam apenas consigo próprios. E não são poucos os que só querem levar vantagem. Esta, atitude, tão presente no coração humano, que se manifesta nos relacionamentos é chamada “egoísmo”.
   O dicionário define “egoísmo” como sendo “amor exclusivo de sua pessoa e de seus interesses”. De fato, o egoísta  não se preocupa com os outros,  mas trata só de seus próprios interesses.
A ética cristã, emanada da Palavra de Deus, é contundentemente contraria às atitudes egoístas. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo enfatizar a ética cristã centrada no amor, e despertar o povo de Deus para um viver altruísta, o que, sem dúvida, apresenta um positivo testemunho ao mundo.
Breve Analise do Texto
A passagem tomada por base para este estudo apresenta o relato de mais uma das tentativas da conspiração dos saduceus  e fariseus contra Jesus. A intenção de um dos interpretes da Lei, ao formular a Jesus a pergunta sobre qual seria o maior mandamento consiste em amar a Deus sem reservas. Jesus prossegue e recorre a Levítico 19.18 para dizer que há um segundo mandamento, ligado ao primeiro, o qual consiste em amar o próximo como a si mesmo.
Conforme R. G. V. Tasker, “um homem não pode amar a Deus num sentido real sem amar também a seu próximo, feito como ele a imagem de Deus” (Mateus – Introdução e comentário, Mundo Cristão/Vida Nova). Esta é a mensagem de I João 4.20,21. Os evangelistas Marcos e Lucas também relatam o episodio (Mc 12.28-34 e Lc 10.25-37), mas não dizem que o interprete da lei estava experimentando a Jesus.
Enfatizando a centralidade do amor, Jesus declara que “destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (v.40). Mas, por que são estes dois mandamentos os mais importantes? Guilhermo Herdriksen sugere três razões     
Características e males decorrentes do egoísmo
Escrevendo ao jovem Timóteo (II Tm 3.1-9) o apóstolo Paulo o preveniu de que nos últimos dias sobreviriam os tempos difíceis, egoístas. Como já foi exposto na introdução, o egoísmo caracteriza-se pela concentração dos interesses do individuo em si mesmo, em detrimento das necessidades do semelhante.
O ser humano foi criado por Deus para viver numa saudável interdependência – “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). O salmista declarou: “Oh como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” (Sl 133.1). A igreja do Novo Testamento se distinguia em virtude de um estilo de vida desprendido e altruísta (At 4.32-37).
Na sociedade moderna verifica-se um acentuado individualismo. Em vez de aproximar as pessoas, como pareceria lógico, a globalização acaba promovendo o isolamento e o distanciamento. O modelo econômico neo-liberal interfere diretamente em nossas relações. O mercado transforma-se numa selva, e “salve-se quem puder”. O resultado disso é que retrocedamos à mentalidade de Caim> “acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Os homens  deixaram de ser irmãos e parceiros e transformam-se em concorrentes.
A lógica capitalista, cujo fim supremo é o acumulo, oferece forte respaldo para o desenvolvimento de uma cultura do egoísmo. E o pior, é que a teoria capitalista é capaz de entorpecer e aplacar a consciência, tornando-nos insensíveis ante o seu subproduto que é a miséria. Alguns, para justificar a sua apatia, chegam a fazer um uso cínico da bíblia, citando, por exemplo, fora do seu contexto, passagens como Marcos 14:7: “Porque os pobres, sempre os tendes convosco...”
A riqueza produzida no mundo e os recursos disponíveis são suficientes para garantir uma condição de vida digna a todos os habitantes do planeta, com acesso ao básico: alimentação, moradia, saúde e educação. Não faltam recursos. O problema é que sobra egoísmo. O egoísmo é o grande responsável pelas cruéis e brutais desigualdades entre pessoas, povos e nações. Mas a Palavra de Deus garante um severo juízo contra aqueles que pensam apenas em si (Is 5.8; Lc 12.20,21;Tg 51-6).

O egoísmo e o mandamento do amor
A ética cristã esta fundada no amor: amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ai não há espaço para o egoísmo. A parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37) ilustra muito bem o que significa amar ao próximo como a si mesmo.
Aonde prevalece o egoísmo não há amor, nem ao próximo nem a Deus. É por isso que Jesus condenou os fariseus e sua falsa devoção (Mc12.38.40).
O amor abre caminho para o encontro e a harmonia do ser humano com o Criador, com o próximo, consigo mesmo e com o meio-ambiente. O amor gera vida e liberdade. Quando o amor determina as nossas relações, ai se estabelece a fraternidade, a partilha, a cooperação e a justiça.
O egoísmo arraigado em tantos corações e mentes tem sido um grande empecilho para construção de um mundo mais humano, justo e solidário. Diante da cultura do individualismo e da competitividade que rege o mundo hoje, onde o outro é visto não como irmão e parceiro, mas apenas como concorrente, o povo de Deus é desafiado a deflagrar uma revolução: A Revolução do Amor (Mt 5.43-48).
O desafio a um viver altruísta
“Altruísmo” é o oposto de “egoísmo”. Ser altruísta significa amar ao próximo, ser abnegado, estar comprometido com causas filantrópicas.
O altruísmo deve ser marca inconfundível de todo cristão. É deprimente alguém se declarar cristão, e viver egoisticamente. Em seu livro ética do Novo Testamento Heinz-Dietrich Wendland declara: “Não há amor verdadeiro e pleno, de coração todo à Deus, sem amor ao próximo”.
O altruísmo cristão, ordenado por Jesus, transforma-se num veemente testemunho ao mundo (Mt. 5.16)
O nosso compromisso solidário não pode se limitar a igreja a que pertencemos. Devemos abrir o coração às necessidades que nos rodeiam, e o nosso envolvimento devem ser mais abrangente e efetivo. Muitas ONGS têm ocupado espaços onde quem deveria estar era a igreja. O evangelho que pregamos muitas vezes se mostra acentuadamente conceitual e teórico, e pouco altruísta. Aprendamos com Jesus! (Mt 9.35-37; 14. 13-21).
A influência do modo de vida atual atinge também os cristãos. Cada um deve avaliar se está vivendo conforme a ética do reino de Deus, fundada no amor, ou se está simplesmente seguindo o curso deste mundo.
O desafio a um viver altruísta tem implicações não apenas em relação ao bem-estar do nosso semelhante. Na verdade, tem implicações escatológicas. Diante disso, todos quanto desejam viver uma vida cristã aprovada por Deus, devem atentar para as palavras de Jesus em Mt 25. 31-46.
Reflexão Pessoal
Você se acha uma pessoa altruísta?
Você tem o costume de ajudar pessoas e entidades filantrópicas?
Que propósito você deseja firmar diante de Deus, após este estudo?
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Mt 5
Mt 25.31-46
Mc12.28-34
Lc.12.13-34
At 2.42-47
ITm6. 17-19
Tg. 5.1-6

O presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev. Enézio Peixoto de Andrade.

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