A VISÃO QUE A IGREJA DEVE TER DE
CRISTO
Rev. Fábio Henrique do Nascimento
Costa
Ap. 1. 9-20
INTRODUÇÃO
Uma das cenas mais marcante na história da humanidade é a de
Cristo quando Ele estava na cruz. Podemos o descrever na cruz mais ou menos
assim: Seus cabelos cheios de
sangue; Seus olhos inchados; Seus pés pregados na cruz; Sua voz rouca, porque a
língua está colada ao céu da boca, por atordoante sede; Suas mãos estão cheias
de pregos; Seu rosto desfigurado por causa do sofrimento e da angustia.
Mas, qual a imagem que
você tem de Cristo? mas, qual a imagem que realmente devemos ter? e o que a
Bíblia nos ensina a respeito da imagem que devemos ter do nosso Senhor?
ELUCIDAÇÃO
Após os primeiros oito versos de apocalipse, os quais nos falam a
respeito do significado do título do livro; também conhecemos o autor do livro
que é o próprio Deus; e conhecermos a quem foi enviado e o propósito.
Chegamos a segunda seção do livro a qual nos revela que: João foi
comissionado a escrever o livro; nos mostra qual a imagem que devemos ter do
nosso Salvador; e o relacionamento de Cristo com os pastores e a igreja.
TEMA: A visão que a igreja deve
ter de Cristo
DESENVOLVIMENTO
1. A Comissão de João para
escrever o livro vv. 9-11
1.1 A identificação de João com
os leitores. João corrobora o conceito irmão com o termo companheiro, que significa mais que parceiro ou amigo. Ele
qualifica este termo com o acréscimo da expressão “na tribulação, no reino e na
perseverança que estão em Jesus”. No papel de companheiro ele partilha os sofrimentos
com seus leitores que têm de suportar em três áreas: tribulação, reino e
perseverança.
1.1.1 A palavra para tribulação no grego é θλιψις, ocorre 45 no NT, e tem um sentido estritamente escatológico. E está
ligado intimamente com um dos títulos que se refere a Cristo como o Filho do
homem. Esta tribulação pertence ao período de catástrofes antes da salvação
final, e se caracteriza pela apostasia, pelo ódio, pelas lutas políticas e
pelas catástrofes da natureza, sendo que tudo isso é necessário e deve
acontecer (Mt. 24. 21 porque
nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora
não tem havido e nem haverá jamais.; Dn. 12. 1 Nesse tempo, se levantará
Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de
angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas,
naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no
livro).
1.1.2. Como cidadãos no
reino de Deus, os cristãos experimentam constante pressão das pessoas que
constituem os inimigos de Deus, de sua Palavra e de seu povo. De todos os
livros do Novo Testamento, o Apocalipse, especialmente, relata o quanto à
tribulação se intensifica quando o reino se aproxima da consumação. (At.
14.22).
1.1.3 Perseverança.
João a menciona no Apocalipse como um dos aspectos característicos de alguém
que segue a Cristo. (Permanência
num estado ou numa atividade, mesmo em caso de oposição ou fracasso Ef 6.18; Mc 13.13; Rm 2.7)
Os membros desse reino devem
necessariamente sofrer e suportar, como é evidente à luz das cartas às igrejas
em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira e Filadélfia. De um lado, os cristãos
enfrentam tribulação em decorrência de viverem no reino; do outro, recebem de
suportar pacientemente, de modo que o reino venha através de sua fidelidade a
Cristo. Quando visualizamos, por esse prisma, o reino entre tribulação e
perseverança, qualquer tensão é suavizada. Um hino sobre o sofrimento por
Cristo, cantado na igreja primitiva, tem esta linha: “Se perseverarmos, também
com ele reinaremos” (2Tm 2.12).
1.2 Local da escrita: A ilha de
Patmos.
1.2.1 Patmos era uma ilha rochosa e vulcânica, para a qual o governo
romano, no primeiro e segundo século, bania os exilados. Durante o fim do
reinado do imperador Domiciano (81-96 a.D), João foi enviado a esta ilha, em
sua próprias palavras “por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus”.
Os romanos perseguiam os cristãos que não reconheciam Cesar como senhor, mas,
sim, Jesus Cristo;
1.3 O anúncio de alerta
1.3.1 João ouve atrás dele uma voz forte como trombeta. Para ele, o som
dessa forte voz foi inesperado e surpreendente. Entretanto, a ressonância da
trombeta lhe falava de sua origem celestial, isto é, o próprio Cristo
revelando-se (Êx. 19. 16,19; 20.18) ao seu povo, povo com o qual Ele tem um
relacionamento de amor e compaixão. E a revelação é para toda a igreja,
inclusive para nós hoje.
2. A Visão do Filho do Homem vv.
12-16
2.1 A visão de Cristo
Glorificado.
2.1.1 Cristo no meio de sua igreja. E a visão do Jesus glorificado não
deve ser interpretada literalmente, mas simbolicamente. Sendo que João tentou
identificar a voz que falava (λαλεω), isto é, o apóstolo tentou
identificar a fala e não a mensagem primeiramente, e o que ele ouviu? Ele ouviu
uma voz como de trombeta, a voz de trombeta, ou seja, a mesma voz que falava do
monte a Moisés (Êx. 19. 16, 19; 20.18) falando ao Seu povo de forma
autoritativa, poderosa, inerrante, suficiente. vv. 12,13.
2.1.2 A descrição de Cristo e o significado dos símbolos
a. “Sua cabeça e
seus cabelos eram brancos como a lã, como a neve.” Cabelos brancos ou grisalhos
demandam respeito e devem ser considerados como uma “coroa de esplendor” (Lv
19.32; Pv 16.31).
b. “Seus olhos
eram como chama de fogo.” Esta sentença reflete uma vez mais uma memória não
exata de Daniel 7.9. A intenção de João é dizer que nada escapa aos olhos
penetrantes de Jesus. Ele corrobora isso na carta à igreja de Tiatira (2.18),
onde Jesus diz que ele é aquele “que sonda mente e coração” (2.23).
c. “E seus pés
eram como o bronze extremamente refinado como em fornalha.” o que se supõe
representar por bronze polido, exceto dizer que ele reflete a glória divina. O
saltério ensina que os pés de Jesus pisa sob seus pés seus inimigos (Sl 110.1).
d. “E sua voz
era como o som de muitas águas.” Em outro lugar ele usa linguagem semelhante
(14.2; 19.6) para comunicar a imagem da insistência do mar que é poderosamente
persistente e incansável. A passagem veterotestamentária que sublinha esta
sentença é Ezequiel 43.2, onde o profeta descreve a glória de Deus e diz: “Sua
voz era como o som de muitas águas”. Esta passagem é agora atribuída a Jesus.
3. O Efeito da visão em João vv.
17-20
3.1 A glória do Cristo
glorificado
3.1.1 A verdade é que os seres humanos são
inaptos para encarar a majestade divina: os pecadores se prostram e reconhecem
a presença da impecabilidade. Ao cair por terra, João sentiu como se estivesse
morrendo. Não obstante, seus sentidos estavam alertas, pois estava plenamente
cônscio de Jesus em pé perto dele. O Senhor lhe apareceu, não para tirar-lhe a
vida, mas para mostrar-lhe seu divino poder e majestade. Nas palavras “Eu sou o
Primeiro e o Último”, João reconheceu Jesus, que é o “Eu sou” (por exemplo, ver
Jo 8.58). Jesus é também o primeiro como o Criador (Jo 1.1-3), o autor da
salvação (Hb 2.10) e o primogênito dentre os mortos (Cl 1.18). Ele é também
aquele que conduzirá todas as coisas à consumação; e assim, ao ser o
cumprimento de todas as coisas, ele é o fim. Ele é o primeiro e o último, o
princípio e o fim.
3.1.2 “E eu sou o que vive e que esteve morto, e eis que estou vivo para
todo o sempre.” Jesus declara que é eterno, divino e “a exata representação do
Ser de Deus” (Hb 1.3). Ele é aquele que vive, em contraste com todos os deuses
do paganismo. Note que ele não diz que está vivo, mas que é aquele que vive e
que possui a vida eterna (Jo 5.26). Ele é o doador da vida (Jo 6.33; 1Jo 5.11),
e a vida que dá é eterna. E assim ele é o grande “Eu sou” (Jo 8.58). Jesus
personifica a vida e ao mesmo tempo ele pode dizer: “Estive morto.” Ele refere
a sua morte sacrificial na cruz do Calvário, onde venceu a morte por amor dos
que retinham o medo da morte (Hb 2.14, 15).
3.1.3 Ele é quem
guarda e tem o domínio sobre a igreja e os seus pastores. A interpretação de
que os mensageiros às congregações são seus pastores faz sentido se
considerarmos os pastores como enviados e comissionados por Cristo. São
responsáveis pelo desenvolvimento espiritual do povo de Deus.
3.1.4
Durante
a era veterotestamentária, Israel era indiviso e representava uma unidade. Nos
tempos apostólicos, entidades nacionais emergiram na formação de sinagogas, por
exemplo, a sinagoga dos homens livres e dos judeus de fala grega (At 6.9).
Quando as igrejas foram estabelecidas, diferenças nacionais e idiomáticas
tiveram seu papel. Não obstante, todas essas igrejas que confessavam Jesus
Cristo como seu Senhor expressam unidade básica. São os candelabros de ouro que
dissipam as trevas do mundo em que Deus as colocou.
APLICAÇÃO
Note que o Filho
do Homem é aqui retratado como que vestido de poder e majestade, e de
reverência e terror. Aquele manto real longo; aquele cinto de ouro em volta do
peito; aqueles cabelos tão radiantes, brancos como neve, sobre os quais o sol
brilha tanto que fere a vista; aqueles olhos flamejantes, olhos que perscrutam
cada coração e penetra cada canto secreto do mesmo; aqueles pés incandescentes
que visam a esmagar os perversos; aquela voz que ressoa como as ondas poderosas
que estrondeiam contra os rochedos de Patmos; aquela grande espada afiada,
longa, pesada, com dois gumes cortantes; aquela aparência por inteiro “que se
assemelha ao sol que brilha em sua força”, brilho esse intenso demais para os
olhos humanos fitarem – o quadro inteiro, tomado como um todo, é figura de
Cristo, o Ser Santo, vindo para purificar suas igrejas (2.16, 18, 23) e
castigar os perseguidores de seus eleitos (8.5ss.).
CONCLUSÃO
Qual a imagem que você
tem de Cristo? a imagem que você deve ter de Cristo é dEle ressurreto, glorioso
E o que a Bíblia nos ensina a respeito da
imagem que devemos ter do nosso Senhor? As Escrituras nos essina que a imagem
do nosso Redentor deve ser daquele que venceu a morte, que estava lá no início
na Criação, e que também é aquele que com a sua voz poderosa irá consumar todas
as coisa porque Ele é o Primeiro e o Último e vive reinando com o Pai na
glória.
SOLI DEO GLÓRIA!!
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