ORGULHO
Lc. 18. 9-14
Breve
análise do texto
A
breve parábola de Jesus, é analisada apenas por Lucas, é contada em um contexto
que apresenta o ensino do Senhor sobre oração. Em Lc. 18. 1-8 a ênfase está na
perseverança que se deve ter na oração. Já no texto que temos por base para o
presente estudo, a ênfase é dupla: a condenação de uma ação altiva e soberba,
que engana levando quem se deixa dominar por ela a pensar que é melhor que os
outros e não precisa nem de Deus; nem a apreciação de uma atitude humilde, que
leva a depender apenas de Deus, e não nos méritos próprios.
Este
texto ilustra muito bem o aspecto ridículo do orgulho, e o resultado desastroso
produzido na vida de quem se julga auto-suficiente e melhor que os outros.
Nesta parábola, Jesus utiliza de um de seus trocadilhos favoritos “ pois quem
se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”
O
que é orgulho?
O
que é orgulho? Trata-se da atitude de considerar-se superior e melhor que os
outros, a ponto de desprezá-las. O orgulho é, portanto, a atitude que leva alguém
a considerar-se uma pessoa acima de todas as outras. C.S. Lewis, em
Cristianismo Puro e Simples afirma “O orgulho é essencialmente competidor; é
competidor por sua própria natureza, enquanto que os outros pecados são, por
assim dizer, competidores apenas por
acaso”. O orgulho não sente prazer em possuir algo, mas apenas em possuir mais
do que o próximo. Dizemos que alguém tem o orgulho de ser rico, Ou de ser
alguém inteligente ou de ter boa aparência do que os outros. Se todo mundo
torna-se igualmente rico, inteligente ou de boa aparência, não havia nada do
que se orgulhar. É a comparação que nos torna orgulhosos: o prazer de estar
acima dos outros. Não havendo o fator competição, o orgulho desaparece.
Por
causa do orgulho, pessoas desprezam, humilham e oprimem seus semelhantes –
racismo e preconceito, por exemplo, são manifestações do orgulho. Por isso, o
orgulho é um pecado tão grave e sério: sempre alguém encontrará outro que lhe
seja superior em outra área. E, acima de tudo, e de todos, há o próprio Deus.
Citando Lewis mais uma vez “em Deus vamos contra algo que nos é infinitamente
superior em todos os aspectos. A menos que reconheçamos a Deus como tal, e,
portanto, que reconheçamos a nós mesmos como um nada em comparação a Ele, não
conheceremos a Deus absolutamente. Enquanto permanecermos orgulhosos, não
poderemos reconhecer a Deus. Um orgulhoso estará sempre olhando de cima para as
pessoas e coisas; e, é claro, quem está olhando para baixo, não pode ver o que
está acima de si mesmo”. A ruína espiritual proveniente do orgulho reside no
fato do orgulhoso amar-se mais do que a Deus e, evidentemente, mais que as
outras pessoas.
Eis
o grande problema do orgulho: a pessoa orgulhosa considera-se melhor que as
outras pessoas. O orgulho não deixa a pessoa reconhecer que, se tem algo de
bom, não é pelo seu próprio mérito, mas pela misericórdia divina. Portanto, é
ridículo alguém considerar-se superior a quem quer que seja. No lugar do
orgulho, é preciso sentir gratidão a Deus pelas boas dádivas que ele concede.
O
que não é orgulho?
É
preciso distinguir alguns pontos, para que não se entenda uma questão tão
importante como esta, de maneira errada. Há pessoas que não querem ser
orgulhosas, mas acabam manifestando uma humildade deturpada. Eis alguns
exemplos: a alegria que alguém sente ao receber um elogio não é orgulho. Jesus
nos dá a impressionante promessa que Deus elogiará seus servos fieis (Mt. 25.
21-23). Quando alguém diz algo bom nosso respeito, devemos dar graças a Deus,
que nos possibilitou a característica pessoal ou a realização que nos fez
receber o elogio. O problema é quando uma pessoa é tão orgulhosa que nem dá
valor a quem o elogiou, por considerar-se superior a tudo e a todos.
Também
não é errado ter “orgulho” de uma pessoa especial, como um pai, ou uma filha,
ou por ser aluno de uma determinada escola, ou funcionário de uma determinada
empresa. Nestes casos o que se sente não é exatamente “orgulho”, mas uma grande
afeição ou admiração, pela pessoa ou instituição, seja lá o que for. Esta
afeição ou admiração não são pecaminosas em si. Mas devemos tomar cuidado para
que não amemos mais pessoas do que a Deus. Afinal, “se alguém vem a mim e ama o
seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua
própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo” Lc. 14.26.
Vencendo
o orgulho.
É
possível vencer o orgulho? Sim, pela graça de Deus. A humildade é o remédio de
Deus contra o orgulho. O problema é que, como sabiamente adverte o Rev. John
Haggai, em seu livro “Seja um Líder de Verdade: quem é verdadeiramente humilde
não pensa em sua humildade, pois a humildade não tem consciência de si mesma”.
Mesmo
assim, é possível cultivar alguns princípios de vida que são uteis para a
vitória sobre o orgulho. Um destes princípios é ser dependente de Deus como uma
criança. O Senhor Jesus disse quem não se tornar como uma criança não entrará
no reino dos céus (Mt. 18. 1-5). A criança não é arrogante. Não se considera
melhor que ninguém. Para vencermos o orgulho, imitemos a criança.
Outro
principio de vida importante para vencer o orgulho é o serviço. Jesus, o
Senhor, serviu sempre. Ele não teve problema em fazer o que ninguém queria, e
lavar os pés de seus amigos discípulos “João 13:13-15 13 Vós me chamais o Mestre e o Senhor e
dizeis bem; porque eu o sou. 14 Ora, se
eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés
uns dos outros. 15 Porque eu vos dei o
exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”. Quem
serve aos semelhantes desenvolve espírito de humildade.
Segunda
|
Terça
|
Quarta
|
Quinta
|
Sexta
|
Sábado
|
Domingo
|
Gn.
11.1-9
|
Dt.
8. 6-20
|
I
Sm 17
|
II
Rs19.8-37
|
Is.
14. 1-23
|
Dn.
4
|
Lc.
1. 46-55
|
O
orgulho não é como os outros pecados - Como a águia, ele pode derrubar uma
presa viva, ou, como o abutre, se banquetear no carniça podre. Alguns são
orgulhosos de seu conhecimento, outros de sua ignorância; algumas das sua
consistência, outros de uma "liberdade" de todas as restrições.
Alguns se orgulham de seus dons, outros de suas graças... alguns de seus
discursos, outros de seu silêncio prudente, Muitos se orgulham de sua justiça
farisaica, outros de sua segurança antinomiana. Não há limites para o orgulho!
O
presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev.
Carlos Ribeiro Caldas Filho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário