sábado, 21 de abril de 2012

Exposições no Livro de Apocalipse


A VISÃO QUE A IGREJA DEVE TER DE CRISTO
Rev. Fábio Henrique do Nascimento Costa
Ap. 1. 9-20
INTRODUÇÃO
Uma das cenas mais marcante na história da humanidade é a de Cristo quando Ele estava na cruz. Podemos o descrever na cruz mais ou menos assim: Seus cabelos cheios de sangue; Seus olhos inchados; Seus pés pregados na cruz; Sua voz rouca, porque a língua está colada ao céu da boca, por atordoante sede; Suas mãos estão cheias de pregos; Seu rosto desfigurado por causa do sofrimento e da angustia.
Mas, qual a imagem que você tem de Cristo? mas, qual a imagem que realmente devemos ter? e o que a Bíblia nos ensina a respeito da imagem que devemos ter do nosso Senhor?
ELUCIDAÇÃO
Após os primeiros oito versos de apocalipse, os quais nos falam a respeito do significado do título do livro; também conhecemos o autor do livro que é o próprio Deus; e conhecermos a quem foi enviado e o propósito.
Chegamos a segunda seção do livro a qual nos revela que: João foi comissionado a escrever o livro; nos mostra qual a imagem que devemos ter do nosso Salvador; e o relacionamento de Cristo com os pastores e a igreja.
TEMA: A visão que a igreja deve ter de Cristo
DESENVOLVIMENTO
1. A Comissão de João para escrever o livro vv. 9-11
1.1 A identificação de João com os leitores. João corrobora o conceito irmão com o termo companheiro, que significa mais que parceiro ou amigo. Ele qualifica este termo com o acréscimo da expressão “na tribulação, no reino e na perseverança que estão em Jesus”. No papel de companheiro ele partilha os sofrimentos com seus leitores que têm de suportar em três áreas: tribulação, reino e perseverança.
1.1.1 A palavra para tribulação no grego é θλιψις, ocorre 45 no NT, e tem um sentido estritamente escatológico. E está ligado intimamente com um dos títulos que se refere a Cristo como o Filho do homem. Esta tribulação pertence ao período de catástrofes antes da salvação final, e se caracteriza pela apostasia, pelo ódio, pelas lutas políticas e pelas catástrofes da natureza, sendo que tudo isso é necessário e deve acontecer (Mt. 24. 21 porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais.; Dn. 12. 1 Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro).
1.1.2. Como cidadãos no reino de Deus, os cristãos experimentam constante pressão das pessoas que constituem os inimigos de Deus, de sua Palavra e de seu povo. De todos os livros do Novo Testamento, o Apocalipse, especialmente, relata o quanto à tribulação se intensifica quando o reino se aproxima da consumação. (At. 14.22).
1.1.3 Perseverança. João a menciona no Apocalipse como um dos aspectos característicos de alguém que segue a Cristo. (Permanência num estado ou numa atividade, mesmo em caso de oposição ou fracasso Ef 6.18; Mc 13.13; Rm 2.7)
Os membros desse reino devem necessariamente sofrer e suportar, como é evidente à luz das cartas às igrejas em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira e Filadélfia. De um lado, os cristãos enfrentam tribulação em decorrência de viverem no reino; do outro, recebem de suportar pacientemente, de modo que o reino venha através de sua fidelidade a Cristo. Quando visualizamos, por esse prisma, o reino entre tribulação e perseverança, qualquer tensão é suavizada. Um hino sobre o sofrimento por Cristo, cantado na igreja primitiva, tem esta linha: “Se perseverarmos, também com ele reinaremos” (2Tm 2.12).
1.2 Local da escrita: A ilha de Patmos.
1.2.1 Patmos era uma ilha rochosa e vulcânica, para a qual o governo romano, no primeiro e segundo século, bania os exilados. Durante o fim do reinado do imperador Domiciano (81-96 a.D), João foi enviado a esta ilha, em sua próprias palavras “por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus”. Os romanos perseguiam os cristãos que não reconheciam Cesar como senhor, mas, sim, Jesus Cristo;
1.3 O anúncio de alerta
1.3.1 João ouve atrás dele uma voz forte como trombeta. Para ele, o som dessa forte voz foi inesperado e surpreendente. Entretanto, a ressonância da trombeta lhe falava de sua origem celestial, isto é, o próprio Cristo revelando-se (Êx. 19. 16,19; 20.18) ao seu povo, povo com o qual Ele tem um relacionamento de amor e compaixão. E a revelação é para toda a igreja, inclusive para nós hoje.
2. A Visão do Filho do Homem vv. 12-16
2.1 A visão de Cristo Glorificado.
2.1.1 Cristo no meio de sua igreja. E a visão do Jesus glorificado não deve ser interpretada literalmente, mas simbolicamente. Sendo que João tentou identificar a voz que falava (λαλεω), isto é, o apóstolo tentou identificar a fala e não a mensagem primeiramente, e o que ele ouviu? Ele ouviu uma voz como de trombeta, a voz de trombeta, ou seja, a mesma voz que falava do monte a Moisés (Êx. 19. 16, 19; 20.18) falando ao Seu povo de forma autoritativa, poderosa, inerrante, suficiente. vv. 12,13.
2.1.2 A descrição de Cristo e o significado dos símbolos
a. “Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, como a neve.” Cabelos brancos ou grisalhos demandam respeito e devem ser considerados como uma “coroa de esplendor” (Lv 19.32; Pv 16.31).
b. “Seus olhos eram como chama de fogo.” Esta sentença reflete uma vez mais uma memória não exata de Daniel 7.9. A intenção de João é dizer que nada escapa aos olhos penetrantes de Jesus. Ele corrobora isso na carta à igreja de Tiatira (2.18), onde Jesus diz que ele é aquele “que sonda mente e coração” (2.23).
c. “E seus pés eram como o bronze extremamente refinado como em fornalha.” o que se supõe representar por bronze polido, exceto dizer que ele reflete a glória divina. O saltério ensina que os pés de Jesus pisa sob seus pés seus inimigos (Sl 110.1).
d. “E sua voz era como o som de muitas águas.” Em outro lugar ele usa linguagem semelhante (14.2; 19.6) para comunicar a imagem da insistência do mar que é poderosamente persistente e incansável. A passagem veterotestamentária que sublinha esta sentença é Ezequiel 43.2, onde o profeta descreve a glória de Deus e diz: “Sua voz era como o som de muitas águas”. Esta passagem é agora atribuída a Jesus.
3. O Efeito da visão em João vv. 17-20
3.1 A glória do Cristo glorificado
3.1.1 A verdade é que os seres humanos são inaptos para encarar a majestade divina: os pecadores se prostram e reconhecem a presença da impecabilidade. Ao cair por terra, João sentiu como se estivesse morrendo. Não obstante, seus sentidos estavam alertas, pois estava plenamente cônscio de Jesus em pé perto dele. O Senhor lhe apareceu, não para tirar-lhe a vida, mas para mostrar-lhe seu divino poder e majestade. Nas palavras “Eu sou o Primeiro e o Último”, João reconheceu Jesus, que é o “Eu sou” (por exemplo, ver Jo 8.58). Jesus é também o primeiro como o Criador (Jo 1.1-3), o autor da salvação (Hb 2.10) e o primogênito dentre os mortos (Cl 1.18). Ele é também aquele que conduzirá todas as coisas à consumação; e assim, ao ser o cumprimento de todas as coisas, ele é o fim. Ele é o primeiro e o último, o princípio e o fim.
3.1.2 “E eu sou o que vive e que esteve morto, e eis que estou vivo para todo o sempre.” Jesus declara que é eterno, divino e “a exata representação do Ser de Deus” (Hb 1.3). Ele é aquele que vive, em contraste com todos os deuses do paganismo. Note que ele não diz que está vivo, mas que é aquele que vive e que possui a vida eterna (Jo 5.26). Ele é o doador da vida (Jo 6.33; 1Jo 5.11), e a vida que dá é eterna. E assim ele é o grande “Eu sou” (Jo 8.58). Jesus personifica a vida e ao mesmo tempo ele pode dizer: “Estive morto.” Ele refere a sua morte sacrificial na cruz do Calvário, onde venceu a morte por amor dos que retinham o medo da morte (Hb 2.14, 15).

3.1.3 Ele é quem guarda e tem o domínio sobre a igreja e os seus pastores. A interpretação de que os mensageiros às congregações são seus pastores faz sentido se considerarmos os pastores como enviados e comissionados por Cristo. São responsáveis pelo desenvolvimento espiritual do povo de Deus.
3.1.4 Durante a era veterotestamentária, Israel era indiviso e representava uma unidade. Nos tempos apostólicos, entidades nacionais emergiram na formação de sinagogas, por exemplo, a sinagoga dos homens livres e dos judeus de fala grega (At 6.9). Quando as igrejas foram estabelecidas, diferenças nacionais e idiomáticas tiveram seu papel. Não obstante, todas essas igrejas que confessavam Jesus Cristo como seu Senhor expressam unidade básica. São os candelabros de ouro que dissipam as trevas do mundo em que Deus as colocou.
APLICAÇÃO
Note que o Filho do Homem é aqui retratado como que vestido de poder e majestade, e de reverência e terror. Aquele manto real longo; aquele cinto de ouro em volta do peito; aqueles cabelos tão radiantes, brancos como neve, sobre os quais o sol brilha tanto que fere a vista; aqueles olhos flamejantes, olhos que perscrutam cada coração e penetra cada canto secreto do mesmo; aqueles pés incandescentes que visam a esmagar os perversos; aquela voz que ressoa como as ondas poderosas que estrondeiam contra os rochedos de Patmos; aquela grande espada afiada, longa, pesada, com dois gumes cortantes; aquela aparência por inteiro “que se assemelha ao sol que brilha em sua força”, brilho esse intenso demais para os olhos humanos fitarem – o quadro inteiro, tomado como um todo, é figura de Cristo, o Ser Santo, vindo para purificar suas igrejas (2.16, 18, 23) e castigar os perseguidores de seus eleitos (8.5ss.).
CONCLUSÃO
Qual a imagem que você tem de Cristo? a imagem que você deve ter de Cristo é dEle ressurreto, glorioso
 E o que a Bíblia nos ensina a respeito da imagem que devemos ter do nosso Senhor? As Escrituras nos essina que a imagem do nosso Redentor deve ser daquele que venceu a morte, que estava lá no início na Criação, e que também é aquele que com a sua voz poderosa irá consumar todas as coisa porque Ele é o Primeiro e o Último e vive reinando com o Pai na glória.

SOLI DEO GLÓRIA!!



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