segunda-feira, 23 de abril de 2012

Orgulho


ORGULHO
Lc. 18. 9-14
Breve análise do texto
A breve parábola de Jesus, é analisada apenas por Lucas, é contada em um contexto que apresenta o ensino do Senhor sobre oração. Em Lc. 18. 1-8 a ênfase está na perseverança que se deve ter na oração. Já no texto que temos por base para o presente estudo, a ênfase é dupla: a condenação de uma ação altiva e soberba, que engana levando quem se deixa dominar por ela a pensar que é melhor que os outros e não precisa nem de Deus; nem a apreciação de uma atitude humilde, que leva a depender apenas de Deus, e não nos méritos próprios.
Este texto ilustra muito bem o aspecto ridículo do orgulho, e o resultado desastroso produzido na vida de quem se julga auto-suficiente e melhor que os outros. Nesta parábola, Jesus utiliza de um de seus trocadilhos favoritos “ pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”
O que é orgulho?
O que é orgulho? Trata-se da atitude de considerar-se superior e melhor que os outros, a ponto de desprezá-las. O orgulho é, portanto, a atitude que leva alguém a considerar-se uma pessoa acima de todas as outras. C.S. Lewis, em Cristianismo Puro e Simples afirma “O orgulho é essencialmente competidor; é competidor por sua própria natureza, enquanto que os outros pecados são, por assim dizer, competidores  apenas por acaso”. O orgulho não sente prazer em possuir algo, mas apenas em possuir mais do que o próximo. Dizemos que alguém tem o orgulho de ser rico, Ou de ser alguém inteligente ou de ter boa aparência do que os outros. Se todo mundo torna-se igualmente rico, inteligente ou de boa aparência, não havia nada do que se orgulhar. É a comparação que nos torna orgulhosos: o prazer de estar acima dos outros. Não havendo o fator competição, o orgulho desaparece.
Por causa do orgulho, pessoas desprezam, humilham e oprimem seus semelhantes – racismo e preconceito, por exemplo, são manifestações do orgulho. Por isso, o orgulho é um pecado tão grave e sério: sempre alguém encontrará outro que lhe seja superior em outra área. E, acima de tudo, e de todos, há o próprio Deus. Citando Lewis mais uma vez “em Deus vamos contra algo que nos é infinitamente superior em todos os aspectos. A menos que reconheçamos a Deus como tal, e, portanto, que reconheçamos a nós mesmos como um nada em comparação a Ele, não conheceremos a Deus absolutamente. Enquanto permanecermos orgulhosos, não poderemos reconhecer a Deus. Um orgulhoso estará sempre olhando de cima para as pessoas e coisas; e, é claro, quem está olhando para baixo, não pode ver o que está acima de si mesmo”. A ruína espiritual proveniente do orgulho reside no fato do orgulhoso amar-se mais do que a Deus e, evidentemente, mais que as outras pessoas.
Eis o grande problema do orgulho: a pessoa orgulhosa considera-se melhor que as outras pessoas. O orgulho não deixa a pessoa reconhecer que, se tem algo de bom, não é pelo seu próprio mérito, mas pela misericórdia divina. Portanto, é ridículo alguém considerar-se superior a quem quer que seja. No lugar do orgulho, é preciso sentir gratidão a Deus pelas boas dádivas que ele concede.
O que não é orgulho?
É preciso distinguir alguns pontos, para que não se entenda uma questão tão importante como esta, de maneira errada. Há pessoas que não querem ser orgulhosas, mas acabam manifestando uma humildade deturpada. Eis alguns exemplos: a alegria que alguém sente ao receber um elogio não é orgulho. Jesus nos dá a impressionante promessa que Deus elogiará seus servos fieis (Mt. 25. 21-23). Quando alguém diz algo bom nosso respeito, devemos dar graças a Deus, que nos possibilitou a característica pessoal ou a realização que nos fez receber o elogio. O problema é quando uma pessoa é tão orgulhosa que nem dá valor a quem o elogiou, por considerar-se superior a tudo e a todos.
Também não é errado ter “orgulho” de uma pessoa especial, como um pai, ou uma filha, ou por ser aluno de uma determinada escola, ou funcionário de uma determinada empresa. Nestes casos o que se sente não é exatamente “orgulho”, mas uma grande afeição ou admiração, pela pessoa ou instituição, seja lá o que for. Esta afeição ou admiração não são pecaminosas em si. Mas devemos tomar cuidado para que não amemos mais pessoas do que a Deus. Afinal, “se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo” Lc. 14.26.
Vencendo o orgulho.
É possível vencer o orgulho? Sim, pela graça de Deus. A humildade é o remédio de Deus contra o orgulho. O problema é que, como sabiamente adverte o Rev. John Haggai, em seu livro “Seja um Líder de Verdade: quem é verdadeiramente humilde não pensa em sua humildade, pois a humildade não tem consciência de si mesma”.
Mesmo assim, é possível cultivar alguns princípios de vida que são uteis para a vitória sobre o orgulho. Um destes princípios é ser dependente de Deus como uma criança. O Senhor Jesus disse quem não se tornar como uma criança não entrará no reino dos céus (Mt. 18. 1-5). A criança não é arrogante. Não se considera melhor que ninguém. Para vencermos o orgulho, imitemos a criança.
Outro principio de vida importante para vencer o orgulho é o serviço. Jesus, o Senhor, serviu sempre. Ele não teve problema em fazer o que ninguém queria, e lavar os pés de seus amigos discípulos “João 13:13-15   13 Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou.  14 Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.  15 Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”.   Quem serve aos semelhantes desenvolve espírito de humildade.

Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
Domingo
Gn. 11.1-9
Dt. 8. 6-20
I Sm 17
II Rs19.8-37
Is. 14. 1-23
Dn. 4
Lc. 1. 46-55

O orgulho não é como os outros pecados - Como a águia, ele pode derrubar uma presa viva, ou, como o abutre, se banquetear no carniça podre. Alguns são orgulhosos de seu conhecimento, outros de sua ignorância; algumas das sua consistência, outros de uma "liberdade" de todas as restrições.  Alguns se orgulham de seus dons, outros de suas graças... alguns de seus discursos, outros de seu silêncio prudente, Muitos se orgulham de sua justiça farisaica, outros de sua segurança antinomiana. Não há limites para o orgulho!
O presente estudo foi editado pela Editora Didaquê, sendo o autor do mesmo o Rev. Carlos Ribeiro Caldas Filho. 

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